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Tecnologia

Tesla reduz espaço da Cybertruck em 2027 e aposta seu futuro nos robotáxis

Musk anunciou que a produção da picape no Texas perderá espaço para o Cybercab, após vendas muito abaixo das expectativas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Cybertruck deveria transformar a Tesla em uma força no mercado de picapes. Agora, o veículo de aço inoxidável começa a perder espaço dentro da própria fábrica. Elon Musk anunciou que a empresa reduzirá sua produção na Gigafactory do Texas por volta de meados de 2027 para ampliar a fabricação do Cybercab, o modelo desenvolvido para operar como robotáxi.

A decisão representa uma mudança importante de prioridade industrial. A Tesla pretende direcionar instalações e capacidade produtiva para o transporte autônomo, enquanto recua em uma das apostas mais pessoais de seu presidente-executivo. Ainda não está claro, porém, se a fabricação da Cybertruck poderá migrar para outra unidade ou se o modelo sairá definitivamente de linha.

A fábrica que simbolizava a picape muda de prioridade

Tesla Mira O Futuro Da Energia
© Craig Adderley/Gizmodo

A Gigafactory do Texas é a única instalação conhecida da Tesla preparada para fabricar os componentes especializados da Cybertruck. Por isso, reduzir a produção nesse local tem consequências maiores do que um simples ajuste de volume entre fábricas.

Segundo o anúncio relatado pela Reuters, o objetivo é acomodar uma expansão do Cybercab. Musk não detalhou naquele momento uma eventual transferência da picape para outra instalação. A agência também informou que a Tesla não respondeu imediatamente ao pedido de esclarecimento.

A leitura de que esse pode ser o início do fim da Cybertruck tem, portanto, fundamento industrial. Mas o destino final do modelo exige distinguir a redução anunciada no Texas de uma confirmação formal sobre toda e qualquer produção futura.

As vendas ficaram longe da ambição inicial

Os números ajudam a explicar a decisão. Estimativas da Kelley Blue Book, empresa do grupo Cox Automotive, apontam vendas de 20.237 Cybertrucks nos Estados Unidos em 2025. No ano anterior, foram 38.965 unidades, uma queda de aproximadamente 48%.

O desempenho ficou muito distante das 250 mil unidades anuais que Musk havia previsto no início da produção. A Tesla não divulga separadamente as entregas da picape, por isso os números por modelo dependem de estimativas do setor.

O relatório de vendas de elétricos da Kelley Blue Book para 2024 mostra que a estreia teve força: a Cybertruck superou naquele ano a Ford F-150 Lightning e a Rivian R1T no mercado americano. O problema foi sustentar esse impulso depois da demanda inicial.

Essa trajetória expõe uma dificuldade comum a produtos de grande repercussão: conquistar compradores entusiasmados com a novidade não garante um mercado amplo e duradouro.

O impacto visual não compensou os problemas

Desde a apresentação, em 2019, a Cybertruck procurou se diferenciar das picapes tradicionais. A carroceria angular e o aço inoxidável fizeram do veículo uma vitrine imediata para a Tesla.

Na avaliação da reportagem do Xataka, porém, a chegada ao mercado trouxe um preço superior ao esperado e autonomia abaixo das promessas iniciais. O modelo também enfrentou problemas de qualidade e sucessivas campanhas de recall, que se somaram ao enfraquecimento das vendas.

Um dos casos envolveu o acabamento do pedal do acelerador. Conforme a documentação enviada à agência americana de segurança viária, a NHTSA, a peça poderia se soltar sob pressão e prender o pedal no revestimento interno acima dele.

A Tesla determinou o reparo ou a substituição do conjunto nos veículos afetados. Esse episódio ilustra como dificuldades de fabricação também acompanharam a proposta de design incomum da picape.

O Cybercab muda também o modelo de negócio

Tesla Prepara Cybercab Para Setembro Robotáxi Não Terá Volante Nem Pedais
© YouTube

A substituição de prioridades envolve veículos com funções bastante diferentes. A Cybertruck é uma picape destinada à compra por consumidores e empresas. O Cybercab foi concebido como um veículo autônomo de dois lugares, sem volante nem pedais, voltado ao serviço de transporte.

Ao apresentá-lo em 2024, Musk falou em preço inferior a US$ 30 mil e custos operacionais baixos. Essas metas ajudaram a construir a proposta comercial do projeto, mas não devem ser tratadas como garantias de preço ou rentabilidade em todas as condições.

A aposta passa a depender de algo mais amplo do que fabricar e vender automóveis. Um serviço de robotáxis precisa combinar produção, software, manutenção, operação de frota e capacidade de atender passageiros de forma consistente.

Liberar espaço na fábrica pode ajudar a aumentar a oferta de veículos. O sucesso comercial exige que o restante dessa estrutura acompanhe a expansão.

A nova prioridade também enfrenta obstáculos

O Cybercab ainda precisa demonstrar que consegue crescer como negócio. Segundo a Reuters, o modelo começou a realizar viagens pagas em uma pequena frota em Austin em setembro. A agência informou também que a NHTSA abriu uma auditoria para examinar a base usada pela Tesla para certificar a conformidade do veículo com os padrões federais de segurança.

Além disso, o transporte autônomo envolve concorrentes que já disputam passageiros e mercados. A mudança industrial da Tesla mostra o peso que Musk atribui à oportunidade, mas não resolve antecipadamente as questões técnicas, regulatórias e econômicas da operação.

Para a Cybertruck, o anúncio reduz a perspectiva de se tornar um produto de grande escala. Para o Cybercab, cria espaço físico e reforça sua posição estratégica. Em 2027, a Tesla pretende fabricar mais veículos para uma aposta cujo resultado dependerá tanto das ruas quanto das linhas de montagem.

 

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