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Estados Unidos usam laser militar de alta energia para derrubar três drones ligados a cartéis na fronteira com o México

Uma operação contra drones ligados ao crime organizado mostrou como a fronteira entre Estados Unidos e México está se tornando um laboratório para tecnologias militares cada vez mais sofisticadas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A disputa entre autoridades e organizações criminosas na fronteira dos Estados Unidos com o México ganhou um componente digno de ficção científica. Pequenas aeronaves que podem ser compradas comercialmente passaram a desempenhar funções importantes para redes de contrabando e vigilância. Agora, militares americanos responderam utilizando uma tecnologia muito diferente das armas convencionais, sinalizando que o combate aos drones está entrando em uma nova fase.

Três drones colocaram uma tecnologia militar à prova

Estados Unidos usam laser militar de alta energia para derrubar três drones ligados a cartéis na fronteira com o México
© JESHOOTS.com – Pexels

Entre a noite de terça-feira, 25 de agosto, e a manhã de quarta-feira, 26, forças americanas identificaram três drones que, segundo autoridades militares, estavam relacionados a atividades de cartéis na região da fronteira com o México.

A resposta não envolveu caças, mísseis ou disparos de armas convencionais. Os Estados Unidos recorreram a um sistema de laser de alta energia para neutralizar as três aeronaves.

A operação foi conduzida pela Força-Tarefa Conjunta da Fronteira Sul, unidade vinculada ao Comando Norte dos Estados Unidos, conhecido como USNORTHCOM. As autoridades americanas não divulgaram todos os detalhes sobre a ação nem identificaram quais organizações criminosas estariam por trás dos equipamentos.

Também houve cautela em relação ao ponto exato onde os drones foram interceptados. Questionado sobre se as aeronaves estavam em espaço aéreo americano ou mexicano, o Comando Norte informou que as ações ocorreram de maneira coordenada com parceiros que atuam ao longo da fronteira.

O sigilo, segundo os militares, está relacionado à segurança operacional e às ações que continuam sendo realizadas contra cartéis e aeronaves não tripuladas.

Mas o episódio chama atenção principalmente pela arma escolhida.

O laser transforma energia em uma arma contra pequenos alvos

O equipamento empregado é conhecido como Army Multipurpose High Energy Laser, ou AMP-HEL, um sistema móvel de energia dirigida desenvolvido para enfrentar ameaças aéreas como pequenos drones.

Em vez de lançar um projétil físico contra o alvo, sistemas desse tipo concentram energia sobre pontos específicos da aeronave. Dependendo da intensidade, distância e características do equipamento, o feixe pode danificar componentes essenciais até impedir que o drone continue voando.

Essa característica transforma os lasers em uma alternativa especialmente interessante diante da proliferação de drones relativamente baratos.

Usar um míssil sofisticado para destruir uma pequena aeronave comercial adaptada pode criar uma equação econômica desfavorável. Sistemas de energia dirigida procuram mudar essa lógica, oferecendo uma maneira potencialmente mais eficiente de responder a sucessivas ameaças aéreas.

A fronteira americana vem se tornando um ambiente importante para testar e implementar tecnologias contra drones. Sistemas de detecção, interferência eletrônica e outras ferramentas estão sendo combinados em diferentes camadas de defesa.

O objetivo é encontrar rapidamente uma aeronave suspeita, determinar o nível de ameaça e escolher a maneira mais adequada de neutralizá-la.

O desafio cresce porque os cartéis também estão aprendendo a utilizar melhor essas máquinas.

Por que os cartéis estão olhando cada vez mais para o céu

Estados Unidos usam laser militar de alta energia para derrubar três drones ligados a cartéis na fronteira com o México
© Unsplash

Drones comerciais oferecem características particularmente atraentes para organizações criminosas. São relativamente acessíveis, discretos, fáceis de transportar e capazes de observar grandes áreas sem colocar diretamente uma pessoa em risco.

Autoridades americanas afirmam que redes ligadas aos cartéis vêm utilizando aeronaves não tripuladas para monitorar forças de segurança e facilitar atividades ilícitas, incluindo tráfico de drogas e pessoas.

Especialistas também apontam que esses equipamentos podem acompanhar rotas de patrulhamento e ajudar grupos criminosos a identificar possíveis pontos vulneráveis na vigilância fronteiriça.

Nos Estados Unidos, porém, existe uma distinção importante.

Apesar das preocupações das autoridades, especialistas citados pela imprensa americana afirmam que não há registro de cartéis utilizando drones armados para realizar ataques dentro do território dos Estados Unidos. No México, por outro lado, organizações criminosas já recorreram a drones modificados em confrontos contra grupos rivais.

Isso ajuda a explicar por que Washington observa com atenção a evolução dessa tecnologia.

Um aparelho que inicialmente funciona como ferramenta de reconhecimento pode ganhar novas capacidades conforme os grupos criminosos desenvolvem conhecimento técnico e acesso a equipamentos mais avançados.

A fronteira virou um campo de disputa tecnológica

A Força-Tarefa Conjunta da Fronteira Sul reúne aproximadamente 8 mil integrantes das Forças Armadas americanas e foi criada para apoiar a política de reforço da segurança fronteiriça adotada pelo governo de Donald Trump.

Sua área de atuação envolve uma fronteira terrestre de milhares de quilômetros e uma combinação de missões que inclui vigilância, patrulhamento e cooperação com outras agências.

A chegada de sistemas de energia dirigida acrescenta agora outro elemento a essa estrutura.

Para os militares americanos, a neutralização dos três drones demonstra que tecnologias que durante décadas pareciam pertencer ao futuro estão encontrando aplicações bastante concretas.

Mas também revela uma transformação silenciosa na própria natureza da segurança fronteiriça.

A disputa já não ocorre apenas em estradas, desertos, rios e postos de controle. Ela também acontece no espaço aéreo, envolvendo sensores, sistemas eletrônicos, drones comerciais adaptados e armas capazes de concentrar grandes quantidades de energia em um alvo.

Os três aparelhos destruídos representam uma pequena ocorrência dentro de uma fronteira gigantesca. A tecnologia usada contra eles, porém, sugere algo muito maior: a próxima batalha contra drones baratos pode ser travada com armas que, até pouco tempo atrás, pareciam existir apenas nos filmes.

[Fonte: C3]

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