O conflito entre Israel e Hamas voltou a escalar nesta segunda-feira (20), após o exército israelense realizar um dos bombardeios mais intensos desde o início da trégua em outubro. Segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mais de 150 toneladas de bombas foram lançadas sobre alvos em Gaza, em resposta à morte de dois soldados israelenses atribuída ao grupo palestino.
A retaliação israelense

Durante um discurso no Parlamento, Netanyahu declarou: “Ontem lançamos 153 toneladas de bombas sobre diferentes partes da Faixa de Gaza depois de que dois de nossos soldados foram assassinados pelo Hamas.” O ataque, segundo o exército, teve como objetivo “infraestruturas terroristas e posições de combate” no enclave palestino, especialmente na região de Rafah, no sul.
O anúncio veio um dia após as Forças de Defesa de Israel confirmarem a morte de dois militares durante confrontos na fronteira. Poucas horas depois, os bombardeios se intensificaram, atingindo áreas densamente povoadas e provocando novos deslocamentos internos de civis em Gaza.
Cessar-fogo e pressões internacionais
Apesar da ofensiva, o governo israelense afirmou ter retomado a aplicação do cessar-fogo acordado com o Hamas. O pacto, vigente desde 10 de outubro, havia sido negociado com mediação direta do presidente norte-americano Donald Trump, que tenta evitar uma nova escalada do conflito no Oriente Médio.
Hamas, por sua vez, negou qualquer responsabilidade pelos ataques que resultaram na morte dos soldados israelenses e reiterou seu compromisso com a trégua. “Estamos cumprindo o acordo de cessar-fogo e rejeitamos qualquer ato que possa comprometê-lo”, declarou um porta-voz do grupo em comunicado divulgado à imprensa local.
A retomada da trégua foi confirmada após reuniões de emergência entre representantes israelenses e enviados dos Estados Unidos. Segundo o governo de Israel, Steve Witkoff e Jared Kushner — ambos próximos ao ex-presidente Trump — se reuniram com Netanyahu em Jerusalém “para discutir os últimos acontecimentos e mecanismos de estabilidade na região”.
Reabertura de fronteiras e ajuda humanitária

Em meio à tensão, uma fonte de segurança israelense confirmou a reabertura do ponto de passagem de Kerem Shalom, entre Israel e Gaza. O corredor, usado para a entrada de ajuda humanitária, havia sido fechado no domingo por motivos de segurança, interrompendo o fluxo de alimentos, medicamentos e combustível para a população local.
A reabertura ocorre sob forte vigilância militar e com o apoio logístico de agências internacionais. Segundo autoridades israelenses, a medida visa garantir o “equilíbrio humanitário” no enclave palestino, onde os serviços essenciais continuam colapsados após meses de conflito.
Um frágil equilíbrio
Embora o governo israelense tenha reafirmado seu compromisso com a trégua, a magnitude dos ataques deste fim de semana reacendeu o temor de uma nova espiral de violência. Analistas apontam que, mesmo com o envolvimento direto dos Estados Unidos, o cessar-fogo permanece extremamente frágil.
A Faixa de Gaza vive sob bloqueio há mais de 15 anos, e cada ruptura na trégua aprofunda a crise humanitária. Para muitos observadores, a situação atual reflete um impasse político e militar que nem Israel nem o Hamas parecem capazes de resolver a curto prazo.
Enquanto diplomatas tentam reativar os canais de diálogo, civis dos dois lados continuam pagando o preço mais alto do conflito — um lembrete de que, mesmo sob trégua, a paz na região ainda parece distante.
[ Fonte: DW ]