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Ciência

Fragmentos antigos revelam segredos do interior de Marte

Um estudo publicado na revista Science revelou que o manto de Marte abriga enormes fragmentos rochosos, vestígios de impactos colossais ocorridos há cerca de 4,5 bilhões de anos. Essas descobertas foram possíveis graças aos dados do módulo InSight, da NASA, que encerrou sua missão em 2022, e oferecem pistas inéditas sobre a história e a formação do planeta vermelho.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os pesquisadores acreditam que esses blocos, com até 4 quilômetros de largura, foram empurrados para o interior do planeta após uma série de gigantescos bombardeios de asteroides e protoplanetas durante a formação do Sistema Solar.

Como os fragmentos foram parar no manto de Marte

Camadas de argila descobertas em Marte estão dando pistas intrigantes sobre o que pode ter existido por lá há bilhões de anos
© https://x.com/SpaceToday1/

Nos primeiros estágios do Sistema Solar, Marte foi atingido por diversos asteroides gigantes e até mesmo corpos do tamanho de pequenos planetas. Os impactos foram tão intensos que criaram vastos oceanos de magma.

Segundo o pesquisador Constantinos Charalambous, autor principal do estudo e membro do Imperial College de Londres, esse magma derretido incorporou pedaços dos asteroides e do próprio Marte, empurrando-os para o interior. Com o resfriamento, os fragmentos se cristalizaram e ficaram preservados no manto marciano.

“À medida que esses oceanos de magma se resfriaram e cristalizaram, deixaram para trás pedaços de material com composição distinta — e acreditamos que são esses blocos que estamos detectando agora”, explica Charalambous.

Uma janela inédita para o interior do planeta

Ao contrário da Terra, Marte não possui placas tectônicas. Isso significa que as estruturas rochosas formadas há bilhões de anos permaneceram praticamente intactas.

“Nunca tínhamos visto o interior de um planeta com tanto detalhe e clareza”, afirma Charalambous, em comunicado da NASA.
“O que encontramos é um manto coberto por fragmentos antigos, que permaneceram preservados por bilhões de anos.”

Enquanto na Terra as placas tectônicas reciclam constantemente o material rochoso, apagando evidências do passado, Marte oferece uma linha do tempo intacta da sua própria evolução.

O papel dos martemotos na descoberta

A grande virada na pesquisa veio em 2018, quando a missão InSight instalou o primeiro sismômetro na superfície marciana. Durante quatro anos, o módulo registrou 1.319 martemotos — o equivalente a terremotos em Marte.

Essas ondas sísmicas permitiram aos cientistas mapear o tamanho, a profundidade e a composição da crosta, do manto e do núcleo marciano.

Ao analisar oito desses martemotos em detalhe, os pesquisadores perceberam que as ondas de alta frequência desaceleravam ao atravessar certas regiões do manto, indicando a presença de materiais com composições diferentes.

“No início, pensamos que as alterações estavam na crosta marciana”, explica o cientista Tom Pike, coautor do estudo. “Mas quanto mais as ondas viajavam pelo manto, mais se atrasavam, mostrando que havia algo incomum ali.”

O que Marte pode revelar sobre outros planetas

Marte
© NASA

Além de revelar detalhes inéditos sobre o passado marciano, os cientistas acreditam que a descoberta pode ajudar a entender a estrutura interna de outros planetas rochosos do Sistema Solar, como Vênus e Mercúrio.

“O fato de essas estruturas ainda estarem preservadas mostra que Marte não passou por um processo de mistura intenso, como acontece na Terra”, destaca Charalambous.

Isso significa que o planeta vermelho guarda um registro quase intacto de sua formação — e, por tabela, pode oferecer pistas valiosas sobre a evolução de outros mundos sem placas tectônicas.


Graças aos dados do módulo InSight, cientistas descobriram enormes fragmentos rochosos presos no manto de Marte há 4,5 bilhões de anos. A análise de martemotos revelou detalhes inéditos sobre a formação do planeta e pode ajudar a entender a estrutura interna de outros mundos rochosos, como Vênus e Mercúrio.

 

[ Fonte: DW ]

 

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