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Tecnologia

Cofundador da Anthropic diz que crianças precisam de curiosidade e valores na era da IA

Ben Mann, cofundador da Anthropic, afirma que prefere não concentrar a educação das filhas apenas no desempenho acadêmico tradicional. Para ele, curiosidade, criatividade e gentileza serão habilidades fundamentais em um mundo cada vez mais transformado pela inteligência artificial.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A rápida evolução da inteligência artificial está provocando discussões que vão muito além do mercado de trabalho. Para Ben Mann, um dos cofundadores da Anthropic, empresa responsável pelo Claude, essas mudanças também deveriam influenciar a maneira como as crianças são preparadas para o futuro.

Durante uma participação no podcast de Lenny Rachitsky, Mann contou que ele e sua esposa decidiram não colocar as disciplinas acadêmicas tradicionais no centro da educação das filhas.

Em vez disso, escolheram estimular três características: curiosidade, criatividade e gentileza. A ideia é criar uma base que permita às crianças aprender de maneira autônoma e se adaptar a um mundo no qual a tecnologia continuará mudando rapidamente.

Educação tradicional pode perder importância na era da IA

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© Unsplash

Mann explicou que provavelmente teria adotado uma estratégia diferente algumas décadas atrás.

“Há 10 ou 20 anos, talvez eu estivesse tentando prepará-las para serem as melhores na escola e colocando-as em todas as atividades extracurriculares”, afirmou.

Hoje, porém, o executivo acredita que esse tipo de preparação não terá necessariamente a mesma importância no futuro.

Isso não significa simplesmente abandonar conhecimentos acadêmicos. A visão apresentada pelo cofundador da Anthropic está relacionada principalmente à capacidade de continuar aprendendo diante de tecnologias que podem transformar rapidamente profissões, ferramentas e habilidades valorizadas pelo mercado.

Nesse cenário, aprender a aprender pode se tornar tão importante quanto dominar um conjunto específico de conteúdos.

Curiosidade pode ser uma das habilidades mais importantes

Entre as três características mencionadas por Mann, a curiosidade ocupa uma posição central.

Para ele, a disposição para fazer perguntas, explorar assuntos desconhecidos e buscar respostas de maneira independente ajuda as crianças a não dependerem exclusivamente de um currículo previamente estabelecido.

A criatividade aparece como outro elemento fundamental.

Mann relacionou essa característica ao modelo educacional Montessori adotado pelas filhas. Essa abordagem oferece maior espaço para que crianças explorem seus próprios interesses, aprendam por meio da experiência e desenvolvam maior autonomia.

A terceira característica destacada foi a gentileza.

Segundo Mann, é importante que suas filhas cresçam como pessoas gentis. Curiosamente, ele estende essa ideia até mesmo à maneira como interagimos com sistemas de inteligência artificial.

Para o executivo, aprender a utilizar tecnologias cada vez mais poderosas não deveria significar abandonar valores humanos.

Cofundador da Anthropic recomenda experimentar mais com a IA

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© Nicolas Tucat (Getty Images)

Mann também apresentou algumas recomendações para adultos que precisam se adaptar ao atual avanço da inteligência artificial.

Uma delas é ser mais ambicioso ao utilizar essas ferramentas. Em sua visão, existe uma diferença importante entre simplesmente usar IA e realmente explorar aquilo que os novos modelos conseguem fazer.

Isso significa não tratar sistemas modernos como versões ligeiramente melhores de ferramentas antigas.

O executivo recomenda experimentar tarefas mais complexas e tentar novamente quando o resultado inicial não for satisfatório. Como modelos de IA apresentam um componente probabilístico, diferentes tentativas podem produzir respostas distintas.

Outra recomendação envolve aquilo que Mann chama de “descanso em movimento”, conceito inspirado no livro Replacing Guilt.

A ideia é não esperar necessariamente por um momento de tranquilidade absoluta antes de enfrentar mudanças. Em vez disso, seria necessário desenvolver capacidade de adaptação enquanto as transformações continuam acontecendo.

Precisamos nos preparar para um futuro mais estranho

Mann também acredita que as pessoas precisam se acostumar mentalmente com um período de mudanças tecnológicas muito rápidas.

Segundo sua visão, o mundo atual pode parecer incomum, mas provavelmente ficará ainda mais acelerado conforme sistemas de inteligência artificial se tornarem mais capazes.

Um exemplo são os agentes de IA.

Esses sistemas estão evoluindo para executar sequências inteiras de tarefas, incluindo interações com computadores e softwares que anteriormente dependiam diretamente de uma pessoa.

Mann recomenda experimentar essas novas interfaces mesmo que inicialmente pareçam estranhas ou intimidadoras.

Bill Gates também recomenda um livro para entender a IA

A discussão sobre como se preparar para essa transformação também aparece entre outros nomes importantes do setor tecnológico.

Bill Gates já recomendou The Coming Wave (A Próxima Onda), livro de Mustafa Suleyman, cofundador da DeepMind e executivo da Microsoft, como uma leitura para compreender melhor o impacto da inteligência artificial.

O livro aborda tanto as oportunidades proporcionadas pelas novas tecnologias quanto os riscos associados à sua rápida disseminação.

A discussão levantada por Mann segue uma direção semelhante: em um mundo no qual ferramentas e conhecimentos podem mudar rapidamente, preparar crianças para o futuro talvez envolva mais do que ensinar conteúdos específicos.

Curiosidade para continuar aprendendo, criatividade para encontrar novas soluções e gentileza para preservar valores humanos podem se tornar habilidades ainda mais importantes em uma era profundamente marcada pela inteligência artificial.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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