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O pequeno país da América Latina que vai virar o gigante econômico de 2026 — e crescerá cinco vezes mais que as potências regionais

Enquanto Brasil, México e Chile avançam em ritmo lento, uma pequena nação caribenha está prestes a desafiar todas as previsões com um crescimento de 22,4%. O segredo está no subsolo: imensas reservas de petróleo que atraíram uma enxurrada de investimentos estrangeiros e podem mudar o tabuleiro energético da América do Sul.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O Banco Mundial divulgou suas novas projeções para a América Latina e o Caribe — e os números surpreendem. Em 2026, o país com o maior crescimento econômico do continente não será uma potência industrial, mas a Guiana, um país de pouco mais de 800 mil habitantes que, impulsionado por um boom petrolífero, deve liderar o crescimento global com expansão de 22,4% do PIB.

Enquanto isso, as maiores economias da região — Brasil, México e Chile — mal ultrapassariam 2%. O contraste revela uma mudança silenciosa e profunda no equilíbrio econômico latino-americano.

Um motor subterrâneo de riqueza

O pequeno país da América Latina que vai virar o gigante econômico de 2026 — e crescerá cinco vezes mais que as potências regionais
© Unsplash – Anastasios Antoniadis.

O fenômeno tem origem em 2015, quando a ExxonMobil e a Hess confirmaram a descoberta de vastas reservas de petróleo na costa atlântica da Guiana. Desde então, o país passou de coadjuvante a protagonista do setor energético global.

Hoje, a Guiana extrai mais de 600 mil barris de petróleo por dia — e deve ultrapassar 1 milhão até 2027, alcançando níveis comparáveis aos do México. O resultado é um salto nas receitas públicas e na balança comercial, acompanhado por um boom de investimentos estrangeiros.

Infraestruturas portuárias, obras urbanas e modernização logística transformaram a economia local, que pode multiplicar o PIB em menos de uma década. Mas o sucesso traz riscos: dependência excessiva do petróleo, vulnerabilidade aos preços internacionais e o perigo de uma economia superaquecida.

Quem mais cresce — e quem ficou para trás

O pequeno país da América Latina que vai virar o gigante econômico de 2026 — e crescerá cinco vezes mais que as potências regionais
© Unsplash – Wolfgang Weiser.

Segundo o Banco Mundial, outros países também apresentam projeções animadoras para 2026:

  • República Dominicana (4,3%), impulsionada pelo turismo e pelos serviços financeiros;
  • Panamá (4,1%), com forte recuperação logística;
  • Argentina (4%), favorecida pelo comércio exterior e pelo setor energético.

Paraguai, Guatemala e Suriname também aparecem com bons índices, entre 3,4% e 3,7%.

Ainda assim, nenhum chega perto da Guiana, cujo ritmo de expansão é cinco vezes superior ao das grandes economias regionais.

Já México (1,4%), Brasil (2,2%) e Chile (2,2%) enfrentam baixo crescimento, impactados por inflação persistente, dívida pública alta e falta de reformas estruturais.

O desafio da “maldição do petróleo”

O pequeno país da América Latina que vai virar o gigante econômico de 2026 — e crescerá cinco vezes mais que as potências regionais
© IEB.

O sucesso da Guiana vem acompanhado de um grande dilema: é possível sustentar um crescimento de dois dígitos baseado quase só em petróleo?

Economistas alertam para o risco da chamada “maldição dos recursos”, quando a abundância de riquezas naturais enfraquece outros setores produtivos. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já recomendou que o país invista em educação, tecnologia e diversificação industrial para manter o crescimento no longo prazo.

Além disso, os preços do petróleo podem ser tanto o maior aliado quanto o pior inimigo da Guiana. Uma queda na demanda global poderia provocar um ajuste drástico; mas se o ciclo de alta continuar, o país deve consolidar sua posição como novo polo energético do hemisfério ocidental.

Um novo centro econômico na América Latina

Em menos de uma década, a Guiana deixou de ser um dos países mais pobres da América do Sul para se projetar como o segundo maior PIB per capita do continente, atrás apenas do Panamá.

O Banco Mundial resume o fenômeno com clareza: a Guiana não apenas cresce — ela se multiplica. E embora o petróleo explique boa parte desse salto, o verdadeiro desafio está no que vem depois.

Se conseguir transformar essa riqueza em educação, tecnologia e desenvolvimento sustentável, o pequeno país caribenho pode deixar de ser uma surpresa… para se tornar o modelo econômico mais inesperado do século XXI.

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