A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio e passou a ocupar um espaço cada vez maior na produção de conteúdo online. Em algumas plataformas, ela já participa da criação de uma parcela significativa das publicações, levantando dúvidas sobre autenticidade, qualidade e confiança. Um levantamento recente mostra que uma rede social, em especial, se tornou o principal palco dessa transformação.
Estudo revela que a IA domina boa parte das publicações em uma plataforma profissional

O avanço da inteligência artificial está mudando rapidamente a forma como as pessoas produzem conteúdo nas redes sociais. O que antes era visto como um auxílio para organizar ideias agora se tornou, em muitos casos, o principal responsável pela redação de textos inteiros.
Segundo um levantamento realizado pela Pangram Labs e divulgado pelo The Register, mais de 40% das publicações longas no LinkedIn são totalmente geradas por inteligência artificial. O dado coloca a plataforma profissional no topo do ranking de redes com maior concentração de conteúdo automatizado.
A pesquisa analisou milhares de textos publicados em diferentes serviços online e concluiu que o LinkedIn reúne uma quantidade desproporcional de conteúdo criado por ferramentas como ChatGPT, Claude e Gemini.
Embora a plataforma represente cerca de um terço de todo o material examinado pelos pesquisadores, ela concentrou aproximadamente 62% de todas as publicações identificadas como totalmente produzidas por inteligência artificial.
Na prática, isso significa que a presença da IA no LinkedIn é muito superior à observada em outras redes sociais analisadas, reforçando a percepção de muitos usuários de que o estilo das postagens se tornou repetitivo e excessivamente padronizado.
O estudo sugere que a facilidade de gerar textos profissionais, motivacionais e corporativos com poucos comandos vem acelerando a adoção dessas ferramentas por profissionais, empresas e criadores de conteúdo.
A influência da IA já ultrapassa as redes sociais tradicionais
Embora o LinkedIn tenha liderado o levantamento, ele não foi o único ambiente impactado pela inteligência artificial.
Na plataforma X, antigo Twitter, quase metade das publicações longas analisadas apresentou algum tipo de participação da IA. Segundo o estudo, 23,9% dos textos foram classificados como totalmente gerados por inteligência artificial, enquanto outros 22,9% receberam assistência parcial durante sua elaboração.

Isso significa que apenas pouco mais da metade do conteúdo longo publicado na rede foi considerado totalmente escrito por pessoas.
A expansão desse fenômeno também alcança plataformas conhecidas por privilegiar textos mais elaborados. No Substack, por exemplo, mais de um em cada cinco artigos analisados foi identificado como totalmente produzido ou parcialmente assistido por inteligência artificial.
Para os pesquisadores, os dados mostram que a automatização da escrita deixou de ser uma tendência restrita às redes sociais convencionais e passou a influenciar também newsletters, blogs especializados e até artigos de opinião publicados em veículos digitais.
Esse avanço acompanha a popularização de modelos de IA generativa, que hoje conseguem produzir textos cada vez mais naturais, tornando difícil distinguir quando uma publicação foi escrita por uma pessoa ou criada por um algoritmo.
Usuários reclamam da perda de autenticidade enquanto plataformas tentam reagir
O crescimento das publicações automatizadas também tem provocado reações negativas entre os próprios usuários.
Muitos afirmam perceber um excesso de textos com estrutura semelhante, vocabulário repetitivo e mensagens excessivamente otimistas ou motivacionais, características frequentemente associadas ao uso de inteligência artificial.
O empresário Elon Musk chegou a criticar publicamente o LinkedIn, classificando a plataforma como “insuportável” e afirmando que perde imediatamente o respeito por qualquer pessoa que publique ali.
Curiosamente, o próprio LinkedIn incentiva o uso da inteligência artificial em sua plataforma. Entre os recursos disponíveis está uma ferramenta que auxilia os usuários na criação de postagens. Inicialmente chamada de Write with AI, ela foi posteriormente renomeada para Enhance post, mas continua oferecendo sugestões automáticas para aprimorar textos.
Ao mesmo tempo, a empresa reconhece que o excesso de conteúdo automatizado pode prejudicar a experiência dos usuários. Por isso, um executivo da plataforma anunciou que a rede social passou a utilizar algoritmos próprios para identificar publicações geradas por IA e reduzir sua visibilidade no feed.
Os autores do estudo destacam uma ironia: segundo eles, o comunicado anunciando essa medida também teria sido produzido com ajuda da inteligência artificial.
Para realizar a pesquisa, a Pangram Labs utilizou o modelo Pangram 3.3, cuja taxa declarada de falsos positivos é de apenas 0,01%. Apesar disso, a empresa reconhece que nenhuma ferramenta é infalível.
Ainda assim, os pesquisadores afirmam que o chamado “slop”, termo escolhido pelo dicionário Merriam-Webster como palavra do ano para definir conteúdos digitais produzidos em massa e de baixa qualidade por inteligência artificial, tornou-se facilmente reconhecível para muitos usuários.
À medida que os modelos de IA continuam evoluindo, cresce também o desafio das plataformas em preservar a autenticidade das interações digitais. O estudo conclui que, apesar dos esforços para identificar e limitar esse tipo de conteúdo, a presença da inteligência artificial no LinkedIn continua aumentando e já representa uma transformação profunda na forma como profissionais se comunicam na internet.
[Fonte: Infobae]