O calor voltou, a praia está novamente nos planos e, no fundo de uma gaveta, aparece um velho conhecido: o protetor solar que sobrou do último verão. A embalagem ainda está cheia, a textura parece normal e a tentação de economizar é grande. Mas será que ele continua oferecendo a proteção indicada no rótulo? A resposta depende de algo que aconteceu com o produto durante os meses em que ficou guardado.
Antes de tudo, existe uma data que não está ali por acaso
A primeira coisa a fazer é olhar atentamente para a embalagem. A data de validade é o indicador mais importante para saber se o produto ainda deve ser utilizado.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a FDA determina que os protetores solares vendidos no país tenham uma data de vencimento, exceto quando o fabricante consegue demonstrar que o produto permanece estável por pelo menos três anos. Quando não existe uma data indicada, a recomendação é considerar o protetor vencido três anos depois da compra.
Em outros mercados, também aparece com frequência o símbolo de um pequeno pote aberto acompanhado de uma indicação como “12M”. Esse símbolo, conhecido como PAO, informa por quanto tempo o fabricante recomenda utilizar o produto depois que a embalagem foi aberta.
É uma diferença importante. Um protetor pode ainda estar dentro da validade, mas ter passado muitos meses aberto. Por isso, não basta simplesmente olhar para o calendário.
A Academia Americana de Dermatologia recomenda descartar o produto quando a data de vencimento já passou. O motivo é simples: os componentes responsáveis pela proteção contra a radiação ultravioleta podem sofrer alterações ao longo do tempo.
Mas existe uma variável ainda mais importante — e ela pode fazer um protetor envelhecer muito antes do esperado.
Apa maksud logo bekas terbuka pada skincare product?
Ianya adalah Period After Opening or PAO symbol yang menunjukkan berapa lama skincare product boleh digunakan lepas buka.
Sebabtu tak boleh ambik bau atau buka produk skincare dekat kedai atau watson. pic.twitter.com/elVx5CiqIP
— Sarah ✨️ (@engkusarah_) January 25, 2021
O lugar onde você guardou o protetor pode ser mais importante do que parece
Imagine dois frascos exatamente iguais. Um passou meses em um armário fresco e protegido da luz. O outro ficou esquecido dentro do carro durante o verão, enfrentando temperaturas extremamente elevadas.
Embora tenham a mesma idade, eles não necessariamente estão nas mesmas condições.
O calor excessivo pode acelerar a degradação dos componentes do protetor solar. Por isso, deixar o produto dentro de um automóvel quente, exposto diretamente ao sol ou submetido repetidamente a temperaturas elevadas não é uma boa ideia.
Também existem sinais visíveis que merecem atenção. Mudanças no cheiro ou na cor, separação dos componentes, textura diferente da original e uma consistência excessivamente líquida, seca ou cheia de grumos são motivos suficientes para não arriscar.
Ainda assim, há uma descoberta curiosa sobre protetores que atravessaram mais de uma temporada.
A organização francesa de consumidores Que Choisir testou oito produtos submetidos a condições que simulavam diferentes situações de uso e armazenamento. Depois de aproximadamente 14 meses, seis deles ainda mantinham suas características de proteção contra raios UVA e UVB.
O resultado é interessante, mas não significa que qualquer protetor antigo esteja seguro. Foram analisados apenas oito produtos, uma amostra pequena demais para transformar o resultado em uma regra geral.
Existe ainda um ingrediente que chama atenção dos pesquisadores
Outro ponto levantado pelos testes envolve os protetores solares que contêm octocrileno.
A Que Choisir recomenda cautela com esses produtos quando se pretende reutilizá-los na temporada seguinte. Uma pesquisa publicada na revista Chemical Research in Toxicology observou que o octocrileno pode se degradar e formar benzofenona, além de ter encontrado aumento dessa substância em produtos submetidos a processos de envelhecimento acelerado.
Isso não significa que todo protetor contendo esse filtro se torne automaticamente perigoso. O ponto principal é que a composição e a estabilidade do produto podem mudar com o tempo, especialmente quando ele é exposto a condições inadequadas.
Por isso, a decisão mais segura não deve depender apenas de uma inspeção rápida no espelho ou de uma sensação de que “ainda parece bom”.
Se o protetor passou da validade, você não sabe quando o comprou, ficou aberto por tempo excessivo ou passou meses sofrendo com calor intenso, o melhor é substituí-lo.
E existe uma conclusão simples por trás de toda essa história: economizar alguns reais reaproveitando um frasco antigo pode não compensar quando a função dele é justamente impedir que a radiação ultravioleta cause danos à pele.
O protetor solar não precisa parecer estragado para deixar de ser uma escolha confiável. Antes de usá-lo novamente, a embalagem, a data e a forma como ele foi armazenado contam uma história que vale a pena conferir.