Suspensão atinge residência, cidadania e cerimônias de naturalização
Segundo um memorando obtido pela CBS, o governo ordenou a suspensão imediata de todos os processos migratórios relacionados a esses países. Isso inclui aprovações, negações, entrevistas e até cerimônias de juramento, etapa final para quem busca a cidadania americana.
O Serviço de Cidadania e Imigração vai realizar uma revisão completa dos solicitantes, analisando riscos à segurança nacional, possíveis vínculos com grupos extremistas e qualquer fator de inadmissibilidade. A paralisação também vale para pedidos de asilo e para revisões de green cards já em andamento.
Entre os países afetados estão Afeganistão, Chade, Iêmen, Laos, Líbia, Mianmar, Sudão, Somália, Togo e Turcomenistão — além dos latino-americanos Cuba, Venezuela e Haiti.
Ataque recente intensificou pressão política

A Casa Branca justificou a medida citando o ataque da semana passada em Washington, que matou um membro da Guarda Nacional. O acusado, Rahmanullah Lakanwal, é um afegão que entrou nos EUA em 2021 por um programa especial para colaboradores das forças americanas no Afeganistão.
O caso intensificou o discurso de Trump, que já havia sinalizado restrições adicionais desde o início do mandato. “A cidadania é um privilégio, não um direito”, afirmou Matthew Tragesser, porta-voz do Serviço de Imigração, ao New York Times.
Advogados relataram que clientes da Venezuela, do Irã e do Afeganistão tiveram suas entrevistas de cidadania canceladas esta semana — um sinal de que a suspensão já está em operação.
Discurso hostil contra somalis gera reação
Na reunião de gabinete transmitida pela TV, Trump endureceu ainda mais o tom ao afirmar que não quer imigrantes somalis nos EUA. Ele disse que “o país deles não serve para nada” e que “os EUA estão indo pelo caminho errado ao permitir a entrada dessas pessoas”.
As declarações provocaram forte reação em Minnesota, onde vive a maior comunidade somali dos EUA. Autoridades locais alertam que operações policiais planejadas podem atingir injustamente cidadãos americanos que “parecem somalis”, reforçando temores de discriminação racial.
Endurecimento crescente desde janeiro
Desde que reassumiu a Presidência, Trump assinou ordens executivas para barrar estrangeiros considerados risco de terrorismo e determinou o envio de agentes federais às principais cidades para acelerar deportações.
A nova suspensão amplia esse movimento, atingindo milhares de pessoas que já estavam em fase final de seus processos — muitos esperando há anos por uma decisão.
Nos próximos meses, o impacto político e diplomático deve crescer: a medida alimenta tensões internacionais, afeta comunidades inteiras e reforça um clima de incerteza entre imigrantes. Resta ver até onde o governo pretende ir e como o Congresso e a Justiça vão reagir.
[Fonte: Correio Braziliense]