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Ciência

Existe um limite para consumir notícias? A ciência diz que sim

Em situações de emergência, buscar notícias parece inevitável. Mas um comportamento cada vez mais comum pode transformar a necessidade de informação em um ciclo que afeta o sono, o humor e a saúde mental.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando uma tragédia acontece, milhões de pessoas recorrem imediatamente ao celular em busca de respostas. A necessidade de entender o que está acontecendo é natural, mas existe um limite em que a informação deixa de tranquilizar e passa a alimentar a ansiedade. Especialistas alertam que esse comportamento, impulsionado pelas redes sociais e pelo fluxo constante de notícias, pode se transformar em um hábito prejudicial com impactos reais no bem-estar.

Quando acompanhar as notícias deixa de ser saudável

Grandes desastres costumam provocar uma reação quase automática: abrir aplicativos de notícias, atualizar as redes sociais e procurar informações a cada minuto. Foi exatamente o que aconteceu após o forte terremoto que atingiu a Venezuela em junho de 2026, deixando milhares de mortos, feridos, edifícios danificados e prejuízos bilionários.

Em meio ao cenário de incerteza, milhões de pessoas passaram horas diante da tela tentando entender a dimensão da tragédia. O problema é que essa busca incessante pode evoluir para um comportamento conhecido como doomscrolling.

O termo, definido pelo Dicionário Cambridge, descreve o hábito de passar longos períodos navegando por notícias negativas ou preocupantes em celulares e computadores. Embora pareça apenas uma forma de se manter informado, especialistas afirmam que essa prática pode afetar diretamente a saúde mental.

 

Segundo a Clínica Mayo, o fenômeno ganhou força durante os primeiros meses da pandemia de Covid-19. Com o isolamento social e a avalanche de informações sobre o vírus, muitas pessoas passaram a alternar continuamente entre notícias, redes sociais e novos conteúdos em uma tentativa de encontrar respostas. Em vez de reduzir a ansiedade, porém, esse comportamento criou um ciclo difícil de interromper.

Por que nosso cérebro insiste em procurar más notícias

À primeira vista, acompanhar os acontecimentos parece uma atitude racional. Afinal, entender uma situação de risco ajuda na tomada de decisões. O problema surge quando a necessidade de informação se transforma em uma busca compulsiva.

A Mental Health Foundation explica que o doomscrolling normalmente começa porque queremos compreender melhor o que está acontecendo, sentir que mantemos algum controle sobre a situação ou simplesmente evitar perder informações importantes.

Com notificações chegando a qualquer hora e atualizações praticamente instantâneas, torna-se fácil consumir uma notícia negativa atrás da outra sem sequer perceber quanto tempo passou.

O resultado é um hábito automático. O que deveria trazer esclarecimento passa a aumentar a sensação de impotência, preocupação e sobrecarga emocional.

Esse cenário é reforçado pela forma como consumimos informação atualmente. O Digital News Report 2026, do Instituto Reuters, mostra que as pessoas passam, em média, entre quatro e cinco horas por dia diante de dispositivos eletrônicos. Pela primeira vez, redes sociais e plataformas de vídeo superaram os sites e aplicativos tradicionais de notícias como principal fonte de informação, movimento observado em praticamente todas as faixas etárias.

Os sinais de que o doomscrolling está afetando sua saúde mental

Existe um limite para consumir notícias? A ciência diz que sim
© Liza Summer – Pexels

Nem sempre é fácil perceber quando o hábito deixou de ser saudável. Como acontece de maneira automática, muitas pessoas só identificam o problema depois que começam a sentir seus efeitos.

Entre os sinais mais frequentes apontados pela Mental Health Foundation estão a ansiedade após ler notícias, sensação constante de tensão, tristeza ou desânimo, além da dificuldade de interromper a navegação mesmo depois de ultrapassar o tempo inicialmente planejado.

Outro comportamento comum é verificar atualizações diversas vezes por hora, mesmo sem haver novidades relevantes. Muitas pessoas também relatam sensação de esgotamento emocional ou uma espécie de insensibilidade depois de permanecer muito tempo consumindo conteúdos negativos.

A Clínica Mayo destaca ainda outro impacto importante: o prejuízo ao sono. Quando o hábito acontece pouco antes de dormir, o cérebro permanece em estado de alerta, dificultando o relaxamento e comprometendo a qualidade do descanso.

Além disso, o excesso de tempo diante das telas pode reduzir o convívio com amigos e familiares, diminuir a prática de atividades físicas e limitar momentos de lazer, fatores que normalmente ajudam a controlar o estresse e preservar o equilíbrio emocional.

Pequenas mudanças podem quebrar esse ciclo

Especialistas afirmam que não é necessário deixar de acompanhar as notícias, mas sim estabelecer limites para que a informação continue sendo útil em vez de se tornar uma fonte permanente de ansiedade.

A Clínica Mayo recomenda fazer perguntas simples durante a navegação: aquele conteúdo realmente ajuda a tomar alguma decisão ou apenas desperta emoções negativas? Depois de ler as notícias, você se sente melhor ou pior? O tempo gasto nas redes está substituindo outras atividades importantes?

Já a Mental Health Foundation sugere medidas práticas para reduzir o impacto do doomscrolling. Entre elas estão desativar notificações de aplicativos de notícias e redes sociais, utilizar um despertador tradicional para evitar dormir com o celular ao lado da cama, personalizar o conteúdo exibido nas plataformas e deixar de seguir perfis que alimentem excesso de negatividade.

Também vale estabelecer horários específicos para consultar notícias, usar temporizadores para limitar o tempo de navegação e criar ambientes da casa onde o uso do celular não seja permitido.

Em um mundo conectado praticamente o tempo todo, informar-se continua sendo importante. O desafio é impedir que a busca por respostas se transforme em um ciclo interminável de preocupação. Saber a hora de desligar a tela também faz parte de cuidar da própria saúde mental.

[Fonte: mala espina]

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