Os pesquisadores acreditam que esses blocos, com até 4 quilômetros de largura, foram empurrados para o interior do planeta após uma série de gigantescos bombardeios de asteroides e protoplanetas durante a formação do Sistema Solar.
Como os fragmentos foram parar no manto de Marte

Nos primeiros estágios do Sistema Solar, Marte foi atingido por diversos asteroides gigantes e até mesmo corpos do tamanho de pequenos planetas. Os impactos foram tão intensos que criaram vastos oceanos de magma.
Segundo o pesquisador Constantinos Charalambous, autor principal do estudo e membro do Imperial College de Londres, esse magma derretido incorporou pedaços dos asteroides e do próprio Marte, empurrando-os para o interior. Com o resfriamento, os fragmentos se cristalizaram e ficaram preservados no manto marciano.
“À medida que esses oceanos de magma se resfriaram e cristalizaram, deixaram para trás pedaços de material com composição distinta — e acreditamos que são esses blocos que estamos detectando agora”, explica Charalambous.
Uma janela inédita para o interior do planeta
Ao contrário da Terra, Marte não possui placas tectônicas. Isso significa que as estruturas rochosas formadas há bilhões de anos permaneceram praticamente intactas.
“Nunca tínhamos visto o interior de um planeta com tanto detalhe e clareza”, afirma Charalambous, em comunicado da NASA.
“O que encontramos é um manto coberto por fragmentos antigos, que permaneceram preservados por bilhões de anos.”
Enquanto na Terra as placas tectônicas reciclam constantemente o material rochoso, apagando evidências do passado, Marte oferece uma linha do tempo intacta da sua própria evolução.
O papel dos martemotos na descoberta
A grande virada na pesquisa veio em 2018, quando a missão InSight instalou o primeiro sismômetro na superfície marciana. Durante quatro anos, o módulo registrou 1.319 martemotos — o equivalente a terremotos em Marte.
Essas ondas sísmicas permitiram aos cientistas mapear o tamanho, a profundidade e a composição da crosta, do manto e do núcleo marciano.
Ao analisar oito desses martemotos em detalhe, os pesquisadores perceberam que as ondas de alta frequência desaceleravam ao atravessar certas regiões do manto, indicando a presença de materiais com composições diferentes.
“No início, pensamos que as alterações estavam na crosta marciana”, explica o cientista Tom Pike, coautor do estudo. “Mas quanto mais as ondas viajavam pelo manto, mais se atrasavam, mostrando que havia algo incomum ali.”
O que Marte pode revelar sobre outros planetas

Além de revelar detalhes inéditos sobre o passado marciano, os cientistas acreditam que a descoberta pode ajudar a entender a estrutura interna de outros planetas rochosos do Sistema Solar, como Vênus e Mercúrio.
“O fato de essas estruturas ainda estarem preservadas mostra que Marte não passou por um processo de mistura intenso, como acontece na Terra”, destaca Charalambous.
Isso significa que o planeta vermelho guarda um registro quase intacto de sua formação — e, por tabela, pode oferecer pistas valiosas sobre a evolução de outros mundos sem placas tectônicas.
Graças aos dados do módulo InSight, cientistas descobriram enormes fragmentos rochosos presos no manto de Marte há 4,5 bilhões de anos. A análise de martemotos revelou detalhes inéditos sobre a formação do planeta e pode ajudar a entender a estrutura interna de outros mundos rochosos, como Vênus e Mercúrio.
[ Fonte: DW ]