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Ciência

O asteroide que eliminou 75% das espécies pertencia a uma família extremamente rara

Análise de isótopos de níquel revelou novos detalhes sobre a composição do objeto que atingiu a Terra há 66 milhões de anos e mudou a história da vida no planeta
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Tempo de leitura: 3 minutos

Há cerca de 66 milhões de anos, um asteroide com aproximadamente 10 a 15 quilômetros de diâmetro atingiu a região onde hoje fica a península de Yucatán, no México. O impacto formou a cratera de Chicxulub e desencadeou mudanças ambientais globais associadas à extinção de aproximadamente 75% das espécies, incluindo os dinossauros não avianos.

Agora, cientistas conseguiram descobrir mais sobre a identidade desse visitante espacial. Uma análise química indica que ele pertencia a um grupo particularmente raro de asteroides, responsável por apenas uma pequena fração dos materiais desse tipo encontrados na Terra.

O asteroide praticamente desapareceu no impacto

Colisão De Asteroide Com A Lua
© forplayday – Getty Images

Descobrir a composição do objeto de Chicxulub não é uma tarefa simples. O asteroide viajava a uma velocidade estimada em cerca de 64 mil km/h quando atingiu a Terra.

A energia liberada foi tão grande que praticamente todo o objeto foi vaporizado.

Mesmo assim, pequenas pistas sobreviveram. Uma delas está em uma fina camada de sedimentos encontrada em diferentes regiões do planeta e associada ao limite entre os períodos Cretáceo e Paleógeno.

Esse material contém vestígios químicos deixados pelo impacto. Embora representem apenas uma pequena quantidade do asteroide original, eles funcionam como uma espécie de impressão digital capaz de revelar sua composição.

Em um novo estudo publicado na revista Science Advances, pesquisadores analisaram com alta precisão os isótopos de níquel encontrados nessas amostras.

Uma família que representa apenas uma pequena parcela dos asteroides

Os isótopos são versões de um mesmo elemento químico que apresentam diferentes massas. Suas proporções podem variar entre materiais formados em diferentes regiões e condições do Sistema Solar.

Ao comparar essa assinatura química, os pesquisadores concluíram que o asteroide de Chicxulub provavelmente era uma condrita carbonácea do tipo CO, também conhecida como condrita de Ornans.

Trata-se de um tipo particularmente raro.

As condritas carbonáceas representam aproximadamente 5% dos meteoritos encontrados na Terra, enquanto as condritas CO correspondem apenas a uma pequena parcela desse grupo.

Esses objetos também são considerados extremamente primitivos. Sua composição preserva informações químicas dos primeiros estágios de formação do Sistema Solar, há bilhões de anos.

Descoberta muda uma peça do quebra-cabeça da extinção

Determinar a composição do asteroide também pode ajudar a entender melhor o que aconteceu depois da colisão.

As condritas CO possuem quantidades relativamente pequenas de elementos voláteis, incluindo carbono, zinco, água e, principalmente, enxofre.

Esse último elemento é importante porque grandes quantidades de compostos de enxofre lançadas na atmosfera podem bloquear parte da luz solar e provocar um resfriamento global.

Se o asteroide continha relativamente pouco enxofre, porém, ele provavelmente não foi a principal fonte desse material durante a catástrofe.

Nesse cenário, boa parte do enxofre teria vindo das próprias rochas da região atingida pelo objeto.

O impacto também lançou enormes quantidades de poeira e partículas microscópicas na atmosfera. Parte desse material permaneceu suspensa, reduzindo a quantidade de luz solar que chegava à superfície.

Menos luz significava temperaturas mais baixas e dificuldades para a fotossíntese. A perda de plantas e organismos fotossintéticos teria provocado uma reação em cadeia nas redes alimentares de diferentes ecossistemas.

De onde veio o asteroide de Chicxulub?

Um asteroide do tamanho de um avião se aproxima da Terra. A NASA monitora sua trajetória a 32 mil km por hora
© Getty Images / Science Photo Library – ANDRZEJ WOJCICKI.

A assinatura química ainda não permite determinar exatamente onde o asteroide se formou.

Uma possibilidade é que ele tenha surgido em regiões mais distantes do Sistema Solar primitivo. Outra aponta para as partes externas do cinturão de asteroides, próximas à órbita de Júpiter.

O mais impressionante é que essas informações foram reconstruídas a partir de quantidades minúsculas de material.

O asteroide que mudou a história da vida terrestre desapareceu quase completamente segundos depois de atingir o planeta. Mas sua assinatura química permaneceu preservada nos sedimentos por 66 milhões de anos.

Agora, esses vestígios revelam que o objeto responsável por uma das maiores extinções da história da Terra pertencia a uma família especialmente rara de rochas espaciais.

 

[ Fonte: La Razón ]

 

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