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Trump diz que os dias de Maduro estão contados, mas evita falar em ação militar

Em entrevista à CBS, o presidente dos Estados Unidos afirmou acreditar que Nicolás Maduro está prestes a deixar o poder na Venezuela, mas evitou confirmar qualquer plano de intervenção. As declarações reacendem a tensão entre Washington e Caracas em meio ao aumento da presença militar americana no Caribe.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou neste domingo (2) acreditar que o regime de Nicolás Maduro na Venezuela “está chegando ao fim”. A afirmação foi feita durante entrevista ao programa 60 Minutes, da emissora CBS, e sinaliza uma nova escalada retórica na relação entre os dois países.

“Acho que sim”

Questionado se os dias de Maduro no poder estavam contados, Trump respondeu de forma direta: “Eu diria que sim. Acho que sim.”
No entanto, quando pressionado sobre uma possível ação militar em território venezuelano, o presidente preferiu não comentar. “Não vou dizer o que vou fazer com a Venezuela — se vou fazer ou não”, afirmou.

Trump também se recusou a confirmar relatos de ataques planejados dentro da Venezuela. “Não estou dizendo que é verdade ou mentira”, disse o republicano, mantendo o tom de ambiguidade estratégica que costuma adotar em questões de segurança nacional.

A entrevista foi repostada pelo perfil oficial da Casa Branca na rede social X (antigo Twitter), ampliando o alcance das declarações e gerando forte repercussão entre analistas de política externa.

A sombra da intervenção

Nas últimas semanas, Washington tem intensificado sua presença militar próxima à costa venezuelana, justificando a movimentação como parte de uma ofensiva contra o narcotráfico em águas internacionais.
Apesar disso, Trump afirmou que não acredita em uma guerra iminente. “Duvido. Não acho que vá acontecer”, disse, em tom de aparente moderação.

O governo dos Estados Unidos mantém sanções econômicas severas contra Caracas desde 2019, quando não reconheceu a reeleição de Maduro e passou a apoiar o então líder opositor Juan Guaidó. Desde então, as relações bilaterais se deterioraram, com sucessivos episódios de tensão diplomática e militar.

Maduro sob pressão

Nicolás Maduro enfrenta crescente isolamento internacional e uma crise interna marcada por inflação, escassez e denúncias de violações de direitos humanos. Embora siga no poder, seu governo enfrenta sanções de Washington, da União Europeia e de países latino-americanos, que acusam o regime de manipular eleições e reprimir opositores.

Ainda assim, Caracas mantém o apoio de aliados estratégicos como Rússia, China e Irã, que condenam o bloqueio econômico e defendem a soberania venezuelana. A Rússia, inclusive, já alertou os Estados Unidos contra qualquer tentativa de intervenção, classificando-a como “ato de agressão”.

Um tema de campanha

As declarações de Trump também têm impacto político interno. Com as eleições presidenciais americanas se aproximando, a Venezuela volta a ser tema de campanha, especialmente entre eleitores da Flórida — onde vive uma grande comunidade de exilados venezuelanos e cubanos.

Analistas apontam que a retórica contra Maduro pode servir para reforçar a imagem de Trump como líder firme diante de regimes autoritários, ao mesmo tempo em que evita comprometer-se com uma ação militar que poderia dividir o eleitorado.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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