Pular para o conteúdo
Tecnologia

Robôs, carros autônomos e inteligência artificial agora fazem parte dos roteiros turísticos da China

Além de monumentos históricos e paisagens famosas, um novo tipo de atração está conquistando visitantes estrangeiros. A experiência revela um lado pouco conhecido do país e ajuda a explicar sua rápida transformação tecnológica.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, a imagem da China como destino turístico esteve ligada à Grande Muralha, à Cidade Proibida e aos Guerreiros de Terracota. Esses lugares continuam atraindo milhões de visitantes todos os anos, mas um fenômeno recente começa a mudar o perfil de quem desembarca no país. Cada vez mais turistas, empresários e pesquisadores viajam para conhecer de perto fábricas ultramodernas, robôs inteligentes, veículos autônomos e centros de inovação que simbolizam a nova fase da indústria chinesa.

As fábricas se transformaram em uma das atrações mais curiosas da China

Nos últimos anos, cidades altamente tecnológicas passaram a oferecer roteiros completamente diferentes dos tradicionais passeios turísticos. Em vez de visitar apenas monumentos históricos, muitos viajantes agora escolhem conhecer instalações industriais onde são produzidos carros elétricos, robôs humanoides, drones e sistemas de inteligência artificial.

Shenzhen se tornou o principal símbolo dessa tendência. Considerada um dos maiores polos tecnológicos do planeta, a cidade reúne experiências que permitem observar tecnologias funcionando no cotidiano. Em um único roteiro, é possível experimentar serviços de entrega por drones, utilizar robotáxis, visitar lojas equipadas com dispositivos inteligentes e acompanhar demonstrações de robôs desenvolvidos para diferentes aplicações.

Os pacotes variam bastante de preço. Existem visitas de poucas horas voltadas para turistas curiosos, enquanto programas exclusivos oferecem acesso a empresas de tecnologia, laboratórios e centros de pesquisa.

Além dos viajantes convencionais, esse tipo de turismo também desperta interesse entre investidores, executivos e representantes de universidades que desejam compreender como a China conseguiu acelerar seu desenvolvimento tecnológico em tão pouco tempo.

As visitas deixaram de ser apenas uma curiosidade e passaram a integrar uma estratégia que aproxima inovação, negócios e turismo em uma única experiência.

Roteiros Turísticos Da China1
© Magnific

Muito além da curiosidade: empresas utilizam visitas para mostrar sua força tecnológica

Diversas fabricantes perceberam rapidamente o potencial dessas experiências. Empresas do setor automotivo abriram suas linhas de produção para grupos de visitantes, transformando fábricas altamente automatizadas em verdadeiros centros de demonstração tecnológica.

Os participantes acompanham robôs realizando soldagens, sistemas automatizados transportando componentes e processos industriais que operam com mínima intervenção humana. Em muitos casos, a visita oferece uma percepção muito mais convincente do que campanhas publicitárias ou apresentações corporativas.

Algumas empresas também organizam programas exclusivos para delegações empresariais. Esses roteiros incluem reuniões com executivos, apresentações privadas e acesso a áreas normalmente restritas ao público. Dependendo do nível da experiência, os valores podem chegar a vários milhares de dólares.

Essa aproximação permite que potenciais clientes, investidores e parceiros conheçam diretamente o nível de automação e inovação presente nas fábricas chinesas, fortalecendo a imagem das marcas no mercado internacional.

Ao mesmo tempo, os visitantes acabam compartilhando vídeos, fotos e relatos nas redes sociais, ampliando espontaneamente o alcance dessas empresas muito além das fronteiras chinesas.

O turismo tecnológico faz parte de uma estratégia que começou há mais de uma década

Esse novo modelo não surgiu por acaso. Ele é resultado de anos de investimentos em setores considerados estratégicos, como robótica, inteligência artificial, baterias, semicondutores e veículos elétricos.

Em 2015, o governo lançou o programa Made in China 2025, iniciativa que buscava reduzir a dependência tecnológica externa e transformar o país em uma potência mundial na fabricação de produtos de alto valor agregado. Desde então, sucessivos investimentos aceleraram a modernização da indústria e ampliaram significativamente a capacidade tecnológica das empresas chinesas.

Hoje, os visitantes conseguem observar os resultados dessa política em ambientes reais de produção. Robôs colaborativos, sistemas inteligentes, veículos autônomos e fábricas altamente digitalizadas deixaram de ser apenas conceitos apresentados em feiras internacionais para se tornarem parte do cotidiano industrial.

A política de flexibilização da entrada de turistas também favoreceu esse crescimento. Até o fim de 2026, cidadãos de diversos países, incluindo Brasil, Argentina, Alemanha, França e Espanha, podem entrar na China sem necessidade de visto para permanências de até 30 dias em viagens de turismo ou negócios.

Embora esses roteiros apresentem principalmente as instalações mais modernas e tecnológicas, deixando de lado desafios como impactos ambientais, condições de trabalho ou unidades industriais menos avançadas, eles cumprem um papel importante na estratégia internacional do país.

Mais do que mostrar fábricas, a China passou a utilizar sua capacidade industrial como vitrine global. O que antes era visto apenas como um centro de produção agora também se tornou um destino para quem deseja conhecer de perto algumas das tecnologias que estão moldando o futuro.

Partilhe este artigo

Artigos relacionados