A França quer ocupar um espaço ainda maior na indústria mundial de videogames. Em 7 de setembro de 2026, o presidente Emmanuel Macron anunciou planos para criar um grande festival internacional dedicado aos jogos eletrônicos. A proposta pretende colocar os games no mesmo patamar cultural de outras formas de expressão, como o cinema.
França quer um grande encontro mundial de videogames
Emmanuel Macron anunciou a criação de um festival internacional de videojogos. pic.twitter.com/AQLQXV5MKq
— B24 Screen (@B24Screen) September 7, 2026
O anúncio aconteceu durante a Cúpula Lumière, realizada em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França.
Macron classificou os videogames como “uma das principais formas criativas do nosso tempo” e afirmou que o país criará um evento pensado desde o início para ter alcance internacional.
A intenção é reunir desenvolvedores, estúdios, jogadores, instituições públicas e empresas de tecnologia em torno da criação, inovação e indústria dos games.
Ainda existem muitas perguntas sem resposta. O festival não tem nome oficial, data, cidade-sede ou formato confirmado.
Também não está claro se será uma grande feira comercial, semelhante à Gamescom, ou algo mais próximo de festivais de cinema, com premiações e maior destaque para os criadores.
Videogames podem ganhar tratamento semelhante ao cinema
Macron também defendeu a inclusão dos videogames na chamada “exceção cultural francesa”.
O conceito permite que determinadas produções culturais sejam tratadas de maneira diferente de mercadorias convencionais. Na prática, isso possibilita políticas públicas destinadas a incentivar e proteger a produção cultural francesa.
O presidente quer que os videogames recebam reconhecimento semelhante ao concedido a outras artes.
A proposta foi apresentada durante uma cúpula comandada por Macron e pelo presidente sul-coreano Lee Jae Myung. A Coreia do Sul possui uma das culturas de games e esports mais importantes do mundo, o que também ajuda a explicar a presença do setor nas discussões.
França já possui uma indústria poderosa de games
O país não começa do zero.
A França abriga ou deu origem a empresas e estúdios conhecidos internacionalmente, incluindo Ubisoft, Focus Entertainment, Nacon, Quantic Dream, Don’t Nod, Arkane Studios, Asobo Studio, Dotemu e Microids.
Outro exemplo recente é Clair Obscur: Expedition 33, desenvolvido pela francesa Sandfall Interactive.
Macron já destacou publicamente o sucesso do jogo e de seus desenvolvedores. Para o presidente, casos como esse demonstram que os videogames precisam ser considerados simultaneamente uma forma artística e uma importante indústria.
O anúncio também aconteceu poucos dias depois da Gamescom, realizada em Colônia, na Alemanha. A feira é uma das maiores vitrines mundiais para novos jogos e reúne empresas, desenvolvedores, imprensa e jogadores.
A França aparentemente quer ter um grande evento internacional próprio.
Ainda não sabemos como será o festival
O governo francês não informou se haverá anúncios de novos jogos, campeonatos de esports, conferências para profissionais, exposições abertas ao público ou cerimônias de premiação.
Também não explicou quais instituições serão responsáveis pela organização ou como o projeto será financiado.
Essa indefinição gerou críticas nas redes sociais. Alguns franceses questionaram a criação de um novo grande evento diante da situação econômica do país. Outros lembraram que Paris já recebe a Paris Games Week, tradicional feira francesa dedicada aos videogames.
Também surgiram acusações de que Macron estaria tentando se aproximar dos jogadores antes das eleições presidenciais previstas para 2027.
A relação de Macron com os games nem sempre foi tranquila

O presidente francês já demonstrou proximidade com diferentes nomes do setor.
Macron homenageou a organização de esports Karmine Corp e recebeu integrantes da Sandfall Interactive. Ao mesmo tempo, já foi criticado por associar videogames à violência, uma relação que pesquisas científicas não sustentam de maneira simples ou direta.
Agora, sua postura parece colocar os jogos em outro lugar: como cultura, arte, tecnologia e atividade econômica.
Por enquanto, o festival francês existe apenas como projeto. Não há informações sobre quando acontecerá sua primeira edição ou qual cidade receberá o evento.
Mas a ambição já está clara: transformar a França em palco de um novo grande encontro mundial dos videogames.
[ Fonte: Infobae ]