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O fenômeno que está levando a Europa aos 44 °C: como um domo de calor transformou o continente em uma gigantesca estufa

Uma onda de calor sem precedentes está elevando as temperaturas a níveis históricos em vários países da Europa. Com máximas acima de 40 °C, dezenas de mortes por afogamento e alertas vermelhos emitidos em diversas regiões, especialistas apontam para um fenômeno atmosférico conhecido como domo de calor, cuja intensidade está sendo amplificada pelas mudanças climáticas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A Europa enfrenta mais uma semana de temperaturas extremas. França, Espanha, Reino Unido, Alemanha e outros países emitiram alertas máximos diante da previsão de calor intenso que deve persistir nos próximos dias. Em algumas regiões, os termômetros já ultrapassaram marcas históricas, enquanto autoridades alertam para riscos à saúde pública, incêndios florestais e acidentes relacionados à tentativa de escapar do calor.

Calor extremo e dezenas de mortes

Calor
© Unsplash

A França está entre os países mais afetados pela atual onda de calor. Mais da metade das regiões francesas foi colocada sob alerta meteorológico máximo, e centenas de escolas precisaram suspender as atividades.

O país registrou recentemente uma temperatura de 44,3 °C em Pissos, na região de Landes, uma das maiores já observadas no território francês. Ao mesmo tempo, autoridades confirmaram a morte de pelo menos 40 pessoas por afogamento nos últimos dias.

Segundo o governo francês, muitas vítimas procuravam aliviar o calor em rios, lagos e canais sem supervisão adequada. Entre os casos mais trágicos está o de uma menina de 13 anos que morreu ao entrar no rio Sena com familiares, apesar de não saber nadar.

Na Alemanha, também foram registradas mortes por afogamento, enquanto as previsões apontam para temperaturas próximas de 40 °C em áreas do oeste e sudoeste do país.

Espanha e Reino Unido enfrentam temperaturas incomuns

A Espanha também vive uma situação excepcional. A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) alertou para temperaturas entre cinco e dez graus acima da média histórica para esta época do ano.

Em algumas regiões, os termômetros podem atingir 44 °C. O País Basco recebeu alerta vermelho, e cidades como San Sebastián podem registrar máximas próximas de 40 °C, valor extremamente elevado para a região.

O Reino Unido, tradicionalmente associado a verões mais amenos, também está sob forte pressão climática. O Met Office emitiu um raro alerta vermelho para partes da Inglaterra e do País de Gales, onde as temperaturas podem alcançar 38 °C.

Autoridades da Itália, Suíça e Luxemburgo emitiram avisos semelhantes diante do avanço da massa de ar quente.

O que é um domo de calor?

O principal responsável por esse episódio extremo é um fenômeno conhecido como domo de calor.

De forma simples, trata-se de uma enorme massa de ar quente que fica presa sobre uma determinada região por um sistema de alta pressão atmosférica. Esse bloqueio impede a formação de nuvens e dificulta a circulação do ar, fazendo com que o calor se acumule continuamente próximo à superfície.

O climatologista Akshay Deoras, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading, compara o fenômeno a uma tampa gigantesca colocada sobre a atmosfera.

Sem nuvens para bloquear a radiação solar, o solo aquece dia após dia. Ao mesmo tempo, o ar que desce dentro do sistema de alta pressão sofre compressão, elevando ainda mais sua temperatura.

Na atual situação europeia, o domo de calor está sendo alimentado por uma massa de ar extremamente quente vinda do deserto do Saara, impulsionada por um poderoso anticiclone africano.

A ligação direta com as mudanças climáticas

Mistério do calor da coroa solar pode estar prestes a ser resolvido
© Pexels

Embora o domo de calor explique o mecanismo imediato por trás da onda de calor, os cientistas destacam que as mudanças climáticas provocadas pelas atividades humanas estão tornando esses eventos mais frequentes e intensos.

Dados da Météo-France mostram que, das 51 ondas de calor registradas no país desde 1947, 34 ocorreram depois de 2000. Mais da metade delas foi registrada apenas desde 2011.

No Reino Unido, estudos indicam que episódios de calor extremo são hoje cerca de dez vezes mais prováveis do que eram antes do aquecimento global provocado pela queima de combustíveis fósseis.

Além disso, a duração das ondas de calor praticamente dobrou nas últimas cinco décadas.

O que esperar nas próximas décadas

O planeta já está aproximadamente 1,4 °C mais quente do que no final do século XIX. No entanto, projeções climáticas indicam que o aquecimento global pode se aproximar de 3 °C até o fim deste século caso as atuais políticas de redução de emissões permaneçam insuficientes.

Especialistas alertam que isso significa mais recordes de temperatura e desafios crescentes para países cuja infraestrutura não foi projetada para suportar calor extremo.

Para a climatóloga Friederike Otto, do Imperial College London, o mundo atual já é significativamente diferente daquele em que as gerações anteriores cresceram. Segundo ela, edifícios, sistemas urbanos e serviços públicos não estão preparados para enfrentar as condições climáticas que devem se tornar cada vez mais comuns.

A mensagem dos cientistas permanece clara: sem uma redução rápida das emissões globais de carbono, as ondas de calor extremas continuarão a se intensificar, transformando eventos antes considerados raros em parte da nova realidade climática do planeta.

 

[ Fonte: BBC ]

 

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