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Ciência

Correr desgasta os joelhos? Ciência revela uma resposta surpreendente sobre a saúde das articulações

Correr realmente provoca desgaste nos joelhos? Estudos com milhares de participantes desafiam essa crença e mostram como a intensidade dos treinos influencia a saúde das articulações.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante décadas, muita gente acreditou que correr era uma maneira quase garantida de desgastar os joelhos. Afinal, cada passada provoca impactos que se repetem milhares de vezes durante um treino. Mas a ciência apresenta uma conclusão diferente: correr de forma recreativa não parece aumentar o risco de artrose. Pesquisas com milhares de participantes indicam que a relação entre exercício físico e saúde das articulações é muito mais complexa do que imaginávamos.

Correr não provoca necessariamente desgaste nos joelhos

A ideia de que a corrida destrói gradualmente a cartilagem dos joelhos parece lógica. Entretanto, os estudos científicos não confirmam essa relação direta.

Uma revisão sistemática publicada em 2023 na revista Orthopaedic Journal of Sports Medicine analisou 17 pesquisas envolvendo 7.194 corredores e 6.947 pessoas que não praticavam corrida.

Os pesquisadores avaliaram exames de imagem, espessura da cartilagem e sintomas relacionados à osteoartrite, também conhecida como artrose.

Os resultados não identificaram diferenças significativas entre os grupos em diversos indicadores de desgaste articular.

Curiosamente, as pessoas que não corriam apresentaram maior frequência de dores nos joelhos.

O estudo disponível na Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos concluiu que, durante os períodos de acompanhamento analisados, a corrida não esteve associada ao agravamento dos sinais clínicos ou radiológicos da artrose.

Isso não significa que correr seja uma garantia de proteção, mas enfraquece a ideia de que o impacto inevitavelmente destrói as articulações.

Corredores recreativos podem apresentar menos artrose

Correr desgasta os joelhos? Ciência revela uma resposta surpreendente sobre a saúde das articulações
© ben cheng – pexels

Uma das análises mais abrangentes sobre o assunto reuniu dados de 25 estudos, com aproximadamente 125 mil participantes.

Os pesquisadores observaram diferenças importantes entre corredores recreativos, atletas competitivos e pessoas sedentárias.

Os resultados sugerem que correr moderadamente pode estar associado a uma melhor saúde articular.

Entretanto, os cientistas alertam que essas diferenças não comprovam que a corrida previna a artrose. Fatores como lesões anteriores, características individuais e intensidade dos treinamentos também podem influenciar os resultados.

Existe um limite de quilômetros que prejudica os joelhos?

Outra dúvida comum envolve a quantidade de quilômetros percorridos semanalmente.

Uma revisão publicada em 2023 na revista Physical Therapy in Sport investigou se corredores que acumulavam maiores distâncias apresentavam mais artrose.

A análise incluiu grupos que percorriam mais de 48 quilômetros por semana.

Os pesquisadores não encontraram um aumento estatisticamente significativo da prevalência de artrose associado aos maiores volumes de corrida analisados.

Apesar disso, ainda faltam estudos de longo prazo capazes de determinar os efeitos de décadas de treinamento intenso.

A principal conclusão é que não existe um número universal de quilômetros a partir do qual os joelhos começam inevitavelmente a se desgastar.

Por que o impacto da corrida não é necessariamente prejudicial?

O corpo humano não funciona como uma máquina cujas peças simplesmente se desgastam com o uso.

Ossos, músculos, tendões e outras estruturas respondem às cargas mecânicas e podem se adaptar aos estímulos do exercício.

Uma revisão publicada em 2024 no European Journal of Rheumatology reuniu evidências indicando que atividades comuns, como caminhada e corrida recreativa, não estão associadas à progressão estrutural da artrose de joelho.

O problema pode surgir quando o esforço supera a capacidade de adaptação e recuperação do organismo.

Aumentos bruscos de intensidade, lesões anteriores e recuperação insuficiente podem contribuir para problemas musculoesqueléticos, mesmo que a corrida não provoque necessariamente artrose.

Como correr sem sobrecarregar os joelhos?

Correr desgasta os joelhos? Ciência revela uma resposta surpreendente sobre a saúde das articulações
© Unsplash

Para quem deseja começar ou continuar correndo, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de lesões:

  • Aumentar gradualmente a distância e a intensidade dos treinos.
  • Fortalecer os músculos das pernas e do quadril.
  • Alternar dias de corrida com períodos de recuperação.
  • Utilizar calçados confortáveis e adequados à atividade.
  • Procurar avaliação profissional diante de dores persistentes, inchaço ou limitações de movimento.

Pessoas com artrose diagnosticada ou histórico de lesões podem precisar de adaptações individuais, mas isso não significa que estejam automaticamente impedidas de correr.

A conclusão científica é que a corrida recreativa, quando praticada de maneira progressiva e adequada, não parece aumentar o risco de artrose nos joelhos. Mais importante do que evitar todo impacto é encontrar uma intensidade de exercício compatível com a condição física e a capacidade de recuperação de cada pessoa.

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