O último debate presidencial do segundo turno deverá receber candidatos pressionados pelas próprias equipes a corrigir falhas. Após o confronto de 18 de outubro, assessores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) identificaram dificuldades na comunicação com o público moderado. O diagnóstico relatado pela CNN aponta problemas diferentes em cada lado, mas uma preocupação comum: transformar o tempo de televisão em uma oportunidade de ampliar apoio.
Campanhas identificam falhas diferentes

Segundo a apuração de Gustavo Uribe sobre os ajustes para o debate final, a equipe de Flávio considera necessário apresentar respostas mais diretas. Os gestos realizados atrás de Lula também dividiram aliados, que avaliaram possíveis efeitos negativos dessa postura.
No caso do presidente, assessores apontaram dificuldade para aproveitar o tempo disponível e conduzir a discussão. A avaliação interna foi de que responder às provocações do adversário consumiu espaço que poderia servir à apresentação de propostas.
As conclusões mencionadas pela reportagem vieram de consultas informais nas redes sociais e com grupos de eleitores. Portanto, representam avaliações das campanhas, sem demonstrar, por si só, uma mudança nas intenções de voto.
A expectativa é que ambos passem por novos treinamentos antes do encontro da Globo, marcado para sexta-feira, 23 de outubro.
Orientação a Flávio já previa menos agressividade

A preocupação com o comportamento do candidato do PL antecede o debate da Band. Em reportagem publicada em 16 de outubro, a CNN informou que aliados defendiam uma postura propositiva, com críticas pontuais ao adversário.
A orientação buscava preservar o apoio de eleitores moderados e evitar que os ataques dominassem a apresentação do senador. A campanha também pretendia reforçar compromissos com a manutenção de benefícios sociais.
Entre as iniciativas em preparação estavam propostas de crédito para mulheres que desejam abrir negócios e medidas relacionadas ao enfrentamento do feminicídio. Esses temas faziam parte do esforço para apresentar compromissos concretos durante a reta final.
O contraste entre o planejamento anterior e a avaliação posterior mostra que as críticas internas envolvem também a execução da estratégia diante das câmeras.
Lula também havia sido aconselhado a priorizar o futuro

Antes do primeiro confronto, aliados do presidente defendiam que ele dedicasse mais tempo ao que pretendia realizar em um novo mandato. A recomendação era reduzir o espaço ocupado por discussões sobre o governo anterior.
Uma reportagem sobre a preparação das duas campanhas mostrava que ambas desejavam evitar ataques pessoais e diminuir o risco de erros.
A equipe de Flávio organizava sua participação em torno de segurança pública, saúde e economia. Na saúde, pretendia abordar filas por exames e cirurgias, além da digitalização do atendimento. Na economia, o planejamento incluía discutir custo de vida e tributação.
Para Lula, a orientação de falar sobre presente e futuro buscava abrir espaço para explicar suas prioridades. As avaliações divulgadas depois do confronto indicam que esse objetivo não se concretizou como seus assessores esperavam.
Com poucos dias até o próximo encontro, as equipes agora tentam fazer os candidatos cumprir uma recomendação que já existia antes da Band: apresentar propostas com clareza e administrar melhor as provocações do adversário.