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Xi Jinping chega aos EUA: o “príncipe” que perdeu tudo antes de se tornar o líder mais poderoso da China

Da infância privilegiada ao trabalho no campo durante a Revolução Cultural, a trajetória de Xi ajuda a explicar a ascensão do homem que transformou a China
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Tempo de leitura: 4 minutos

O presidente chinês Xi Jinping chegou aos Estados Unidos para sua primeira visita de Estado ao país em 11 anos. Recebido por Donald Trump, Xi retorna a Washington em um momento em que as duas maiores economias do mundo disputam influência em áreas que vão do comércio à inteligência artificial.

A relação de Xi com os Estados Unidos, porém, começou muito antes de ele assumir o comando da China. Há quatro décadas, ainda como funcionário local, visitou Iowa para conhecer a agricultura americana. Na época, poucos poderiam imaginar que aquele jovem integrante do Partido Comunista se tornaria uma das figuras políticas mais influentes do século XXI.

O “príncipe” que perdeu seus privilégios

Xi Jinping Quer Tornar A Inteligência Artificial Aberta Ao Mundo — E Menos Dependente Dos Estados Unidos+
© Pool

Xi Jinping nasceu em Pequim, em 1953, filho de Xi Zhongxun, um veterano revolucionário que participou da fundação da República Popular da China e chegou ao cargo de vice-primeiro-ministro.

A posição do pai permitiu que Xi tivesse uma infância privilegiada e frequentasse escolas de elite. Mas tudo mudou quando Xi Zhongxun caiu em desgraça política no início da década de 1960.

Acusado de integrar uma suposta facção contrária ao Partido Comunista, ele perdeu seus cargos e foi afastado da vida política.

Durante a Revolução Cultural, Xi também sofreu as consequências. Aos 15 anos, foi enviado para Liangjiahe, uma aldeia rural na província de Shaanxi, como parte da campanha de Mao Zedong que deslocou milhões de jovens das cidades para o campo.

Ali permaneceu durante sete anos.

Xi viveu em um yaodong, uma habitação escavada na encosta de uma colina, trabalhou na agricultura, transportou esterco e cavou valas. Posteriormente, descreveu aquele período como uma experiência marcada por fome, trabalho pesado e condições extremamente difíceis.

A longa escalada dentro do Partido Comunista

Aos 22 anos, Xi deixou o campo para estudar engenharia química na Universidade Tsinghua, uma das instituições mais prestigiadas da China.

Depois de se formar, iniciou uma longa trajetória política. Trabalhou em diferentes regiões do país, incluindo Fujian e Zhejiang, duas províncias costeiras que prosperaram durante a abertura econômica chinesa.

A reabilitação política de seu pai após a morte de Mao também facilitou sua aproximação com estruturas importantes do governo e das Forças Armadas.

Em 2007, depois de uma breve passagem pelo comando de Xangai, Xi entrou para o Comitê Permanente do Politburo, núcleo máximo do poder político chinês.

Cinco anos depois, sucedeu Hu Jintao na liderança do Partido Comunista.

Peng Liyuan já era famosa antes de Xi

A vida pessoal de Xi também acompanhou sua ascensão política.

Seu primeiro casamento, com Ke Lingling, filha de um ex-embaixador chinês no Reino Unido, terminou em divórcio no início dos anos 1980.

Mais tarde, Xi conheceu Peng Liyuan, cantora de música folclórica ligada ao Exército e uma das artistas mais conhecidas da China.

Durante as décadas de 1980 e 1990, Peng era, para muitos chineses, muito mais famosa que o funcionário provincial com quem havia se casado.

O casal teve uma filha, Xi Mingze, nascida em 1992, que posteriormente estudou na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Como Xi transformou a China

Desde que chegou ao comando do Partido Comunista, Xi concentrou poder e ampliou significativamente a presença do Estado e do partido na sociedade chinesa.

No exterior, lançou a Iniciativa do Cinturão e Rota, ampliando investimentos e projetos de infraestrutura chineses em dezenas de países.

Ao mesmo tempo, as relações de Pequim com Estados Unidos e outras democracias se tornaram mais tensas, com disputas envolvendo tecnologia, comércio, Taiwan e o Mar do Sul da China.

Internamente, o governo de Xi colocou forte ênfase em segurança e estabilidade. Organizações de direitos humanos e governos ocidentais criticam as políticas adotadas em Xinjiang, Tibete e Hong Kong por restringirem liberdades civis. Pequim rejeita muitas dessas críticas e afirma que suas medidas buscam combater ameaças à segurança e preservar a estabilidade.

Xi também consolidou sua posição ideológica. O chamado “Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era” foi incorporado à estrutura doutrinária do Partido Comunista.

Em 2018, a China eliminou da Constituição o limite de dois mandatos consecutivos para a Presidência, abrindo caminho para que Xi permanecesse no cargo além do período permitido aos seus antecessores recentes.

De Iowa ao centro da disputa entre EUA e China

Xi mantém uma relação particularmente próxima com o presidente russo Vladimir Putin, com quem se reuniu dezenas de vezes desde que chegou ao poder.

Sua relação com Donald Trump é diferente. Os dois líderes alternaram períodos de aproximação com fortes disputas comerciais e tecnológicas.

A atual visita ocorre justamente em meio a negociações sobre tarifas, minerais estratégicos, inteligência artificial e outras questões que dividem Washington e Pequim. Xi chegou à região de Washington em 23 de setembro e foi recebido por Trump na Base Conjunta Andrews, antes das cerimônias oficiais na Casa Branca.

É uma imagem muito diferente daquela registrada quatro décadas atrás.

O jovem funcionário que viajou ao Meio-Oeste americano para visitar fazendas retorna agora como líder de uma potência que disputa com os Estados Unidos influência econômica, tecnológica e geopolítica em escala global. E sua passagem de uma infância privilegiada para o exílio rural — antes de chegar ao topo do Partido Comunista — ajuda a explicar uma das trajetórias políticas mais marcantes da China contemporânea.

 

[ Fonte: BBC ]

 

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