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O Brasil está testando uma máquina que sobe até o limite do espaço e depois volta para a Terra

Uma plataforma brasileira pretende levar experimentos a cerca de 100 quilômetros de altitude, submetê-los à microgravidade e, depois, trazê-los intactos de volta para serem estudados pelos cientistas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Fazer ciência no espaço normalmente envolve foguetes caros, satélites e equipamentos que nunca retornam à Terra. O Brasil está testando uma alternativa diferente. Uma plataforma suborbital foi projetada para transportar centenas de quilos até aproximadamente 100 quilômetros de altitude, criar alguns minutos de condições próximas à ausência de peso e depois retornar usando paraquedas. Se funcionar como planejado, poderá abrir novas possibilidades para pesquisadores brasileiros.

O experimento está acontecendo em um lugar histórico

O Brasil está testando uma máquina que sobe até o limite do espaço e depois volta para a Terra
© YouTube

A nova etapa faz parte da Operação Potiguar 2, realizada até 19 de setembro no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, o CLBI, localizado em Parnamirim, no Rio Grande do Norte.

O local ocupa uma posição importante na história espacial brasileira.

Inaugurado em 1965, foi o primeiro centro de lançamentos espaciais da América do Sul. Segundo dados citados pela Prensa Latina, já participou de mais de 400 lançamentos e acompanhou mais de 3 mil veículos ao longo de sua história.

Agora, suas instalações estão sendo utilizadas para testar um sistema que pode ampliar a capacidade brasileira de realizar experimentos em microgravidade.

A protagonista é a chamada Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável.

E a palavra mais importante nesse nome talvez seja justamente a última.

A ideia não é apenas subir: é conseguir voltar

Experimentos espaciais podem produzir informações extremamente valiosas. Mas, dependendo da missão, recuperar fisicamente o material depois do voo representa uma vantagem enorme.

É justamente isso que o Brasil pretende testar.

A plataforma será equipada com um sistema de recuperação que inclui paraquedas. Depois de atingir a altitude planejada e completar a fase experimental, deverá retornar à superfície.

Os cientistas poderão então recuperar equipamentos, amostras e informações armazenadas durante a missão.

Essa possibilidade permite estudar diretamente materiais que passaram por condições de microgravidade, além de verificar o desempenho dos próprios instrumentos utilizados durante o voo.

A Operação Potiguar 2 concentra seus esforços justamente nessa etapa de recuperação.

Um foguete de nove metros levará 401 quilos em direção ao espaço

O Brasil está testando uma máquina que sobe até o limite do espaço e depois volta para a Terra
© YouTube

Para realizar o voo, será utilizado o VS-30 V16, veículo de sondagem desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço.

O foguete possui aproximadamente nove metros de comprimento, 60 centímetros de diâmetro e massa próxima de 1,6 tonelada.

As simulações indicam que ele deverá alcançar cerca de 100 quilômetros de altitude.

A carga útil terá aproximadamente 401 quilos.

Dentro dela estarão sistemas necessários para o funcionamento da plataforma, equipamentos de recuperação e módulos destinados aos experimentos científicos.

Durante a operação, sistemas de telemetria e rastreamento acompanharão o veículo.

Depois do retorno, os pesquisadores poderão comparar aquilo que aconteceu durante o voo com as previsões feitas anteriormente.

Por alguns minutos, a gravidade parece praticamente desaparecer

O objetivo de alcançar essa altitude não é simplesmente chegar perto do espaço.

É criar condições de microgravidade.

Isso acontece durante a trajetória suborbital quando a carga entra em queda livre. Embora a gravidade terrestre continue atuando sobre ela, tudo dentro da plataforma cai simultaneamente.

Para os experimentos, o efeito é semelhante à ausência de peso.

Esses poucos minutos podem ser extremamente úteis.

Sem a influência dominante da gravidade, determinados fenômenos físicos e biológicos passam a se comportar de maneiras diferentes das observadas em laboratórios terrestres.

É justamente essa diferença que interessa aos pesquisadores.

De medicamentos a novos materiais, existem muitas coisas para testar

As possíveis aplicações são bastante variadas.

A ciência dos materiais pode utilizar a microgravidade para investigar como diferentes substâncias se misturam, solidificam ou formam estruturas quando a convecção e a sedimentação provocadas pela gravidade são reduzidas.

A dinâmica dos fluidos também muda profundamente.

Líquidos deixam de se comportar da maneira familiar observada na Terra, permitindo estudar fenômenos difíceis de isolar em condições normais.

Experimentos envolvendo combustão são outro exemplo, já que as chamas assumem características diferentes em microgravidade.

Biologia, desenvolvimento de medicamentos e agricultura espacial também aparecem entre as áreas potencialmente beneficiadas.

Os resultados podem servir tanto para futuras atividades no espaço quanto para aplicações terrestres.

Este teste começou, na realidade, há dois anos

A operação atual é uma continuação de um programa anterior.

Em 2024, a Operação Potiguar 1 concentrou-se principalmente na verificação dos procedimentos e dos sistemas relacionados ao lançamento.

Agora, a segunda fase avança para uma tarefa mais complexa: demonstrar que a carga científica pode não apenas ser enviada, mas também recuperada.

O projeto está relacionado ao Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira, responsável pela seleção de experimentos científicos e tecnológicos destinados a missões suborbitais e orbitais.

Se a tecnologia funcionar de maneira confiável, futuras campanhas poderão transportar experimentos desenvolvidos por universidades e instituições de pesquisa.

O objetivo não é competir com a Estação Espacial Internacional

Uma plataforma suborbital não oferece as mesmas condições de uma estação espacial.

A principal diferença é o tempo.

Na Estação Espacial Internacional, um experimento pode permanecer semanas ou meses em microgravidade. Em um voo suborbital, essa janela dura apenas alguns minutos.

Mas existe uma vantagem importante: simplicidade relativa.

Nem todo experimento precisa permanecer meses no espaço para produzir resultados úteis.

Para determinadas pesquisas, alguns minutos podem ser suficientes para observar processos específicos e testar equipamentos.

Além disso, poder recuperar rapidamente a carga permite que cientistas examinem diretamente o material depois da experiência.

A parte mais importante do voo pode acontecer quando tudo estiver caindo

Foguetes costumam chamar atenção pelo momento em que deixam o solo.

Neste projeto brasileiro, porém, o sucesso será medido principalmente pelo que acontecer depois da subida.

A plataforma precisará atravessar sua trajetória, executar os experimentos, sobreviver às condições do voo e retornar de maneira que sua carga possa ser recuperada e estudada.

Se isso funcionar, o Brasil terá avançado na construção de uma ferramenta própria para realizar pesquisas em um ambiente impossível de reproduzir perfeitamente na superfície.

A viagem pode durar apenas alguns minutos.

Mas, para os experimentos que estiverem dentro dela, serão alguns minutos em um mundo onde uma das forças mais familiares da Terra parece praticamente desaparecer.

[Fonte: prensa latina]

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