A inteligência artificial ganhou espaço importante na agenda política dos Estados Unidos nas últimas semanas. O presidente Donald Trump recebeu o líder chinês Xi Jinping em Washington e também esteve próximo de alguns dos principais executivos responsáveis pelo desenvolvimento da tecnologia.
Mas uma das propostas que mais chamou atenção não envolveu novos limites técnicos ou regras internacionais. Trump passou a defender uma mudança no próprio nome da inteligência artificial.
Segundo o presidente americano, a expressão deveria ser substituída por “Super Intelligence”, ou simplesmente “SI”. Trump argumenta que a palavra “artificial” transmite a impressão de algo falso e afirmou que a nova denominação deverá aparecer em documentos do governo americano.
Trump diz que IA não precisa de novos “guardrails”
A mudança de nome acontece em meio a uma discussão muito mais ampla sobre os riscos de sistemas avançados de inteligência artificial.
Em uma publicação no Truth Social em 14 de setembro, Trump afirmou que o principal controle necessário para a tecnologia seria um presidente “forte e inteligente”, sinalizando resistência à criação de novas barreiras que possam desacelerar o desenvolvimento americano.
A posição está relacionada à competição tecnológica com a China. Trump tem argumentado que restrições excessivas poderiam prejudicar empresas americanas e permitir que Pequim avance mais rapidamente.
Ao mesmo tempo, integrantes da indústria e pesquisadores vêm defendendo diferentes formas de avaliação e controle para modelos cada vez mais poderosos.
A própria administração Trump adotou algumas medidas nessa direção. Uma ordem executiva assinada neste ano permite que empresas submetam voluntariamente novos modelos avançados ao governo federal para avaliação antes do lançamento público.
Xi Jinping adotou um discurso diferente
A inteligência artificial também esteve na agenda da visita de Xi Jinping aos Estados Unidos, embora os dois governos não tenham divulgado detalhes de possíveis acordos específicos sobre o tema.
Durante sua passagem por Washington, Xi afirmou que Estados Unidos e China possuem capacidade e responsabilidade para desenvolver e administrar a IA de maneira benéfica, defendendo que a tecnologia permaneça sob controle humano.
Antes da reunião entre os dois líderes, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que autoridades dos dois países já discutiam inteligência artificial. Também foi mencionada a possibilidade de estabelecer mecanismos de comunicação relacionados a incidentes envolvendo a tecnologia e segurança nacional.
Por enquanto, porém, não foi anunciado um acordo abrangente entre Washington e Pequim sobre segurança de IA.
Trump ainda pretende nomear um novo “czar da IA”
Outra questão em aberto é quem coordenará a política de inteligência artificial dentro da administração americana.
Trump anunciou que pretende nomear um responsável para a área e criar uma força-tarefa dedicada à tecnologia. David Sacks havia ocupado uma função de destaque na política de IA do governo, mas deixou seu cargo após atingir o limite de tempo permitido para um Special Government Employee.
O nome do secretário do Tesouro, Scott Bessent, chegou a circular como possível candidato para assumir uma função de coordenação, mas Trump negou publicamente essa possibilidade.
Enquanto isso, a estratégia do governo continua concentrada em acelerar o desenvolvimento tecnológico americano sem estabelecer regras que, na visão da administração, prejudiquem a capacidade dos Estados Unidos de competir com a China.
Um novo evento colocará IA novamente no centro da agenda
Trump participará na próxima terça-feira de um grande evento tecnológico em Washington que reunirá autoridades e executivos do setor.
Entre os convidados anunciados estão Elon Musk, CEO da SpaceX, Jensen Huang, CEO da Nvidia, além de representantes de empresas como Anthropic e Palantir. O evento também terá painéis dedicados a inteligência artificial, energia e espaço.
Na ocasião, o governo pretende apresentar o America.gov, uma nova plataforma concebida como uma porta de entrada centralizada para cidadãos acessarem informações e serviços atualmente espalhados por diferentes sites federais.
A iniciativa mostra que a inteligência artificial continuará ocupando uma posição central na estratégia tecnológica da Casa Branca. O debate que permanece aberto é como equilibrar essa corrida por desenvolvimento com mecanismos de segurança — especialmente enquanto Estados Unidos e China disputam a liderança de uma tecnologia com impacto econômico e geopolítico cada vez maior.