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Jamie Campbell Bower explica como Vecna se tornou três personagens em um só na temporada final de Stranger Things — e por que isso foi o maior desafio da série

Com a maior parte da quinta temporada de Stranger Things já disponível, o vilão Vecna ganha novas camadas inesperadas. Em entrevista, Jamie Campbell Bower revela como construiu três identidades distintas dentro de um único personagem e por que essa jornada emocional foi a mais complexa de sua carreira.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Se você não esteve literalmente em coma nos últimos tempos, já sabe que a Netflix lançou quase toda a quinta e última temporada de Stranger Things, deixando o episódio final marcado para 31 de dezembro. Mas, enquanto o público aguarda respostas definitivas, uma coisa já ficou clara: Vecna não é apenas o grande vilão da série — ele é, talvez, seu personagem mais complexo até agora.

Três rostos para um mesmo vilão

Interpretado por Jamie Campbell Bower, Vecna foi apresentado na quarta temporada como uma figura monstruosa, quase mitológica. No entanto, a temporada final amplia esse retrato ao mostrar que ele abriga pelo menos três identidades distintas. Além do próprio Vecna — uma criatura completamente desumanizada —, existe Henry Creel, sua forma humana original, e uma terceira persona: o enigmático Sr. Whatsit.

Essa nova identidade, inspirada livremente em A Wrinkle in Time, surge como uma figura aparentemente protetora e gentil, usada para manipular as crianças que Vecna precisa para colocar seu plano final em prática. O resultado é um antagonista que oscila entre fragilidade, fúria e uma crueldade quase abstrata.

Um personagem que cresceu fora do roteiro

Em entrevista ao site Deadline, Bower contou que essa complexidade não estava totalmente planejada desde o início. Segundo ele, a decisão de expandir o papel aconteceu no fim das filmagens da quarta temporada, quando os criadores da série, Matt Duffer e Ross Duffer, perceberam que havia mais espaço para explorar o ator além da máscara do vilão.

“Eles me disseram que sempre planejavam trazer Vecna de volta, mas agora queriam me trazer mais ‘como eu’”, relembrou o ator. A partir daí, a evolução do personagem aconteceu de forma orgânica, nos intervalos entre uma temporada e outra, sem que tudo fosse rigidamente apresentado desde o começo.

Emoção, corpo e pequenas diferenças

Para dar vida a essas múltiplas versões, Bower precisou trabalhar em duas frentes principais: emocional e física. Ele explica que Henry, Whatsit e Vecna compartilham uma essência, mas se expressam de formas diferentes — às vezes quase imperceptíveis.

No caso de Henry e Whatsit, a distinção veio de nuances emocionais e da linguagem corporal. Para isso, o ator contou com a ajuda de um profissional vindo do universo dos videogames, que aplicou técnicas baseadas em “nodes”: pontos-chave de movimento e postura que servem como âncoras físicas para cada persona. Essa preparação aconteceu fora do set, antes mesmo das gravações das cenas mais delicadas.

Vecna: o abandono completo da humanidade

Já Vecna representa o estágio final dessa transformação. Totalmente afastado da empatia humana, ele é descrito por Bower como alguém incapaz de sentir algo próximo do amor. Ainda assim, o ator afirma que precisou encontrar humanidade até mesmo aí — não para justificar seus atos, mas para compreendê-los.

Segundo ele, o núcleo emocional do personagem gira em torno de solidão e uma busca distorcida por salvação. Para interpretá-lo com honestidade, Bower precisou “se apaixonar” por Henry Creel, desejar protegê-lo e cuidar dele, mesmo conhecendo o destino sombrio que o aguardava.

O que o público vai levar dessa história

Mesmo após o fim das gravações, Bower admite que ainda não sabe como o público vai reagir a esse vilão multifacetado. Ele diz precisar de distância e tempo para assistir à série como espectador e entender o impacto emocional dessa trajetória.

O último episódio de Stranger Things estreia em 31 de dezembro na Netflix, encerrando uma das séries mais influentes da última década — e deixando Vecna como um dos antagonistas mais complexos já criados para a televisão recente.

 

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