As tensões entre Estados Unidos e Rússia voltaram a escalar, reacendendo temores nucleares que pareciam adormecidos desde a Guerra Fria. Após uma troca de provocações com Dimitri Medvedev, Donald Trump anunciou o deslocamento de submarinos nucleares em resposta à menção da temida “Mão Morta”, um sistema russo considerado uma “arma apocalíptica”. Este episódio lança luz sobre um dispositivo que poderia redefinir o equilíbrio militar global em caso de conflito extremo.
A Arma Apocalíptica da Guerra Fria

A “Mão Morta” — também chamada de Perimetr — é um sistema de mísseis nucleares projetado para garantir retaliação automática contra qualquer inimigo que tente destruir a liderança russa em um ataque surpresa. Criada nos anos 1970, em plena Guerra Fria, a ferramenta foi concebida como uma resposta ao temor soviético do avanço do arsenal nuclear americano.
Segundo o Centro para Análises Navais (CNA), o Perimetr foi ativado em 1986 e ficou conhecido como a primeira “máquina do juízo final”. Reportagens do The New York Times, publicadas em 1993, revelaram que o sistema poderia ser capaz de disparar mísseis sem intervenção humana, caso todas as linhas de comando fossem eliminadas em um ataque nuclear massivo.
Como Funciona a “Mão Morta”
O sistema é composto por sensores instalados em centros estratégicos e bases subterrâneas blindadas. Quando detecta um ataque nuclear em território russo, ele inicia um protocolo de verificação em cadeia:
- Solicita uma resposta do presidente e da cúpula militar.
- Caso não haja resposta, aciona a maleta nuclear Cheget.
- Persistindo o silêncio, busca autorização em centros de comando das Forças de Foguetes Estratégicos.
- Se todas as tentativas falharem, o sistema lança automaticamente mísseis equipados com códigos que ativam outros lançadores espalhados pelo país.
O nome “Mão Morta” reflete exatamente essa capacidade de agir mesmo quando os líderes do país já não estão vivos, garantindo uma retaliação devastadora contra qualquer agressor.
A Troca de Ameaças Entre Trump e Medvedev
A tensão recente começou quando Donald Trump exigiu que Moscou aceitasse um cessar-fogo na Ucrânia em dez dias, sob ameaça de novas sanções. Medvedev respondeu acusando os EUA de jogar um “jogo de ultimato” e insinuou risco de guerra.
A escalada verbal atingiu seu ápice quando o ex-presidente russo mencionou a “Mão Morta” em seu canal do Telegram, provocando irritação em Washington. Trump reagiu chamando Medvedev de “fracassado” e alertou que não toleraria ameaças.
Submarinos Nucleares em Movimento

Em entrevista à Newsmax, Trump confirmou que deslocou dois submarinos nucleares para áreas próximas à Rússia como medida de precaução. “Ele não deveria ter dito isso. Queremos sempre estar preparados”, afirmou o presidente americano, sugerindo que os EUA estão em estado de alerta máximo.
A movimentação indica que, apesar de décadas de dissuasão nuclear, a simples lembrança de sistemas como a “Mão Morta” ainda tem o poder de alterar a estratégia militar global. Para muitos especialistas, o episódio serve como lembrete de que, em um mundo armado com armas automáticas de destruição em massa, uma provocação verbal pode ter consequências imprevisíveis.
[ Fonte: G1.Globo ]