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Ciência

Você guardou o protetor solar do verão passado? Veja o que realmente importa antes de reaproveitá-lo

Aquele frasco esquecido no armário pode parecer perfeitamente normal, mas alguns detalhes escondidos na embalagem e no histórico do produto podem mudar completamente a resposta.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O calor voltou, a praia está novamente nos planos e, no fundo de uma gaveta, aparece um velho conhecido: o protetor solar que sobrou do último verão. A embalagem ainda está cheia, a textura parece normal e a tentação de economizar é grande. Mas será que ele continua oferecendo a proteção indicada no rótulo? A resposta depende de algo que aconteceu com o produto durante os meses em que ficou guardado.

Antes de tudo, existe uma data que não está ali por acaso

A primeira coisa a fazer é olhar atentamente para a embalagem. A data de validade é o indicador mais importante para saber se o produto ainda deve ser utilizado.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a FDA determina que os protetores solares vendidos no país tenham uma data de vencimento, exceto quando o fabricante consegue demonstrar que o produto permanece estável por pelo menos três anos. Quando não existe uma data indicada, a recomendação é considerar o protetor vencido três anos depois da compra.

Em outros mercados, também aparece com frequência o símbolo de um pequeno pote aberto acompanhado de uma indicação como “12M”. Esse símbolo, conhecido como PAO, informa por quanto tempo o fabricante recomenda utilizar o produto depois que a embalagem foi aberta.

É uma diferença importante. Um protetor pode ainda estar dentro da validade, mas ter passado muitos meses aberto. Por isso, não basta simplesmente olhar para o calendário.

A Academia Americana de Dermatologia recomenda descartar o produto quando a data de vencimento já passou. O motivo é simples: os componentes responsáveis pela proteção contra a radiação ultravioleta podem sofrer alterações ao longo do tempo.

Mas existe uma variável ainda mais importante — e ela pode fazer um protetor envelhecer muito antes do esperado.

O lugar onde você guardou o protetor pode ser mais importante do que parece

Imagine dois frascos exatamente iguais. Um passou meses em um armário fresco e protegido da luz. O outro ficou esquecido dentro do carro durante o verão, enfrentando temperaturas extremamente elevadas.

Embora tenham a mesma idade, eles não necessariamente estão nas mesmas condições.

O calor excessivo pode acelerar a degradação dos componentes do protetor solar. Por isso, deixar o produto dentro de um automóvel quente, exposto diretamente ao sol ou submetido repetidamente a temperaturas elevadas não é uma boa ideia.

Também existem sinais visíveis que merecem atenção. Mudanças no cheiro ou na cor, separação dos componentes, textura diferente da original e uma consistência excessivamente líquida, seca ou cheia de grumos são motivos suficientes para não arriscar.

Ainda assim, há uma descoberta curiosa sobre protetores que atravessaram mais de uma temporada.

A organização francesa de consumidores Que Choisir testou oito produtos submetidos a condições que simulavam diferentes situações de uso e armazenamento. Depois de aproximadamente 14 meses, seis deles ainda mantinham suas características de proteção contra raios UVA e UVB.

O resultado é interessante, mas não significa que qualquer protetor antigo esteja seguro. Foram analisados apenas oito produtos, uma amostra pequena demais para transformar o resultado em uma regra geral.

Existe ainda um ingrediente que chama atenção dos pesquisadores

Outro ponto levantado pelos testes envolve os protetores solares que contêm octocrileno.

A Que Choisir recomenda cautela com esses produtos quando se pretende reutilizá-los na temporada seguinte. Uma pesquisa publicada na revista Chemical Research in Toxicology observou que o octocrileno pode se degradar e formar benzofenona, além de ter encontrado aumento dessa substância em produtos submetidos a processos de envelhecimento acelerado.

Isso não significa que todo protetor contendo esse filtro se torne automaticamente perigoso. O ponto principal é que a composição e a estabilidade do produto podem mudar com o tempo, especialmente quando ele é exposto a condições inadequadas.

Por isso, a decisão mais segura não deve depender apenas de uma inspeção rápida no espelho ou de uma sensação de que “ainda parece bom”.

Se o protetor passou da validade, você não sabe quando o comprou, ficou aberto por tempo excessivo ou passou meses sofrendo com calor intenso, o melhor é substituí-lo.

E existe uma conclusão simples por trás de toda essa história: economizar alguns reais reaproveitando um frasco antigo pode não compensar quando a função dele é justamente impedir que a radiação ultravioleta cause danos à pele.

O protetor solar não precisa parecer estragado para deixar de ser uma escolha confiável. Antes de usá-lo novamente, a embalagem, a data e a forma como ele foi armazenado contam uma história que vale a pena conferir.

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