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Trump promete há meses que vai atacar a Venezuela “em breve” e amplia pressão militar e econômica sobre Caracas

Presidente dos EUA repete ameaças de incursões terrestres desde setembro, enquanto Washington reforça presença militar no Caribe e impõe bloqueio a petroleiros venezuelanos, elevando o nível de tensão na região.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem prometendo há meses que uma ação militar contra a Venezuela acontecerá “em breve”. Desde meados de setembro, ele insinuou ou declarou abertamente a possibilidade de um ataque em terra ao menos 17 vezes, segundo uma análise da CNN sobre discursos, entrevistas e eventos públicos do presidente.

Essa retórica não ficou restrita às palavras. Ao longo do período, os Estados Unidos promoveram uma ampla demonstração de força na região, com o envio de cerca de 15 mil soldados, mais de uma dúzia de navios de guerra e a realização de pelo menos 12 ataques contra embarcações suspeitas de envolvimento com o narcotráfico no Caribe.

Demonstração militar e bloqueio econômico

EUA enviam porta-aviões ao Caribe em nova escalada com a Venezuela
© https://x.com/isonmayu/

Na semana passada, Washington confiscou um petroleiro carregado de petróleo venezuelano próximo à costa do país. Poucos dias depois, Trump anunciou um “bloqueio total e completo” contra os navios-tanque sancionados que entram e saem da Venezuela, aprofundando a pressão econômica sobre Caracas.

O governo americano apresenta as operações marítimas como parte de um esforço para combater o tráfico de drogas e a migração ilegal. No entanto, as ações também evidenciam uma estratégia mais ampla de pressão direta contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

Segundo Susie Wiles, secretária-geral da Casa Branca, o verdadeiro objetivo da administração Trump é a destituição de Maduro. Em entrevista à revista Vanity Fair, Wiles afirmou que o presidente acredita que a escalada forçará o líder venezuelano a ceder. “Ele quer continuar explodindo barcos até que Maduro desista”, disse.

Opções militares sobre a mesa

De acordo com fontes da CNN, Trump foi informado por sua equipe sobre diferentes cenários para a Venezuela. As opções incluem ataques aéreos contra instalações militares ou governamentais estratégicas, ações contra rotas do narcotráfico e até tentativas mais diretas de remover Maduro do poder.

Embora ainda não tenha anunciado uma decisão final, Trump tem reiterado a possibilidade de incursões terrestres, muitas vezes de forma espontânea e em eventos sem relação direta com a política externa.

Em 15 de setembro, durante um evento sobre assistência federal às forças de segurança em Memphis, o presidente afirmou que os EUA também passariam a agir por terra. Poucos dias depois, discursando para militares a bordo do porta-aviões USS Harry S. Truman, em Norfolk, Trump declarou que, com o bloqueio marítimo, os adversários seriam forçados a usar rotas terrestres — e que isso “não iria funcionar”.

Repetição constante das ameaças

Trump sinaliza possível diálogo com Maduro em meio à tensão no Caribe
© https://x.com/eduardomenoni/

As declarações se intensificaram nas semanas seguintes. Em 22 de outubro, durante reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump afirmou que planejava “atacá-los com muita força quando chegarem por terra”. No dia seguinte, em uma mesa-redonda sobre segurança nacional, resumiu: “A terra será o próximo passo”.

Em entrevistas posteriores, o presidente passou a mencionar prazos cada vez mais curtos. A bordo do Air Force One, em 24 de outubro, falou em um cronograma “muito breve”. Em novembro, voltou ao tema em reuniões oficiais e até em conversas telefônicas com tropas americanas no Dia de Ação de Graças, quando disse que as operações terrestres começariam “muito em breve”.

No início de dezembro, Trump afirmou em reunião de gabinete que ataques em terra seriam “mais fáceis” do que ações marítimas. Nos dias seguintes, repetiu a promessa em entrevistas, eventos públicos e até em uma cerimônia no Centro Kennedy. Em alguns momentos, chegou a usar o presente do indicativo, sugerindo que as operações já estariam em andamento.

Pressão inédita e reação em Caracas

As ameaças ganharam uma nova dimensão nesta semana, quando Trump associou o bloqueio naval a exigências econômicas explícitas. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que a Venezuela está “completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul” e que a pressão só cessaria quando o país devolvesse aos Estados Unidos “o petróleo, as terras e outros bens” que, segundo ele, teriam sido roubados.

O conjunto de declarações e ações deixou o governo venezuelano em estado de alerta. Caracas se prepara para a possibilidade de que Trump cumpra as ameaças feitas repetidamente ao longo dos últimos meses, enquanto cresce a preocupação regional e internacional com os riscos de uma escalada militar de grandes proporções no Caribe e na América do Sul.

 

[ Fonte: CNN em Espanhol ]

 

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