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Ciência

Uma bactéria encontrada na boca dos cães preocupa especialistas — saiba quando ela pode ser perigosa

Um comportamento frequente entre cães e tutores pode facilitar a transmissão de microrganismos. Especialistas explicam quando existe risco e quais cuidados ajudam a proteger a família.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quem tem cachorro conhece bem a cena: o animal se aproxima, abana o rabo e começa a distribuir lambidas como demonstração de afeto. Para muitos tutores, esse comportamento é tão natural que dificilmente desperta preocupação. Entretanto, veterinários chamam atenção para um detalhe pouco considerado nessa interação. Mesmo animais saudáveis podem carregar microrganismos capazes de provocar infecções em determinadas circunstâncias. Isso não significa que seja necessário evitar o carinho, mas alguns hábitos merecem ser repensados.

Por que deixar o cachorro lamber seu rosto pode representar um risco?

Permitir que um cachorro lamba o rosto, especialmente a região da boca, é um costume bastante comum entre pessoas que convivem com animais de estimação.

Embora a maioria desses contatos não provoque problemas de saúde, especialistas alertam que a saliva canina não é livre de microrganismos.

O veterinário Israel Pérez explica que determinadas bactérias presentes na boca dos animais podem ser transmitidas aos seres humanos em situações específicas.

Assim como acontece conosco, os cães possuem uma comunidade natural de bactérias na cavidade oral.

Entretanto, seus hábitos cotidianos aumentam o contato com diferentes fontes de contaminação.

Cachorros exploram ambientes com o focinho, lambem partes do próprio corpo e podem entrar em contato com terra, restos de alimentos e até fezes.

Consequentemente, sua saliva pode transportar microrganismos que não necessariamente causam doenças no animal, mas que representam riscos para algumas pessoas.

A preocupação aumenta quando essa saliva entra em contato com feridas abertas ou mucosas, como as da boca e do nariz.

Isso não significa que receber uma lambida provoque automaticamente uma infecção.

O risco depende de fatores como o microrganismo envolvido, a forma de exposição e as condições de saúde da pessoa.

E existe uma bactéria específica que merece atenção.

Uma bactéria presente na boca dos cães pode causar infecções graves

Entre os microrganismos encontrados naturalmente na boca de cães e gatos estão bactérias do gênero Capnocytophaga.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), algumas espécies desse grupo podem provocar infecções em seres humanos.

A transmissão pode ocorrer especialmente quando a saliva entra em contato com uma ferida, inclusive após mordidas ou arranhões contaminados.

Na maioria das pessoas saudáveis, o contato com esses animais não resulta em complicações.

Entretanto, em situações raras, a infecção pode evoluir rapidamente e provocar problemas graves.

Entre as possíveis complicações está a sepse, uma resposta potencialmente fatal do organismo a uma infecção.

O risco é particularmente importante para pessoas com determinadas condições de saúde.

Indivíduos com o sistema imunológico enfraquecido, pessoas sem baço e pacientes com algumas doenças apresentam maior vulnerabilidade.

É importante destacar que infecções graves por Capnocytophaga são raras e que a presença dessas bactérias na boca de um cachorro não significa que o animal esteja doente.

Ainda assim, conhecer os mecanismos de transmissão ajuda a evitar exposições desnecessárias.

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© Magnific

Crianças pequenas e pessoas com baixa imunidade precisam de cuidados adicionais

Embora qualquer pessoa possa adotar medidas básicas de higiene, alguns grupos merecem atenção especial.

Entre eles estão crianças pequenas, adultos mais velhos com maior vulnerabilidade e pessoas imunocomprometidas.

No caso das crianças, a supervisão é importante porque elas podem aproximar o rosto do animal, colocar as mãos na boca ou não compreender os limites de uma interação segura.

Os especialistas recomendam evitar que cães lambam diretamente a boca, o nariz e, principalmente, regiões com ferimentos.

Também é aconselhável lavar as mãos depois de recolher fezes, manipular objetos sujos ou limpar áreas utilizadas pelos animais.

Caso ocorra uma mordida ou contato de saliva com uma ferida, a região deve ser lavada com água e sabão.

Dependendo da situação, pode ser necessária avaliação médica, especialmente em pessoas mais vulneráveis ou quando surgirem sinais de infecção.

Esses cuidados são simples e não exigem reduzir a convivência com o cachorro.

É possível demonstrar carinho sem receber lambidas no rosto

Os veterinários ressaltam que a recomendação não é afastar os animais de seus tutores.

A convivência com cães oferece oportunidades de companhia, interação e fortalecimento dos vínculos afetivos.

Entretanto, existem muitas maneiras de demonstrar carinho sem permitir contato direto da saliva com o rosto.

Carícias, brincadeiras, passeios e momentos de atenção são alternativas que ajudam a manter essa proximidade.

Também é importante realizar consultas veterinárias periódicas, manter a vacinação atualizada e cuidar da higiene do animal e do ambiente.

Essas medidas contribuem para a saúde do cachorro e das pessoas que convivem com ele, embora não eliminem todos os microrganismos naturalmente presentes em sua boca.

O ponto central é compreender que até um animal aparentemente saudável pode transportar bactérias capazes de causar doenças em determinadas circunstâncias.

Para a maioria das pessoas, conviver com cães continua sendo seguro. O segredo está em combinar afeto com cuidados básicos de higiene.

Afinal, proteger a saúde não significa demonstrar menos amor pelo cachorro, mas encontrar maneiras de manter essa relação próxima e segura para todos.

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