A Rússia afirmou nesta quinta-feira (18) que espera que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não cometa um “erro fatal” em relação à Venezuela. Moscou demonstrou preocupação com as decisões recentes de Washington, que, segundo autoridades russas, ameaçam a navegação internacional e aumentam o risco de uma escalada com efeitos imprevisíveis para toda a região.
A declaração ocorre em meio ao endurecimento da política americana contra o governo de Nicolás Maduro, alvo de sanções econômicas e diplomáticas há anos. Nos últimos dias, os Estados Unidos intensificaram ações no Caribe e anunciaram medidas que, na prática, impõem um bloqueio a petroleiros ligados à Venezuela, afetando diretamente a principal fonte de receitas do país.
Moscou critica decisões “unilaterais” de Washington

Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou observar uma “escalada contínua e deliberada das tensões” em torno da Venezuela, descrita como um país aliado de Moscou. Para o governo russo, o caráter unilateral das decisões americanas representa uma ameaça direta à segurança da navegação internacional.
“Esperamos que o governo de D. Trump, caracterizado por uma abordagem racional e pragmática, não cometa um erro fatal”, diz a nota. A chancelaria russa também defendeu a normalização do diálogo entre Washington e Caracas e alertou que um agravamento da crise pode gerar consequências imprevisíveis para todo o Hemisfério Ocidental.
A Rússia reiterou apoio ao governo de Nicolás Maduro e afirmou que acompanha com preocupação qualquer iniciativa que possa levar a um confronto mais amplo na região.
Kremlin pede moderação aos países da região
Em uma segunda declaração, o Kremlin reforçou o apelo por cautela. O porta-voz do governo russo, Dmitry Peskov, afirmou a jornalistas que Moscou vê o aumento das tensões como “potencialmente muito perigoso”.
Segundo Peskov, o presidente Vladimir Putin conversou recentemente por telefone com Nicolás Maduro. O Kremlin afirmou que, diante desse cenário, pede moderação a todos os países envolvidos, para evitar desdobramentos que escapem ao controle diplomático.
A Rússia tem ampliado sua presença política e econômica na Venezuela nos últimos anos, incluindo cooperação energética e apoio diplomático em fóruns internacionais, o que reforça seu interesse direto na estabilidade do país.
EUA intensificam pressão política e militar

Do lado americano, o governo Trump elevou o tom e as ações. Washington anunciou o envio de aeronaves, veículos militares, milhares de soldados e um grupo de ataque liderado por um porta-aviões para o Caribe, oficialmente sob a justificativa de combate ao narcotráfico.
As operações incluem abordagens e ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico que, segundo autoridades americanas, estariam envolvidas no transporte de drogas. No entanto, especialistas e governos da região têm questionado a legalidade dessas ações, especialmente quando ocorrem em áreas próximas a águas territoriais venezuelanas.
Além da pressão militar, os Estados Unidos continuam a acusar o governo de Nicolás Maduro de manter vínculos com o narcotráfico, incluindo o chamado Cartel de los Soles, supostamente integrado por membros das Forças Armadas venezuelanas — acusações negadas por Caracas.
Bloqueio a petroleiros amplia tensão diplomática
O ponto mais sensível da atual escalada foi a decisão de Washington de ordenar um “bloqueio total” contra petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela. A medida ganhou força após a apreensão de um navio petroleiro próximo à costa venezuelana, classificada pelo governo Maduro como “roubo descarado” e “ato de pirataria internacional”.
Com o risco de novas apreensões, navios carregados com milhões de barris de petróleo permaneceram parados, afetando exportações e agravando ainda mais a crise econômica venezuelana. Trump declarou que não permitirá que “ninguém passe sem o devido direito”, sinalizando que pretende manter a linha dura.
Cenário incerto e riscos regionais
Segundo fontes ouvidas pela CNN, o governo americano estaria elaborando planos para o chamado “dia seguinte” à eventual queda de Maduro, embora ainda não haja decisão sobre um ataque direto ao país. No fim de novembro, Trump chegou a conversar por telefone com o líder venezuelano, que teria recebido um ultimato para deixar o poder — o que não ocorreu.
Diante desse quadro, a Rússia tenta se posicionar como um ator de contenção, alertando para os riscos de uma escalada que vá além da Venezuela. O temor de Moscou é que ações mais agressivas dos Estados Unidos acabem desestabilizando toda a região, com impactos políticos, econômicos e de segurança difíceis de prever.
[ Fonte: CNN Brasil ]