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Ciência

Estrela explode duas vezes e revela mistério cósmico jamais visto

Astrônomos registraram pela primeira vez a explosão dupla de uma estrela anã branca — um fenômeno raro e espetacular que pode mudar o entendimento sobre as supernovas e até ajudar a medir a expansão do universo. Descubra como essa descoberta pode reescrever parte da história da astronomia.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Por séculos, o que restou da supernova SNR 0509-67.5 intriga os cientistas. Agora, um grupo de astrônomos desvendou um fenômeno inédito ao observar os vestígios dessa explosão estelar: uma anã branca que não explodiu apenas uma, mas duas vezes. A chamada “dupla detonação”, até então apenas teórica, foi confirmada com imagens surpreendentes e pode ter impactos profundos para a cosmologia.

 

O que é uma supernova e o papel das anãs brancas

Supernovas geralmente ocorrem quando estrelas massivas colapsam após esgotarem seu combustível nuclear. No entanto, estrelas menores, como o nosso Sol, têm um fim mais tranquilo, dando origem a anãs brancas, núcleos densos e inativos que permanecem no cosmos. Essas anãs, no entanto, também podem explodir — especialmente se estiverem em sistemas binários.

Quando uma anã branca orbita outra estrela, pode começar a “roubar” material da companheira até atingir uma massa crítica. Esse processo resulta em uma supernova do tipo Ia, conhecida por sua explosão extremamente brilhante e previsível. Essas explosões são fundamentais para medir distâncias no universo e estudar a energia escura.

 

Duas explosões, uma só estrela

Nos últimos anos, os cientistas levantaram a hipótese de que algumas supernovas do tipo Ia podem ser ainda mais complexas do que se pensava. Em certos casos, o material rico em hélio acumulado pela anã branca pode detonar primeiro, provocando uma onda de choque que inicia uma segunda explosão em seu núcleo.

Esse fenômeno — a dupla detonação — deixaria uma assinatura química distinta nos restos da supernova. Até agora, essa teoria nunca havia sido confirmada por evidências diretas.

 

A descoberta no telescópio do ESO

A confirmação veio com o uso do Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO), equipado com o espectroscópio MUSE. Os astrônomos examinaram os restos da supernova SNR 0509-67.5, localizada fora da Via Láctea, e detectaram algo extraordinário: duas camadas concêntricas de cálcio, evidência clara de duas explosões sucessivas.

“Foi a primeira vez que vimos esse padrão em uma supernova”, afirmou o pesquisador Ivo Seitenzahl, do Instituto de Estudos Teóricos de Heidelberg, na Alemanha. Segundo ele, o achado prova que anãs brancas podem explodir antes mesmo de atingirem o limite de massa de Chandrasekhar, o ponto tradicionalmente considerado como necessário para desencadear uma supernova.

 

Por que isso é importante para o universo

Além de sua beleza visual — com camadas químicas coloridas como um espetáculo cósmico — a descoberta tem grandes implicações para a ciência. As supernovas do tipo Ia são usadas como “velas padrão” para medir a expansão do universo e entender a misteriosa energia escura. Compreender melhor como elas realmente acontecem ajuda os cientistas a refinar essas medições com mais precisão.

Segundo Priyam Das, pesquisador da Universidade de New South Wales, na Austrália, “essa evidência palpável não só resolve um mistério antigo, como também oferece um espetáculo visual maravilhoso”. A estrutura em camadas da explosão é tão bela quanto científica, uma lembrança de que o universo ainda guarda muitos segredos — e beleza — à espera de serem descobertos.

 

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