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Ciência

Câncer está aumentando entre adultos jovens e cientistas ainda não conseguem explicar o motivo

Um estudo identificou o aumento de diferentes tipos de câncer em pessoas com menos de 50 anos. Obesidade, microbioma intestinal e fatores ambientais estão entre as hipóteses investigadas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, o câncer foi associado principalmente ao envelhecimento. Entretanto, uma tendência vem preocupando pesquisadores: determinados tumores estão se tornando mais frequentes entre adultos jovens. Um novo estudo realizado na Inglaterra encontrou aumentos significativos em diferentes tipos da doença, mesmo com a redução de alguns fatores de risco conhecidos. A descoberta levanta uma pergunta que a ciência ainda não conseguiu responder completamente: o que está mudando?

Estudo identifica aumento de 11 tipos de câncer

Uma pesquisa publicada na revista científica BMJ Oncology analisou registros de câncer na Inglaterra entre 2001 e 2019, comparando pacientes de 20 a 49 anos com pessoas acima dos 50.

Os cientistas identificaram 11 tipos de câncer associados a fatores comportamentais conhecidos cuja incidência aumentou significativamente entre adultos jovens.

Entre eles estão tumores de intestino, fígado, rins, pâncreas, mama, ovário, tireoide e endométrio.

Os casos de câncer colorretal e de ovário chamaram especialmente a atenção porque apresentaram crescimento significativo entre os mais jovens, mas não entre os mais velhos.

O estudo também encontrou aumentos mais rápidos de determinados tumores entre mulheres jovens.

Os resultados reforçam uma tendência observada em diferentes países, embora não signifiquem que todos os tipos de câncer estejam aumentando nessa faixa etária.

A obesidade explica apenas parte do problema

Câncer está aumentando entre adultos jovens e cientistas ainda não conseguem explicar o motivo
© Pexels

Os pesquisadores investigaram possíveis relações entre o aumento dos diagnósticos e fatores como tabagismo, consumo de álcool, alimentação inadequada, sedentarismo e excesso de peso.

O resultado revelou uma contradição.

Enquanto diversos hábitos associados ao câncer permaneceram estáveis ou melhoraram, a incidência de determinados tumores continuou aumentando.

O excesso de peso foi uma exceção importante: sua prevalência cresceu nas últimas décadas.

De acordo com o Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, a obesidade representa uma das principais pistas para compreender essa tendência.

Entretanto, os pesquisadores descobriram que o aumento do índice de massa corporal não explica sozinho todos os casos.

Isso sugere que outros fatores, ainda pouco compreendidos, podem estar contribuindo para o fenômeno.

O microbioma intestinal pode esconder respostas

Câncer está aumentando entre adultos jovens e cientistas ainda não conseguem explicar o motivo
© Pexels

Entre as hipóteses investigadas estão alterações no microbioma intestinal, conjunto de bactérias e outros microrganismos que vivem no sistema digestivo.

Os cientistas estudam se mudanças nessa comunidade microbiana podem favorecer processos inflamatórios e alterações celulares relacionadas ao desenvolvimento de tumores.

Outra possibilidade envolve exposições ambientais durante a infância, incluindo substâncias químicas e fatores que afetam o organismo muito antes do diagnóstico.

Em 2026, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, reuniu pesquisadores de diferentes países, incluindo o Brasil, para investigar possíveis causas do aumento do câncer colorretal precoce.

O projeto examina, entre outras hipóteses, a participação de bactérias capazes de provocar alterações no DNA.

Por enquanto, essas possibilidades continuam sendo investigadas. Nenhuma delas explica isoladamente o crescimento dos diagnósticos.

O que essa descoberta significa para os brasileiros?

A tendência também merece atenção no Brasil.

Dados analisados em pesquisas internacionais indicam crescimento dos diagnósticos de câncer colorretal entre brasileiros com menos de 50 anos, embora a intensidade do aumento varie conforme o período e a população estudados.

Isso não significa que o câncer tenha se tornado mais comum entre jovens do que entre idosos. A idade avançada continua sendo um dos principais fatores de risco.

A recomendação é manter hábitos saudáveis, evitar tabaco, limitar o álcool, praticar atividades físicas e seguir as orientações de rastreamento adequadas ao histórico individual.

Sintomas persistentes, como sangue nas fezes, alterações intestinais inexplicáveis, perda de peso involuntária ou sangramentos anormais, também devem ser avaliados por profissionais de saúde.

O grande desafio científico agora é descobrir por que determinadas gerações parecem apresentar maior risco de alguns tumores. A resposta poderá ajudar a desenvolver estratégias de prevenção mais eficazes antes mesmo do aparecimento da doença.

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