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O dia virou noite por alguns minutos na Europa e o céu revelou algo normalmente invisível

Milhões de pessoas acompanharam um dos fenômenos astronômicos mais impressionantes do ano, quando uma estreita faixa do planeta mergulhou na escuridão em pleno dia.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O céu escureceu rapidamente, a luminosidade desapareceu e, por pouco mais de dois minutos, algumas regiões da Europa experimentaram uma cena que normalmente só seria possível à noite. Nesta quarta-feira, um eclipse solar total mobilizou milhões de observadores e transformou cidades inteiras em pontos privilegiados para acompanhar o fenômeno. Enquanto uma estreita faixa ficou completamente sob a sombra da Lua, outras regiões assistiram a uma versão parcial do espetáculo.

A sombra da Lua atravessou uma estreita faixa do planeta

O eclipse solar total desta quarta-feira, 12 de agosto, pôde ser observado em sua forma mais impressionante em uma faixa relativamente pequena da superfície terrestre.

A região de totalidade passou principalmente pela Groenlândia, Islândia, norte da Espanha e uma pequena área de Portugal. Quem estava dentro dessa trajetória conseguiu acompanhar o momento em que a Lua cobriu completamente o disco solar.

Na Espanha, o evento teve uma dimensão particularmente especial. A faixa de totalidade atravessou o país de oeste a leste e alcançou diferentes capitais e regiões, passando por áreas próximas a cidades como A Coruña, Oviedo, León, Bilbao, Zaragoza, Valência e Palma.

Fora dessa estreita região, o espetáculo não desapareceu completamente.

Grande parte da Europa conseguiu acompanhar um eclipse parcial, no qual apenas uma porção do Sol ficou escondida pela Lua. O fenômeno também foi parcialmente visível em determinadas áreas da América do Norte e do noroeste da África.

Segundo os dados divulgados sobre o evento, o ponto máximo ocorreu por volta das 19h46, no horário da Espanha, nas proximidades da Islândia.

Ali, a totalidade atingiu aproximadamente 2 minutos e 18 segundos.

Pode parecer pouco tempo, mas foi suficiente para produzir uma das transformações mais impressionantes que podem acontecer naturalmente no céu terrestre.

Em poucos segundos, o dia ganhou aparência de noite

O dia virou noite por alguns minutos na Europa e o céu revelou algo normalmente invisível
© Jason Howell – Unsplash

Quando a sombra mais escura da Lua, conhecida como umbra, alcançou as regiões situadas na faixa de totalidade, a iluminação mudou de maneira abrupta.

O disco solar desapareceu completamente e o ambiente mergulhou temporariamente em uma escuridão semelhante à de um anoitecer muito avançado.

Nesse instante surgiu uma estrutura que normalmente permanece escondida pelo brilho intenso do Sol: a coroa solar.

Ela corresponde à parte mais externa da atmosfera do Sol e pode se estender por milhões de quilômetros no espaço. Em condições normais, sua luminosidade é ofuscada pela superfície solar, tornando extremamente difícil observá-la a olho nu.

Durante um eclipse total, entretanto, a Lua funciona como um gigantesco bloqueador natural. Ao encobrir o disco brilhante, permite que a tênue coroa apareça ao seu redor.

Milhares de pessoas se reuniram em diferentes cidades europeias para acompanhar o fenômeno utilizando equipamentos apropriados e óculos de proteção solar.

Em Madri, embora a cidade não estivesse no centro da faixa de totalidade, grupos também acompanharam as diferentes fases do eclipse.

Na Argentina, a situação foi bastante diferente.

Brasil ficou fora do espetáculo visível no céu

Quem estava em território brasileiro não conseguiu observar diretamente o eclipse solar desta quarta-feira.

A geometria necessária para o fenômeno colocou a sombra lunar muito distante da América do Sul. Por isso, enquanto parte da Europa experimentava alguns minutos de escuridão, o céu brasileiro permaneceu fora da área de visibilidade.

Isso não significou ficar completamente distante do acontecimento.

Transmissões realizadas por meios de comunicação, observatórios, instituições científicas e usuários das redes sociais permitiram acompanhar em tempo real as imagens captadas nas regiões atingidas.

A tecnologia transformou, assim, um evento geograficamente limitado em um espetáculo global.

Esse é um detalhe importante porque eclipses solares não são propriamente raros quando observamos o planeta inteiro. O difícil é estar exatamente no lugar certo quando um eclipse total acontece.

Por que um eclipse total é muito mais raro do que parece

O dia virou noite por alguns minutos na Europa e o céu revelou algo normalmente invisível
© melissa mayes – Pexels

Entre dois e cinco eclipses solares podem acontecer a cada ano em algum ponto da Terra. A maioria, entretanto, é parcial ou anular e só pode ser observada de regiões específicas.

A totalidade exige uma combinação muito mais precisa.

Um eclipse solar total acontece quando a Lua passa exatamente entre a Terra e o Sol e possui, naquele momento, tamanho aparente suficiente para esconder completamente o disco solar.

A sombra lunar projetada sobre a Terra é relativamente estreita. É por isso que duas cidades separadas por algumas centenas de quilômetros podem ter experiências completamente diferentes: uma pode mergulhar na escuridão enquanto a outra observa apenas parte do Sol encoberta.

Durante a totalidade, também podem ocorrer quedas perceptíveis de temperatura e alterações no vento. Alguns animais chegam a modificar temporariamente seu comportamento diante da mudança repentina da luminosidade.

Mas o fenômeno não interessa apenas ao público.

Para os cientistas, dois minutos podem revelar muito sobre o Sol

Eclipses solares totais representam oportunidades importantes para estudar regiões do Sol difíceis de observar em circunstâncias normais.

Quando o intenso disco solar desaparece, astrônomos conseguem analisar com maior facilidade estruturas presentes na coroa e acompanhar seu comportamento.

Historicamente, eclipses também desempenharam papéis importantes em diferentes descobertas e experimentos científicos.

Hoje, telescópios espaciais e instrumentos especializados conseguem observar o Sol continuamente, mas a totalidade continua oferecendo condições naturais muito particulares para determinadas pesquisas.

Para quem esteve dentro da faixa atravessada pela sombra nesta quarta-feira, porém, o impacto provavelmente foi menos técnico.

Durante pouco mais de dois minutos, um alinhamento preciso entre Sol, Lua e Terra foi suficiente para interromper temporariamente a rotina do céu. O dia escureceu, a coroa apareceu e milhões de pessoas olharam simultaneamente para cima para acompanhar um espetáculo que, naquela mesma configuração e naquele mesmo lugar, dificilmente se repetirá durante suas vidas.

[Fonte: P12]

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