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Ciência

Um comprimido, muitos mitos: o que realmente acontece quando mulheres tomam Tadalafila?

A busca por soluções rápidas tem levado muitas mulheres brasileiras a investigar o uso de um medicamento indicado para homens com disfunção erétil. Mas será que ele funciona para elas? Médicos explicam os riscos, os mitos populares e por que a automedicação pode ser um caminho perigoso.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Na internet, especialmente nas redes sociais, a Tadalafila — remédio indicado para disfunção erétil masculina — virou febre. Vídeos sugerem que ele pode aumentar o desempenho em treinos ou estimular a libido feminina. Resultado? O Brasil se tornou o país com mais buscas no Google sobre o medicamento, e a maioria das perguntas vem de mulheres. Mas o que dizem os especialistas? Nesta reportagem, esclarecemos as dúvidas mais comuns.

Tadalafila: o que é e por que viralizou

A Tadalafila é um vasodilatador utilizado principalmente para tratar a disfunção erétil. Seu efeito ocorre ao aumentar o fluxo de sangue nos corpos cavernosos do pênis, permitindo a ereção. Apesar de sua eficácia nesse contexto masculino, nenhum estudo comprova benefícios semelhantes para mulheres. Ainda assim, influenciadoras e “coachs” fitness vêm promovendo seu uso com promessas de ganho de performance e libido.

Em 2024, o Brasil bateu recorde de vendas do medicamento, com 64 milhões de unidades comercializadas. O aumento, segundo médicos, está longe de refletir apenas o diagnóstico real de disfunção erétil, e sim um fenômeno alimentado por desinformação online.

O que acontece se mulheres tomarem Tadalafila?

Segundo ginecologistas, como Marcelo Steiner e Mariane Nadai, não há nenhuma indicação médica para que mulheres usem Tadalafila. O remédio não foi testado com segurança para o público feminino, e automedicar-se pode trazer riscos como dor de cabeça, desconforto gastrointestinal, alterações de pressão e até eventos cardiovasculares graves.

Estudos chegaram a avaliar a substância em mulheres, visando melhorar a sensibilidade do clitóris ou o desempenho sexual, mas os resultados foram inconclusivos. A sexualidade feminina é multifatorial, envolvendo hormônios, aspectos emocionais e físicos que não são influenciados por esse medicamento.

A ilusão do desempenho físico

Outro mito comum nas redes sociais é que a Tadalafila melhora o rendimento nos treinos. Por ser um vasodilatador, foi associada ao aumento da oxigenação dos músculos. Mas, de acordo com especialistas em medicina esportiva, como Carlos Eduardo Viterbo, não há evidência de melhora de performance. Ele alerta que a substância vem sendo usada em combinação com esteroides, o que agrava ainda mais os riscos.

A saúde feminina exige soluções reais

A busca por uma solução rápida para questões sexuais ou de autoestima não deve passar pela automedicação. Problemas de libido ou disfunção sexual em mulheres envolvem múltiplas causas — hormonais, psicológicas e físicas — e precisam de avaliação médica.

Mais do que promessas fáceis, o que as mulheres precisam é de acesso justo a diagnósticos, tratamentos específicos e informações confiáveis. O remédio que funciona para o corpo masculino pode não só ser inútil, mas perigoso para o feminino. E é hora de tratar esse tema com mais responsabilidade.

Fonte: O Globo 

 

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