Na última quinta-feira, Elon Musk provocou um terremoto online ao afirmar que Donald Trump está “nos arquivos de Epstein” — referência ao falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Segundo Musk, essa seria a razão pela qual os documentos sigilosos ainda não vieram à tona, apesar das promessas vazias da procuradora-geral Pam Bondi. Mas os adeptos da teoria da conspiração QAnon não acreditam que Trump tenha envolvimento real. Para eles, toda essa troca de farpas entre Musk e o ex-presidente é apenas um teatro calculado para, finalmente, expor os verdadeiros criminosos sexuais.
A teoria mirabolante dos “heróis disfarçados”
O conspiracionista Dinesh D’Souza — conhecido pelo documentário desacreditado 2000 Mules — foi um dos primeiros a transformar o conflito em roteiro de filme. Em postagem no X (antigo Twitter), sugeriu que a briga é um plano engenhoso para forçar a liberação dos arquivos de Epstein. Ele imagina até o final feliz: “Trump e Elon estourando champanhe depois que todos os vilões forem expostos”.
Claro, nada disso faz sentido. O governo Trump não precisa da gritaria dos democratas para liberar documentos, e a própria Bondi já organizou uma reunião esdrúxula na Casa Branca com ativistas da extrema direita — exibindo pastas cheias de… nada.
Mesmo assim, D’Souza e outros nomes da ala conspiratória “mainstream” continuam apostando na teoria de que Musk e Trump estão jogando xadrez quadridimensional. Entre os mais radicais, como os seguidores de QAnon, o buraco é ainda mais fundo.
“Briga falsa” e a negação dos fatos
Figuras como Liz Crokin, ex-jornalista convertida em propagadora de teorias QAnon, chamaram a troca de farpas entre Musk e Trump de “encenação”, ou kayfabe — termo do mundo da luta livre usado para descrever rivalidades forjadas. Segundo Crokin, os democratas “morderam a isca” ao pedir a liberação dos arquivos.
Crokin, assim como Alex Jones — outro nome conhecido do universo conspiratório —, insiste que Trump não tem qualquer envolvimento com os crimes de Epstein. Ignoram, convenientemente, os relatos de que Trump e Epstein eram amigos íntimos nos anos 90, e até declarações do próprio Trump elogiando Epstein como um “cara divertido”.
As conexões incômodas dos dois lados
Apesar de alegar distância, Trump foi visto em diversas ocasiões ao lado de Epstein. Há relatos de que eles romperam relações após uma disputa por uma propriedade — embora os defensores de Trump prefiram acreditar que ele se afastou por “proteger” uma jovem assediada por Epstein em Mar-a-Lago.
Musk, por sua vez, também não está imune. Uma matéria do Business Insider revelou que Epstein teria apresentado uma namorada ao irmão de Musk, Kimbal. E uma famosa foto mostra Musk ao lado de Ghislaine Maxwell, cúmplice de Epstein, em uma festa. Musk alega que foi apenas uma “fotobomba”.
O embate pode sair do virtual
A troca de acusações pode ter implicações reais. Musk atualmente detém contratos bilionários com o governo dos EUA via SpaceX. Caso Trump cumpra a ameaça de cortar esses contratos, é possível que o bilionário reaja. Ambos são conhecidos por seu comportamento vingativo — o que funciona bem quando estão do mesmo lado, mas pode se tornar explosivo quando um se volta contra o outro.
E no meio disso tudo, surgem dúvidas mais sérias: Musk está sugerindo que tem acesso privilegiado a arquivos do Departamento de Justiça? Isso levantaria suspeitas ainda maiores sobre sua influência nos bastidores do governo — algo que já foi questionado após revelações sobre acesso a dados privados de cidadãos americanos.
Teoria ou circo?
Enquanto o QAnon vê um plano secreto para salvar o mundo, a maioria dos analistas enxerga apenas dois bilionários ególatras trocando ofensas públicas. E claro, a internet entrou no modo piada: memes, trocadilhos e ironias dominaram as redes sociais.
O perfil lendário @dril resumiu com sarcasmo: “O presidente não vai ver suas piadinhas sobre Jeffrey Epstein. Mas seus amigos ligados à pedofilia patrocinada pelo Estado vão.”