A guerra na Ucrânia entra em uma nova fase diplomática. Nesta segunda-feira (18), Volodymyr Zelensky se reúne com Donald Trump e líderes europeus em Washington em busca de um acordo de paz. A expectativa é alta, mas também crescem os temores de que o presidente americano pressione Kiev a aceitar concessões que favoreçam a Rússia, especialmente após encontros recentes com Vladimir Putin.
Uma reunião decisiva na Casa Branca

O cronograma prevê um encontro privado entre Zelensky e Trump às 14h15 (horário de Brasília), seguido por uma reunião ampliada com líderes da União Europeia, Otan e países-chave como Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Finlândia, às 16h.
Para os aliados europeus, o objetivo é claro: mostrar unidade em torno da Ucrânia e evitar que Trump imponha uma solução unilateral. O momento é delicado, já que, em fevereiro, uma reunião tensa entre Trump e Zelensky no Salão Oval deixou marcas e levantou dúvidas sobre a real disposição do republicano em apoiar Kiev.
O contraste entre Moscou e Kiev
Na última sexta-feira (15), Trump recebeu Vladimir Putin no Alasca com pompa e cordialidade, enviando um sinal ambíguo à comunidade internacional. Em seguida, publicou em sua rede Truth Social que “Zelensky pode encerrar a guerra quase imediatamente, se quiser, ou pode continuar lutando”.
O recado soou como pressão para que Kiev aceite as condições impostas por Moscou. Mas Zelensky não escondeu sua rejeição: em Bruxelas, no domingo (17), afirmou que não abrirá mão dos territórios atualmente em disputa, incluindo a região leste de Donetsk. “Precisamos de negociações reais, o que significa que podemos começar onde a linha de frente está agora”, declarou.
O dilema do cessar-fogo
Inicialmente, Trump parecia apoiar a proposta de Kiev de estabelecer um cessar-fogo imediato, criando espaço para negociações mais amplas. Porém, após o encontro com Putin, o republicano passou a defender a estratégia russa: discutir um acordo abrangente enquanto os combates continuam.
Essa mudança preocupa Zelensky, que teme ser colocado contra a parede em Washington. Ainda assim, o líder ucraniano agradeceu o convite para a Casa Branca e ressaltou, em publicação no Telegram, que “todos queremos igualmente encerrar esta guerra de forma rápida e confiável”.
A guerra que não dá trégua

O conflito já dura 42 meses, com dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados. Para Zelensky, qualquer negociação só será legítima se respeitar a soberania ucraniana e não implicar perda de território. A Constituição de seu país, lembra ele, proíbe a cessão de áreas a outra nação.
Ao lado dos europeus, o presidente ucraniano tentará mostrar que a pressão de Moscou não pode prevalecer sobre a integridade da Ucrânia. “A Rússia precisa encerrar esta guerra — a guerra que ela começou”, disse, antes de viajar para Washington.
O peso da diplomacia
O encontro na Casa Branca é visto como uma das maiores provas de fogo da política externa de Trump desde sua volta ao poder. Para a Europa, representa a chance de reafirmar apoio a Kiev e conter qualquer movimento que possa enfraquecer a resistência ucraniana.
O resultado dessas conversas terá impacto imediato não apenas no campo de batalha, mas também na percepção global sobre a disposição do Ocidente de manter a pressão contra Moscou até que uma paz justa seja alcançada.
[ Fonte: CNN Brasil ]