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Ciência

Musk quer uma cidade autossuficiente na Lua em 10 anos — mas a água pode acabar muito antes

Elon Musk pretende construir uma cidade capaz de crescer sozinha na Lua em menos de uma década. Um novo estudo, porém, calcula que uma população de 1 milhão de pessoas poderia esgotar rapidamente as reservas de água lunar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Elon Musk tem um plano ambicioso para a Lua. O fundador e CEO da SpaceX afirmou neste ano que sua empresa pretende construir uma “cidade autossuficiente e em crescimento” na superfície lunar em menos de dez anos.

Transformar essa visão em realidade dependerá de algo muito mais básico do que foguetes: água.

Cientistas acreditam que enormes depósitos de gelo estejam escondidos em regiões permanentemente sombreadas dos polos lunares. Essas reservas poderiam fornecer água potável, ajudar na produção de alimentos e até servir como matéria-prima para produzir combustível.

O problema é a quantidade disponível. Um estudo publicado na revista Frontiers in Space Technologies sugere que as reservas conhecidas podem ser insuficientes para sustentar uma grande cidade lunar por longos períodos.

A Lua pode ter centenas de milhões de toneladas de gelo

Pouco depois da formação da Lua, asteroides ricos em água atingiram sua superfície. Parte desse material pode ter ficado presa em crateras próximas aos polos.

Algumas dessas crateras possuem regiões onde a luz solar praticamente nunca chega. Com temperaturas extremamente baixas, o gelo conseguiu permanecer preservado durante bilhões de anos.

As estimativas atuais apontam para cerca de 600 milhões de toneladas de gelo nessas regiões, embora exista uma enorme incerteza sobre a quantidade realmente acessível.

Para realizar os cálculos, os pesquisadores foram ainda mais otimistas e consideraram uma reserva de 1 bilhão de toneladas.

Mesmo assim, o resultado não foi animador para quem imagina grandes cidades lunares.

Uma cidade de 1 milhão de pessoas consumiria tudo rapidamente

Os pesquisadores compararam os recursos disponíveis na Lua com as necessidades de uma cidade de aproximadamente 1 milhão de habitantes.

Sem um sistema extremamente eficiente de reaproveitamento, uma população desse tamanho poderia consumir toda a água lunar estimada em apenas alguns anos.

E existe uma possibilidade ainda pior.

Os próprios autores reconhecem que a quantidade real de água pode ser entre 20 e 30 vezes menor do que a estimativa mais otimista usada nos cálculos.

Isso mostra como uma cidade lunar dependeria de sistemas de reciclagem muito mais rigorosos do que aqueles utilizados na Terra.

Reciclar 98% da água compraria mais de um século

Os cientistas também simularam um cenário semelhante ao da Estação Espacial Internacional, onde praticamente toda a água possível é reaproveitada.

Com uma eficiência de reciclagem de aproximadamente 98%, a situação muda radicalmente.

Nesse cenário, uma cidade de 1 milhão de habitantes poderia sobreviver por pouco mais de um século antes de esgotar as reservas consideradas no estudo.

Ainda assim, isso estaria longe da ideia de uma cidade capaz de crescer indefinidamente utilizando apenas recursos locais.

Além disso, a água seria necessária para muito mais do que beber. Uma comunidade permanente precisaria dela para higiene, produção de alimentos, processos industriais e possivelmente para fabricar oxigênio e combustível.

Uma pequena vila lunar parece muito mais realista

Os resultados não significam que viver permanentemente na Lua seja impossível.

Uma comunidade menor, com algo entre 1.000 e 10.000 habitantes, poderia ser muito mais sustentável. Segundo os pesquisadores, as reservas disponíveis poderiam abastecer uma população desse tamanho durante vários séculos, especialmente com sistemas eficientes de reciclagem.

Esse modelo também estaria mais próximo dos planos iniciais de estabelecer bases científicas permanentes.

Uma pequena instalação poderia receber astronautas, pesquisadores e trabalhadores responsáveis pela exploração da superfície sem exigir os recursos necessários para sustentar uma metrópole.

Encontrar mais água pode decidir o futuro da Lua

Existem algumas soluções possíveis para aumentar a capacidade de uma futura cidade lunar.

Sistemas de reciclagem poderiam se tornar ainda mais eficientes, enquanto o consumo individual de água poderia ser drasticamente reduzido. Outra possibilidade seria importar água de asteroides próximos ou encontrar depósitos lunares ainda desconhecidos.

É justamente esse último ponto que os pesquisadores consideram fundamental.

Antes de pensar em cidades com centenas de milhares ou milhões de habitantes, será necessário descobrir exatamente quanta água existe na Lua, onde ela está localizada e quanto desse gelo pode realmente ser extraído.

A tecnologia para chegar à Lua está avançando rapidamente. Mas construir uma cidade permanente exige algo que nenhum foguete consegue substituir: recursos suficientes para manter seus habitantes vivos.

E, pelo que sabemos até agora, a Lua talvez simplesmente não tenha água suficiente para sustentar a cidade gigantesca imaginada por Musk.

 

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