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Ciência

Japão prepara missão inédita para trazer amostras de uma lua de Marte à Terra

A missão MMX pretende coletar rochas e poeira de Fobos para investigar a origem das luas de Marte e entender como água e compostos essenciais chegaram aos planetas rochosos.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O Japão está preparando uma das missões espaciais mais ambiciosas dos próximos anos. Batizado de Martian Moons eXploration (MMX), o projeto pretende viajar até Marte, pousar em Fobos e coletar pelo menos 10 gramas de material de sua superfície.

Depois, essas amostras serão enviadas de volta à Terra. O objetivo é responder a perguntas fundamentais sobre a formação das luas marcianas e, possivelmente, sobre a própria origem dos ingredientes necessários para o surgimento da vida.

Fobos é uma das duas pequenas luas que orbitam Marte, ao lado de Deimos. Descobrir como esses objetos surgiram pode revelar informações importantes sobre a história inicial do Sistema Solar.

Além disso, os cientistas querem entender melhor como água e compostos orgânicos foram distribuídos entre os planetas durante os primeiros estágios de sua formação.

Se tudo ocorrer conforme o planejado, o material coletado em Fobos retornará dentro de uma cápsula especial, que deverá pousar na Austrália em 2031.

Como será a missão MMX?

A espaçonave MMX partirá de um centro espacial japonês e seguirá em direção a Marte. Depois de chegar ao planeta, a missão passará vários anos estudando suas duas luas.

Durante esse período, a nave realizará uma das etapas mais delicadas da operação: aproximar-se de Fobos, pousar suavemente em sua superfície e coletar amostras de poeira e rochas.

A missão também observará Deimos à distância, embora não esteja previsto um pouso nessa segunda lua.

O projeto reúne pesquisadores e engenheiros de diferentes países, incluindo Japão, França, Alemanha e Estados Unidos. Entre os equipamentos transportados estará o pequeno rover IDEFIX, desenvolvido para explorar diretamente a superfície de Fobos.

De onde vieram Fobos e Deimos?

água De Marte
© ESO

A origem das duas luas de Marte ainda é motivo de debate entre os cientistas. Atualmente, existem duas hipóteses principais.

Uma delas sugere que Fobos e Deimos surgiram após um enorme impacto contra Marte. A colisão teria lançado grandes quantidades de material ao espaço, que posteriormente se agruparam e deram origem aos satélites.

Outra possibilidade é que as duas luas sejam antigos asteroides. Nesse cenário, elas teriam se formado em outra região do Sistema Solar e, posteriormente, sido capturadas pela gravidade de Marte.

As amostras coletadas pela MMX podem ajudar a determinar qual dessas explicações está mais próxima da realidade.

A resposta também terá implicações que vão além de Marte. Se Fobos tiver origem em outra região do Sistema Solar, por exemplo, seu material poderá preservar pistas sobre a forma como água e compostos orgânicos viajaram entre diferentes mundos.

Essas informações podem ajudar os pesquisadores a reconstruir como os ingredientes fundamentais para a vida chegaram a planetas rochosos como a Terra.

Por que Fobos pode ser importante para futuras missões?

A MMX não pretende apenas investigar o passado do Sistema Solar. A missão também funcionará como um importante teste de tecnologias que poderão ser usadas na futura exploração humana de Marte.

Uma das possibilidades estudadas é utilizar Fobos como uma espécie de base natural para missões tripuladas. A pequena lua possui características que poderiam torná-la interessante como ponto intermediário para operações próximas ao planeta vermelho.

Antes disso, porém, existem enormes desafios técnicos.

Um dos principais está relacionado à baixíssima gravidade de Fobos. Os engenheiros precisaram desenvolver um sistema de pouso capaz de impedir que a espaçonave simplesmente rebata contra a superfície ou seja lançada novamente ao espaço.

Conseguir pousar, operar e depois decolar de um ambiente como esse fornecerá informações valiosas para futuras missões.

Japão já mostrou que sabe trazer amostras do espaço

A agência espacial japonesa acumula experiência em operações complexas fora da Terra.

Em 2020, a missão Hayabusa2 conseguiu entregar à Terra amostras coletadas do asteroide Ryugu. O feito demonstrou a capacidade japonesa de pousar em pequenos corpos celestes, coletar material e transportá-lo com segurança de volta ao nosso planeta.

Mais recentemente, em 2024, a sonda SLIM conseguiu pousar na Lua. Apesar de ter terminado em uma posição inesperada após a descida, o equipamento continuou funcionando e transmitindo informações.

Enquanto isso, o rover Perseverance, da NASA, já armazenou amostras de Marte destinadas a uma possível futura missão de retorno, embora esse projeto tenha enfrentado mudanças e atrasos.

A MMX representa, portanto, mais um passo importante na exploração do sistema marciano. Caso seja bem-sucedida, permitirá que cientistas estudem em laboratórios terrestres fragmentos de uma lua de Marte.

E alguns poucos gramas de poeira e rocha podem ser suficientes para revelar capítulos inteiros sobre a formação dos planetas, a chegada da água à Terra e os ingredientes que tornaram possível o surgimento da vida.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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