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Ciência

O Monte Etna guarda um segredo que pode mudar a previsão de erupções vulcânicas

Cientistas descobriram que um detalhe invisível no interior de um dos vulcões mais estudados do planeta pode mudar completamente a forma como uma erupção se desenvolve — e quanto tempo existe para reagir.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Monte Etna, na Itália, é um dos vulcões mais monitorados do mundo. Suas erupções são observadas há séculos e servem de laboratório natural para pesquisadores que tentam entender como esses gigantes da natureza funcionam. Mesmo assim, uma pergunta intrigava os cientistas há décadas: por que o mesmo vulcão, alimentado por um magma muito semelhante, pode produzir erupções tão diferentes? Um novo estudo sugere que a resposta está em um elemento invisível, mas decisivo, escondido nas profundezas da Terra.

Duas erupções separadas por milênios revelaram um padrão surpreendente

Para encontrar a resposta, pesquisadores da Universidade Cornell, com colaboração de especialistas da Universidade Columbia e da Universidade do Havaí, analisaram duas grandes erupções do Etna separadas por quase 4 mil anos.

A primeira ocorreu em 122 a.C. e é considerada uma das mais violentas da história do vulcão. A explosão lançou uma gigantesca coluna de cinzas que alcançou cerca de 26 quilômetros de altura e espalhou material vulcânico por uma extensa área da Sicília.

Ao reconstruírem o percurso do magma, os cientistas descobriram que ele subiu das profundezas, mas ficou retido por várias semanas em uma região relativamente próxima da superfície. Durante esse período, parte dos gases escapou lentamente, o magma esfriou parcialmente e sua viscosidade aumentou. Essa combinação criou as condições perfeitas para uma explosão extremamente poderosa quando a pressão finalmente atingiu o limite crítico.

Já uma erupção muito mais antiga, conhecida pelos pesquisadores como “Fall Stratified”, seguiu um comportamento completamente diferente. Nesse caso, o magma permaneceu armazenado em profundidades ainda maiores e chegou à superfície em um processo muito mais rápido.

Em vez de semanas de preparação, a erupção foi desencadeada em poucas horas. O magma ascendeu a velocidades impressionantes, sem passar pelo longo período de retenção observado no evento mais recente.

A comparação entre os dois episódios revelou que a diferença não estava apenas na profundidade ou na quantidade de magma, mas em algo muito mais específico.

O ingrediente invisível que muda completamente o comportamento do vulcão

Segundo os pesquisadores, o fator determinante é o tipo de gás predominante no magma.

O estudo mostrou que o Monte Etna é um dos raros vulcões do planeta onde dois gases competem diretamente para controlar a dinâmica das erupções: o dióxido de carbono (CO₂) e o vapor de água.

Quando o CO₂ domina o sistema, o magma consegue subir rapidamente a partir de grandes profundidades. O aumento da pressão ocorre de forma acelerada e a erupção pode acontecer em questão de horas.

Por outro lado, quando a água assume o papel principal, o processo tende a ser mais lento. O magma permanece mais tempo armazenado próximo à superfície, liberando gases gradualmente antes da explosão final.

Essa descoberta pode representar um avanço importante para sistemas de monitoramento vulcânico. Afinal, identificar qual gás está predominando em determinado momento pode ajudar a prever se uma futura erupção terá semanas de sinais prévios ou se poderá ocorrer com pouco tempo de aviso.

Como os cientistas conseguiram descobrir o que aconteceu há milhares de anos

Para reconstruir eventos tão antigos, os pesquisadores analisaram cristais de olivina encontrados em depósitos vulcânicos.

Esses cristais funcionam como pequenas cápsulas do tempo. Durante sua formação, eles aprisionam minúsculas bolhas contendo gases e fragmentos de magma, preservando informações sobre as condições existentes no interior do vulcão.

Utilizando espectroscopia Raman, uma técnica extremamente precisa de análise química, a equipe conseguiu medir a densidade do dióxido de carbono presente nessas bolhas microscópicas. A partir desses dados, foi possível calcular a pressão e a profundidade em que o magma estava armazenado antes de cada erupção.

Os pesquisadores acreditam que essa metodologia poderá ser aplicada em diversos vulcões ao redor do planeta.

Atualmente, estudos semelhantes já estão sendo realizados em regiões vulcânicas do Chile, do Havaí e de outros locais considerados de alto risco. O objetivo é criar modelos cada vez mais precisos capazes de antecipar o comportamento de futuras erupções.

O Etna acabou se tornando o laboratório ideal para esse trabalho. Sua intensa atividade, combinada com uma longa história de observações e registros, permite testar técnicas que futuramente poderão ajudar populações de todo o mundo a conviver com um dos fenômenos naturais mais imprevisíveis da Terra.

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