Durante décadas, poucas coisas mudaram tanto dentro de casa enquanto o vaso sanitário permaneceu praticamente igual. Agora, essa estabilidade começa a desaparecer. Uma nova geração de equipamentos está levando sensores, controles eletrônicos e sistemas automatizados para um dos ambientes mais íntimos da residência. A transformação já chama atenção em mercados como o mexicano e promete modificar não apenas a higiene pessoal, mas também a própria arquitetura dos banheiros.
O vaso sanitário está incorporando funções que antes exigiam outros equipamentos
Os protagonistas dessa mudança são os vasos sanitários inteligentes com bidê integrado, dispositivos que reúnem diferentes recursos em uma única estrutura.
Em vez de depender exclusivamente do papel higiênico, esses equipamentos utilizam jatos de água para realizar a higiene pessoal. Dependendo do modelo, o usuário pode regular pressão, temperatura e até a posição dos bicos responsáveis pela limpeza.
Depois, alguns aparelhos oferecem secagem automática com ar aquecido, reduzindo ainda mais a necessidade de utilizar papel.
Mas as funções não terminam aí.
Modelos mais sofisticados possuem sensores capazes de identificar quando uma pessoa se aproxima, abrindo automaticamente a tampa. Outros permitem aquecer o assento e memorizar determinadas configurações.
O controle pode ser realizado por meio de botões instalados na própria estrutura ou por um controle remoto.
Há ainda versões equipadas com iluminação LED, útil principalmente durante a noite, e sistemas de desodorização que procuram reduzir odores sem depender de aromatizadores ou outros produtos químicos.
O resultado é uma espécie de central automatizada de higiene instalada exatamente no lugar ocupado pelo vaso sanitário convencional.
Essa combinação já conhecida em países asiáticos começa a ganhar espaço em outros mercados, incluindo o Brasil.
A tecnologia também resolve um problema cada vez maior nas cidades

A popularização desses equipamentos não está relacionada apenas ao conforto.
Existe uma questão arquitetônica importante.
Em residências que possuem bidê tradicional, é necessário reservar espaço adicional para instalar a segunda peça sanitária.
Quando suas funções são incorporadas diretamente ao vaso, esse equipamento deixa de ser necessário.
Dependendo da configuração do banheiro, isso pode liberar aproximadamente 40 a 60 centímetros de espaço útil, uma diferença relevante principalmente em imóveis compactos.
O design acompanha essa tendência.
Muitos vasos inteligentes adotam linhas minimalistas, superfícies mais contínuas e estruturas projetadas para esconder parte dos componentes técnicos. Assim, o equipamento passa a desempenhar também uma função estética em projetos residenciais de padrão médio-alto.
O interesse aumentou ainda mais nos últimos anos, impulsionado pela maior preocupação com higiene pessoal e pela busca por alternativas ao uso exclusivo do papel higiênico.
Mas a tecnologia também promete interferir no consumo de recursos.
Menos papel e sistemas que tentam economizar água
Um vaso sanitário cheio de componentes eletrônicos pode parecer, à primeira vista, uma solução necessariamente mais cara e complexa.
O investimento inicial realmente tende a ser superior ao de um modelo convencional. Fabricantes, porém, procuram compensar parte dessa diferença com recursos destinados à economia durante o uso.
Um deles é justamente a redução do consumo de papel higiênico, já que água e secagem automática assumem boa parte da rotina de limpeza.
Alguns equipamentos também oferecem sistemas de descarga dupla, permitindo utilizar volumes diferentes de água conforme a necessidade.
Essa característica ganha importância em grandes cidades latino-americanas que enfrentam crescente pressão sobre seus recursos hídricos.
A economia efetiva, entretanto, depende do modelo escolhido, da frequência de utilização e dos custos de água e eletricidade de cada residência. Por isso, não é possível afirmar que todos os vasos inteligentes necessariamente compensarão seu preço de compra apenas pela redução de despesas.
Existe ainda outra questão que precisa ser considerada antes da instalação.
Diferentemente de um vaso convencional, boa parte desses equipamentos depende de eletricidade.
Instalar um vaso inteligente exige preparar o banheiro

Antes de substituir o equipamento tradicional, é importante verificar se o ambiente possui a infraestrutura necessária.
Um dos principais requisitos é uma tomada elétrica instalada em posição adequada e segura. Ela alimentará recursos como aquecimento, sensores, secagem, iluminação e controles eletrônicos.
A instalação elétrica em um ambiente úmido deve seguir as normas de segurança aplicáveis e, quando necessário, ser realizada por profissional qualificado.
O fornecimento de água também merece atenção.
Para que os jatos de limpeza funcionem corretamente, o equipamento precisa receber água com pressão compatível com as especificações do fabricante.
Por isso, nem sempre é recomendável simplesmente comprar o aparelho e tentar conectá-lo à instalação existente sem uma avaliação prévia.
O banheiro pode estar entrando em uma nova fase
Os vasos inteligentes ainda estão longe de eliminar completamente os modelos tradicionais.
Preço, necessidade de energia elétrica, manutenção e infraestrutura continuam sendo fatores capazes de limitar sua adoção em larga escala.
Ainda assim, sua expansão mostra uma mudança interessante na maneira como o banheiro é pensado.
Um equipamento que durante décadas desempenhou praticamente uma única função começa a reunir higiene com água, secagem, controle de temperatura, sensores, iluminação e gerenciamento de odores.
Ao mesmo tempo, a eliminação de um bidê separado pode liberar espaço em residências cada vez menores.
É essa combinação entre conforto, tecnologia e arquitetura que ajuda a explicar por que o conceito começa a ultrapassar o segmento de luxo.
O vaso sanitário tradicional provavelmente não desaparecerá amanhã. Mas, se a tendência continuar avançando, o banheiro do futuro poderá ter menos equipamentos visíveis justamente porque uma única peça será capaz de fazer quase tudo.
[Fonte: cronista]