É comum olhar para uma pinta e, de repente, se perguntar se ela sempre teve aquela cor, tamanho ou formato. Na enorme maioria das vezes, essas marcas são benignas e nunca causarão problemas. Ainda assim, dermatologistas recomendam atenção quando algo começa a mudar. Isso acontece porque o melanoma pode surgir tanto em uma pinta existente quanto como uma nova lesão, tornando a comparação com o aspecto habitual da pele uma ferramenta importante.
O que importa não é apenas como a pinta parece hoje, mas se ela mudou
As pintas, também chamadas de nevos, são formadas por concentrações de melanócitos, as células responsáveis pela produção de melanina.
Uma pinta comum tende a apresentar algumas características relativamente previsíveis: formato redondo ou oval, certa simetria, coloração uniforme e bordas bem definidas.
Muitas aparecem durante a infância ou juventude e permanecem praticamente inalteradas durante anos.
É justamente essa estabilidade que torna uma mudança mais relevante.
Para ajudar a identificar lesões que merecem avaliação profissional, dermatologistas utilizam uma ferramenta conhecida como regra ABCDE.
O A representa assimetria: uma metade da lesão apresenta aparência diferente da outra.
O B corresponde às bordas, especialmente quando são irregulares, pouco definidas ou recortadas.
O C indica alterações de cor ou presença de diferentes tonalidades dentro da mesma lesão.
O D lembra o diâmetro. Muitos melanomas apresentam mais de 6 milímetros, embora lesões menores também possam ser melanoma.
Por fim, o E significa evolução — e talvez seja o critério que mais merece atenção no cotidiano.
Uma pinta que começa a crescer, muda de formato ou apresenta novas cores pode justificar uma consulta mesmo que não reúna todas as outras características da regra.
A lógica é simples: quando uma marca que permanecia estável começa a se comportar de maneira diferente, essa transformação fornece uma informação importante.
The National Cancer Plan includes moves to crack down on illegal sunbed use to protect young people from skin cancer.
Read more about how we're helping to prevent cancer.
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— NHS England (@NHSEngland) February 11, 2026
Existe outra pista simples: procurar a pinta que não se parece com nenhuma das outras
Nem toda lesão suspeita encaixa perfeitamente na regra ABCDE.
Por isso, dermatologistas também utilizam um conceito conhecido como sinal do “patinho feio”.
As pintas de uma mesma pessoa frequentemente compartilham determinadas características. Algumas pessoas têm várias pequenas e claras; outras apresentam marcas maiores ou naturalmente mais escuras.
Quando uma delas parece completamente diferente das demais, vale prestar atenção.
Pode ser uma lesão mais escura, maior, com formato incomum ou simplesmente algo que, visualmente, parece não pertencer ao mesmo padrão.
Isso não significa automaticamente melanoma. Serve como uma indicação de que aquela região pode merecer avaliação mais cuidadosa.
Outros sinais também podem aparecer.
Embora muitos melanomas não provoquem qualquer sensação, algumas lesões podem começar a coçar, doer, sangrar ou formar crostas.
Também é importante abandonar a ideia de que melanoma sempre parece uma pinta escura tradicional. Algumas formas podem ser rosadas ou avermelhadas, surgir sob uma unha ou lembrar uma ferida que não cicatriza.
A mudança que merece atenção pode estar em uma região que quase nunca observamos
Observar a própria pele periodicamente pode ajudar a perceber transformações, mas isso não significa olhar apenas braços, rosto e outras áreas frequentemente expostas ao sol.
Lesões também podem aparecer em regiões menos óbvias, incluindo costas, couro cabeludo, palmas das mãos, plantas dos pés e espaços entre os dedos.
Fotografias feitas ao longo do tempo também podem facilitar a comparação de uma pinta específica, embora não substituam uma avaliação médica quando existe alguma alteração preocupante.
Quando uma lesão é nova, diferente das demais ou está mudando, um dermatologista pode examiná-la com recursos como a dermatoscopia e determinar se há necessidade de investigação adicional.
A mensagem não é que qualquer mudança signifique câncer.
A maioria das pintas é benigna e nunca se transforma em melanoma.
Uma pinta que muda de tamanho, formato ou cor — ou passa a coçar, sangrar ou se comportar de maneira diferente — merece atenção e pode justificar a avaliação dermatológica.
Conhecer o padrão normal da própria pele torna essas diferenças muito mais fáceis de perceber.