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Tecnologia

Um novo tipo de andador promete mais mobilidade e pode detectar situações perigosas

Um novo dispositivo promete tornar a caminhada mais confortável e ainda acompanhar sinais importantes do usuário. Os primeiros testes revelaram resultados que chamaram a atenção.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Um andador normalmente representa segurança, estabilidade e apoio para quem enfrenta dificuldades de equilíbrio. Mas e se ele também pudesse ajudar o usuário a caminhar com menos esforço, registrar sinais do corpo e avisar alguém quando algo parece estar errado? Essa é a proposta de um novo dispositivo desenvolvido para idosos. Em um pequeno estudo, o equipamento apresentou resultados promissores, embora ainda existam dúvidas importantes sobre seu desempenho fora de ambientes controlados.

Um desenho diferente muda a experiência de caminhar

O equipamento foi avaliado em um ensaio clínico randomizado do tipo cruzado publicado na revista JMIR Aging. Participaram 30 adultos entre 65 e 80 anos que apresentavam dificuldades leves de equilíbrio, mas ainda conseguiam caminhar e realizar suas atividades cotidianas de forma independente.

Cada voluntário utilizou tanto o novo andador quanto um modelo convencional. A ordem foi alternada entre os participantes, permitindo comparar os resultados e reduzir diferenças individuais.

A principal surpresa apareceu na velocidade. Com o equipamento tradicional, a média foi de 18,14 metros por minuto. Já com o novo modelo, chegou a 28,77 metros por minuto, uma diferença próxima de 60%.

O esforço físico também caiu consideravelmente. O chamado índice de custo fisiológico, que relaciona a frequência cardíaca ao ritmo da caminhada, passou de 0,69 batimento por metro no andador convencional para 0,36 no novo equipamento.

Curiosamente, aumentar a velocidade nem sequer era o principal objetivo da pesquisa. Os pesquisadores queriam descobrir se o novo design permitiria que os usuários se deslocassem gastando menos energia fisiológica.

Parte da explicação pode estar justamente na estrutura do aparelho. Ele pesa cerca de 6,9 quilos, possui quatro rodas multidirecionais, altura ajustável, assento e freios manuais. A maior facilidade para realizar curvas e uma posição mais confortável dos braços podem ter contribuído para os resultados.

A tecnologia entra em cena quando o usuário mais precisa

Apesar do nome “inteligente”, o dispositivo não é um andador motorizado. Ele não empurra o usuário nem decide para onde ele deve ir. Sua tecnologia está concentrada principalmente no monitoramento.

Sensores acompanham continuamente a frequência cardíaca e a saturação de oxigênio, enquanto uma pequena tela permite visualizar essas informações. Os dados podem ser úteis tanto para o próprio usuário quanto para profissionais responsáveis pelo acompanhamento.

Existe, porém, uma limitação importante: o estudo avaliou o aparelho como um conjunto. Portanto, não é possível determinar exatamente quanto da melhora veio das rodas, da ergonomia e da estrutura física e quanto pode ser atribuído aos componentes eletrônicos.

Outra função chama ainda mais atenção. O equipamento possui um sensor capaz de identificar sua inclinação. Quando ela ultrapassa 30 graus, o sistema pode emitir um alerta sonoro de 90 decibéis e enviar uma notificação automaticamente para familiares ou cuidadores cadastrados por SMS ou pelo aplicativo LINE.

Em testes com um manequim, o mecanismo identificou corretamente 96% dos eventos analisados em 30 tentativas. É um resultado expressivo, mas ainda restrito a uma situação controlada.

Na prática, uma queda dentro de uma casa, na calçada ou em outro ambiente imprevisível envolve muito mais variáveis. Por isso, os pesquisadores ainda precisam verificar se a tecnologia manterá o mesmo desempenho quando for utilizada por pessoas reais durante longos períodos.

O resultado é promissor, mas ainda não significa mais segurança

Os participantes também realizaram um teste de equilíbrio dinâmico que envolvia levantar-se, caminhar, fazer uma curva e voltar a sentar. O tempo médio caiu de 64,47 segundos com o andador convencional para 50,06 segundos com o novo modelo.

Mas nem todos os indicadores melhoraram. O estudo não encontrou uma diferença significativa no medo que os participantes tinham de cair.

Esse detalhe é importante porque uma melhora física não significa automaticamente que a pessoa se sentirá mais segura ou independente.

Além disso, a pesquisa envolveu apenas 30 voluntários e avaliou o dispositivo em uma única sessão supervisionada. Ainda não há evidências suficientes para afirmar que ele reduzirá quedas ao longo de meses de uso ou que os alertas funcionarão com a mesma eficiência em ambientes domésticos.

Por enquanto, os resultados indicam que combinar um design mais manobrável com sensores pode facilitar a caminhada e diminuir o esforço imediato. O verdadeiro teste, entretanto, será descobrir se essa vantagem permanece no cotidiano — e se consegue transformar um simples apoio para caminhar em uma ferramenta capaz de oferecer mais autonomia e segurança aos idosos.

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