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Ciência

Curiosity fotografou algo estranho no horizonte de Marte e a imagem voltou três anos depois para intrigar a internet

Uma fotografia esquecida do Curiosity ressurgiu nas redes sociais mostrando uma silhueta desconcertante no horizonte marciano. O detalhe mais intrigante está no que aconteceu poucos segundos antes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Marte já nos presenteou com rostos, portas, animais e inúmeras outras formas que parecem familiares aos olhos humanos. Agora, uma fotografia feita pelo Curiosity entrou para essa peculiar coleção. No horizonte árido do planeta vermelho aparece uma figura escura, quase suspensa sobre o terreno, cuja aparência imediatamente despertou comparações improváveis. Mas uma sequência de imagens registradas no mesmo local oferece pistas importantes sobre o que realmente aconteceu.

Uma figura apareceu no horizonte e depois simplesmente desapareceu

A fotografia não é nova. O rover Curiosity, da NASA, registrou a cena em 20 de agosto de 2023 usando sua câmera de navegação direita enquanto explorava a região da cratera Gale. Durante quase três anos, porém, a imagem permaneceu praticamente despercebida.

Isso mudou em agosto de 2026, quando a fotografia ressurgiu nas redes sociais e começou a circular por fóruns e veículos especializados.

O motivo fica evidente ao observar um dos extremos da imagem.

Sobre uma elevação rochosa no horizonte marciano aparece uma pequena silhueta escura. Sua parte superior parece arredondada, enquanto estruturas mais finas descem verticalmente, criando uma aparência que lembra uma espécie de medusa flutuando sobre Marte.

Dependendo da imaginação do observador, há outras possibilidades. A ScienceAlert comparou a figura aos enormes trípodes alienígenas de A guerra dos mundos, clássico de H. G. Wells. Também não seria difícil enxergar ali algo semelhante às máquinas caminhantes do universo de Star Wars.

É exatamente esse mecanismo que frequentemente transforma fotografias de Marte em fenômenos virais. Nosso cérebro tenta encontrar objetos reconhecíveis em formas desconhecidas, um fenômeno chamado pareidolia.

Neste caso, entretanto, existe algo ainda mais curioso do que a aparência da suposta criatura.

Fotografias feitas segundos antes mudam completamente a história

Se aquela figura realmente estivesse sobre uma colina marciana, seria razoável esperar que aparecesse em outras fotografias feitas pelo Curiosity praticamente no mesmo instante.

Mas não foi isso que aconteceu.

Existem imagens da mesma região captadas apenas 13 e 25 segundos antes. Nas duas, o horizonte aparece normalmente, sem qualquer sinal daquela estranha estrutura escura.

Depois vem a fotografia que provocou toda a discussão. A “medusa” surge de repente.

E então desaparece novamente.

Segundo a EarthSky, aproximadamente 78 minutos mais tarde a câmera voltou a registrar a mesma região. Mais uma vez, não havia qualquer sinal da misteriosa silhueta.

Esse detalhe enfraquece consideravelmente a hipótese de que a fotografia mostre algum objeto imóvel no terreno. Uma rocha, estrutura ou máquina não deveria aparecer em apenas um quadro e desaparecer poucos segundos depois sem deixar qualquer vestígio.

A sequência também ajuda a direcionar a investigação para outro lugar: talvez o verdadeiro mistério não esteja no horizonte de Marte, mas dentro da própria fotografia.

Alguns pixels oferecem uma pista muito menos extraterrestre

Uma das explicações consideradas mais plausíveis envolve partículas extremamente energéticas que atravessam o espaço: os raios cósmicos.

Marte está particularmente exposto a elas. Ao contrário da Terra, o planeta vermelho não possui um campo magnético global capaz de oferecer proteção comparável à nossa. Sua atmosfera também é extremamente tênue, com massa equivalente a apenas cerca de 0,5% da atmosfera terrestre.

Curiosity fotografou algo estranho no horizonte de Marte e a imagem voltou três anos depois para intrigar a internet
© pexels

Isso significa que instrumentos eletrônicos instalados na superfície marciana estão muito mais vulneráveis à passagem de partículas de alta energia.

O astrofísico Joseph Farah analisou uma versão ampliada da fotografia e chamou atenção para um detalhe revelador. A estranha figura apresenta uma sequência de pixels negros perfeitamente alinhados, com bordas abruptas.

Esse comportamento é difícil de conciliar com um objeto real fotografado à distância. Uma partícula energética atingindo o sensor, por outro lado, poderia produzir uma anomalia desse tipo.

E há precedentes.

Em 2014, um engenheiro de imagens do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA explicou que fotografias do Curiosity apresentando pequenos pontos brilhantes eram recebidas quase semanalmente. Esses artefatos podem surgir quando raios cósmicos atingem os detectores das câmeras. Dependendo das circunstâncias, também podem aparecer como linhas ou pixels escuros.

A explicação mais provável ainda não encerra completamente o caso

Um raio cósmico é uma possibilidade convincente, mas não é a única.

Entre o momento em que a câmera registra uma cena em Marte e aquele em que pesquisadores recebem a fotografia na Terra existe uma longa cadeia de processamento e transmissão de dados. Uma falha eletrônica, um problema de compressão ou algum erro durante a transmissão também poderia modificar determinados pixels.

Há ainda uma alternativa mais marciana: um fenômeno atmosférico passageiro.

Redemoinhos de poeira são relativamente comuns no planeta vermelho e já foram observados diversas vezes por missões da NASA. Em determinadas condições, um pequeno redemoinho distante poderia produzir uma forma incomum durante alguns instantes.

O problema é que faltam evidências adicionais. Não existem dados de vento suficientes nem uma fotografia simultânea feita por outra câmera que permita confirmar essa possibilidade.

Por enquanto, portanto, não há uma identificação definitiva da “medusa”. As características dos pixels e sua presença em apenas uma fotografia tornam uma anomalia relacionada ao sensor ou ao processamento da imagem uma explicação muito mais plausível do que qualquer objeto extraordinário sobre a superfície.

E talvez seja justamente isso que torna a fotografia tão interessante. Marte não precisa esconder criaturas ou máquinas extraterrestres para produzir imagens capazes de desconcertar quem as observa. Às vezes, bastam alguns pixels inesperados no lugar certo.

[Fonte: DW]

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