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Ciência

NASA revela imagem incomum da Terra que mostra algo invisível aos nossos olhos

A NASA divulgou uma representação tridimensional do campo gravitacional da Terra que surpreendeu pelo formato irregular. O mapa revela como a massa escondida no interior do planeta influencia a gravidade.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando pensamos na Terra vista do espaço, imaginamos uma esfera quase perfeita coberta por oceanos e continentes. Mas uma nova representação divulgada pela NASA mostra um planeta muito diferente do que estamos acostumados a ver. A imagem não retrata a superfície terrestre, e sim seu campo gravitacional, revelando deformações invisíveis que ajudam os cientistas a compreender desde a circulação da água até as mudanças provocadas pelo clima.

A imagem mostra a gravidade da Terra, não sua aparência

NASA revela imagem incomum da Terra que mostra algo invisível aos nossos olhos
© Unsplash

A representação divulgada pela NASA chamou a atenção por apresentar um formato bastante irregular.

À primeira vista, ela parece retratar um planeta cheio de ondulações, saliências e depressões.

Na realidade, porém, o gráfico não mostra a aparência física da Terra.

O modelo representa o chamado geoide, uma superfície teórica que indica como seria o nível médio dos oceanos caso as águas permanecessem completamente imóveis, sem a influência de marés, ventos ou correntes marítimas.

Essa superfície é moldada exclusivamente pela força da gravidade exercida pela distribuição de massa no interior do planeta.

Por isso, ela revela características invisíveis da Terra que não podem ser observadas em fotografias convencionais feitas do espaço.

Montanhas escondidas e vales invisíveis moldam o campo gravitacional

Segundo especialistas da NASA, o interior da Terra não possui uma distribuição uniforme de materiais.

Grandes concentrações de rochas, magma e outras estruturas geológicas alteram ligeiramente a intensidade da gravidade em diferentes regiões do planeta.

Essas pequenas variações fazem com que o geoide apresente uma espécie de relevo gravitacional.

Michael Watkins, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, explica que o campo gravitacional terrestre possui “colinas” e “vales” provocados justamente por essas diferenças de massa.

Regiões com maior concentração de material, como a Cordilheira dos Andes e o Himalaia, exercem uma atração gravitacional um pouco maior e aparecem destacadas em tons avermelhados.

Já áreas de menor densidade, como partes do oceano Índico e da bacia do rio Congo, surgem em azul, indicando uma gravidade relativamente mais fraca.

Para tornar essas diferenças perceptíveis, os cientistas ampliaram a escala vertical entre 7 mil e 10 mil vezes, já que, na realidade, essas variações são extremamente pequenas.

Mais de um bilhão de medições foram necessárias para construir o mapa

Produzir essa representação exigiu um enorme volume de dados coletados ao longo de vários anos.

Os pesquisadores analisaram mais de um bilhão de observações obtidas durante aproximadamente 15 anos por um conjunto de 19 satélites.

O modelo global, conhecido como GOCO06s, reúne informações da missão GOCE, da Agência Espacial Europeia (ESA), e do programa GRACE, desenvolvido em parceria entre a NASA e o Centro Aeroespacial Alemão.

A missão GRACE utilizou dois satélites idênticos voando em formação, separados por cerca de 220 quilômetros.

Enquanto orbitavam a Terra, eles registravam variações extremamente pequenas na distância entre si, causadas pelas mudanças no campo gravitacional.

Essas medições permitiram acompanhar o deslocamento de grandes volumes de água em oceanos, geleiras, rios e aquíferos subterrâneos com precisão impressionante.

O mapa ajuda a entender o clima, a água e até a elevação do mar

Além de revelar como a gravidade varia ao redor do planeta, o geoide possui aplicações práticas importantes.

Segundo Watkins, o campo gravitacional da Terra muda constantemente, principalmente porque enormes quantidades de água se deslocam todos os meses entre oceanos, rios, geleiras e a atmosfera.

Ao monitorar essas alterações, os cientistas conseguem acompanhar o ciclo hidrológico global, estimar a disponibilidade de água subterrânea para agricultura e observar os efeitos do derretimento de geleiras sobre o nível do mar.

O modelo também mostrou diferenças expressivas na altura do geoide.

Os valores variam de aproximadamente 85 metros acima da média, na Islândia, até cerca de 106 metros abaixo, no sul da Índia.

Embora essas medidas não representem montanhas ou depressões reais na superfície terrestre, elas refletem as diferenças na intensidade da gravidade provocadas pela estrutura interna do planeta.

Mais do que uma curiosidade visual, o mapa representa uma poderosa ferramenta científica para entender processos que acontecem muito abaixo dos nossos pés e que influenciam diretamente o funcionamento da Terra.

[Fonte: El nuevo dia]

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