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Debate na Globo: Lula e Flávio Bolsonaro trocam ataques sobre salário mínimo, SUS e dívidas dos brasileiros

Último debate presidencial antes do segundo turno foi marcado por propostas econômicas, discussões sobre saúde e segurança e uma troca de ofensas entre Lula e Flávio Bolsonaro.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026 foi marcado por propostas para a economia brasileira e momentos de confronto direto. Na noite de sexta-feira (23), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) participaram do encontro promovido pela TV Globo, no Rio de Janeiro. Os candidatos discutiram salário mínimo, endividamento das famílias, investimentos no SUS e segurança pública, mas também protagonizaram uma troca de acusações pessoais que elevou a tensão no estúdio.

Salário mínimo provoca troca de ofensas entre candidatos

Um dos momentos mais tensos aconteceu durante a discussão sobre o poder de compra dos brasileiros.

Flávio Bolsonaro criticou a política econômica do governo e afirmou que os impostos reduzem os benefícios dos reajustes salariais. Durante sua argumentação, utilizou a expressão “nove dedos” para se referir a Lula.

O presidente reagiu, lembrando que perdeu um dedo em um acidente de trabalho quando tinha 17 anos. Em seguida, chamou o adversário de “miliciano”, acusação que não foi acompanhada de comprovação durante o debate.

Flávio pediu desculpas pela referência à condição física de Lula. O senador também recebeu direito de resposta pela acusação feita pelo presidente, mas utilizou o tempo para abordar a proteção aos animais.

Apesar das provocações, os dois defenderam reajustes do salário mínimo acima da inflação, apresentando avaliações diferentes sobre as políticas econômicas recentes.

Dívidas dos brasileiros entram no centro da discussão

O endividamento das famílias foi outro tema importante do encontro.

Flávio Bolsonaro atribuiu os juros elevados e as dificuldades financeiras da população à condução das contas públicas pelo governo federal.

O candidato do PL prometeu criar um mecanismo de renegociação de dívidas por meio da Caixa Econômica Federal, com condições especiais de pagamento.

Entre as medidas apresentadas estão a suspensão temporária das parcelas por seis meses para pessoas físicas e por um ano para empresas.

Lula respondeu afirmando que seu governo já desenvolveu programas de renegociação e defendeu a ampliação dessas iniciativas.

O presidente mencionou uma proposta que permitiria negociar dívidas bancárias com descontos de até 95%, dependendo das condições de cada contrato.

Os dois candidatos defenderam medidas para aliviar o endividamento, mas divergiram sobre a responsabilidade pela situação econômica e sobre os mecanismos de financiamento das propostas.

SUS gera confronto sobre investimentos e atendimento

Na discussão sobre saúde pública, Lula questionou como Flávio Bolsonaro pretende melhorar o Sistema Único de Saúde diante de suas propostas de controle de gastos.

O presidente também criticou a condução da pandemia durante o governo de Jair Bolsonaro.

Flávio respondeu apontando problemas nas filas de atendimento, na disponibilidade de medicamentos e na administração dos recursos públicos.

O senador afirmou que pretende manter e ampliar os investimentos no SUS, além de fortalecer o Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Também prometeu renegociar dívidas das Santas Casas e atualizar a tabela de remuneração dos procedimentos realizados pelo sistema público.

As declarações foram registradas na cobertura do debate publicada pelo g1 e em outros veículos que acompanharam o encontro.

Segurança pública e corrupção ampliam tensão

A segurança pública também provocou divergências.

Flávio defendeu o endurecimento das medidas contra o crime organizado e criticou os resultados das políticas federais de combate à violência.

Lula destacou a necessidade de investimentos, integração entre forças de segurança e atuação contra organizações criminosas.

O presidente também mencionou o caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta durante uma operação policial em Niterói, em 2021. Flávio integrou a defesa do policial acusado, cujo processo ainda não havia sido julgado.

Na etapa final, os candidatos trocaram acusações envolvendo corrupção, o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. As alegações foram apresentadas pelos adversários durante o confronto e não equivalem, por si só, à comprovação de irregularidades.

Último debate acontece dois dias antes da eleição

Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro aconteceu nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e durou pouco mais de duas horas.

Foi a última oportunidade de confronto direto entre os presidenciáveis antes da votação marcada para domingo, 25 de outubro.

Ao longo da noite, propostas para economia, saúde e segurança dividiram espaço com críticas às trajetórias políticas dos candidatos.

O debate evidenciou diferenças nas prioridades anunciadas por Lula e Flávio Bolsonaro, mas também deixou questões em aberto sobre o financiamento e a implementação de algumas promessas.

Com o encerramento do encontro, a decisão sobre o próximo presidente permanece nas mãos dos eleitores brasileiros.

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