A NASA está nos preparativos finais para lançar o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, uma missão que promete revolucionar a astronomia ao investigar alguns dos maiores mistérios do Universo. O observatório será responsável por estudar a expansão acelerada do cosmos, analisar a distribuição da matéria escura e realizar um amplo levantamento de exoplanetas.
O lançamento está programado para 30 de agosto, quando um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, decolará do Complexo de Lançamento 39A do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O telescópio homenageia Nancy Grace Roman, considerada a primeira astrônoma-chefe da NASA e uma das principais responsáveis pelo desenvolvimento do Telescópio Espacial Hubble.
Quais serão as capacidades do Telescópio Roman?
O Roman contará com dois instrumentos principais: o Wide Field Instrument (Instrumento de Campo Amplo) e um coronógrafo, desenvolvido como demonstração tecnológica para futuras missões.
O Instrumento de Campo Amplo será o principal equipamento científico da missão. Graças ao seu enorme campo de visão, ele conseguirá observar áreas muito maiores do céu em menos tempo do que outros telescópios espaciais.
Durante a missão, esse instrumento deverá medir a luz emitida por cerca de 1 bilhão de galáxias. Além disso, realizará um levantamento do efeito de microlente gravitacional na Via Láctea em busca de mais de 1.000 exoplanetas.
Já o coronógrafo permitirá obter imagens de altíssimo contraste e realizar espectroscopia de exoplanetas próximos.
Seu funcionamento consiste em bloquear a intensa luz emitida pelas estrelas, possibilitando observar diretamente planetas e discos de formação planetária que normalmente permaneceriam ocultos.
Missão vai investigar a energia escura e a evolução do Universo
🔭 NASA's next space telescope could transform how we see the universe. The Nancy Grace Roman Space Telescope will survey billions of galaxies across an area far larger than Hubble could observe in a single view, helping scientists investigate dark energy, discover new… pic.twitter.com/LcutE8iE1x
— Stellarix (@Stellarixorine) July 21, 2026
Um dos principais objetivos científicos do Roman será entender por que a expansão do Universo continua acelerando.
Uma das hipóteses mais aceitas é a existência da chamada energia escura, uma forma desconhecida de energia que representaria cerca de 70% do conteúdo do cosmos.
Para investigar esse fenômeno, o telescópio mapeará a distribuição da matéria em larga escala e analisará como o Universo se expandiu ao longo da história cósmica.
O observatório estudará galáxias desde os dias atuais até uma época em que o Universo tinha apenas 500 milhões de anos, aproximadamente 4% de sua idade atual.
Para isso, utilizará diferentes métodos científicos, incluindo:
- observação de supernovas;
- estudo de aglomerados de galáxias;
- mapas tridimensionais da distribuição das galáxias;
- medições do desvio para o vermelho (redshift) de milhões de galáxias.
O Roman também medirá a distribuição da matéria em centenas de milhões de galáxias distantes utilizando o efeito de lente gravitacional fraca, técnica que permite reconstruir a estrutura do Universo em grande escala.
Como o telescópio Roman vai encontrar exoplanetas?
Para localizar planetas fora do Sistema Solar, o Roman utilizará o fenômeno conhecido como microlente gravitacional.
Nesse processo, uma estrela localizada em primeiro plano funciona como uma lente natural.
Quando ela se alinha perfeitamente com outra estrela muito mais distante, sua gravidade amplia e distorce a luz da estrela ao fundo. Pequenas alterações nesse brilho podem revelar a presença de planetas orbitando a estrela que atua como lente.
Esses alinhamentos costumam durar apenas algumas horas, o que exige observações extremamente precisas.
Durante esse levantamento, o Roman acompanhará aproximadamente 100 milhões de estrelas ao longo de centenas de dias e deverá descobrir cerca de 2.500 exoplanetas.
Segundo as estimativas da missão, o telescópio será capaz de detectar mundos menores que Marte e planetas localizados desde órbitas mais próximas de suas estrelas do que Vênus até regiões mais distantes do que Plutão.
Missão poderá durar até dez anos
A missão principal do Telescópio Roman está prevista para durar cinco anos, mas poderá ser estendida por mais cinco, dependendo das condições do observatório.
Após o processamento, todos os dados científicos serão disponibilizados publicamente, permitindo que pesquisadores do mundo inteiro utilizem as informações em seus próprios estudos.
Além disso, o programa General Investigator permitirá que cientistas proponham novas observações utilizando o telescópio para investigar diferentes fenômenos do Universo.
Com sua combinação de instrumentos avançados e grandes levantamentos astronômicos, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman deverá oferecer uma das visões mais completas já obtidas do cosmos, ajudando os pesquisadores a compreender como o Universo evoluiu e qual poderá ser seu destino no futuro.
[ Fonte: Infobae ]