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O que realmente existe por trás da campanha contra Argentina e Messi nas redes sociais

Após a classificação da Argentina na Copa do Mundo de 2026, uma onda de publicações passou a acusar arbitragem, VAR e FIFA de favorecer a seleção. Mas uma análise dos conteúdos revela um cenário bem diferente.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Toda grande Copa do Mundo costuma produzir momentos históricos dentro de campo e uma avalanche de informações fora dele. Depois das últimas vitórias da Argentina, as redes sociais foram inundadas por vídeos, imagens e acusações que rapidamente ganharam milhões de visualizações. Entre teorias sobre o VAR, supostos privilégios da FIFA e conteúdos criados com inteligência artificial, especialistas apontam que muitas dessas narrativas não apresentam qualquer evidência ou simplesmente distorcem os fatos.

VAR, arbitragem e uma regra que virou alvo de desinformação

O que realmente existe por trás da campanha contra Argentina e Messi nas redes sociais
© YouTube

Após a vitória da Argentina sobre o Egito e a classificação diante da Suíça na Copa do Mundo de 2026, diferentes publicações começaram a circular nas redes sociais afirmando que a seleção argentina estaria sendo beneficiada pela arbitragem e pelo sistema de árbitro de vídeo (VAR).

Uma das alegações mais compartilhadas dizia que uma “nova regra” teria sido criada exclusivamente para favorecer os argentinos durante a partida contra a Suíça.

As publicações faziam referência ao lance que terminou com a segunda advertência e consequente expulsão do atacante suíço Breel Embolo. Diversos perfis afirmavam que a intervenção do VAR por “erro de identidade” jamais havia sido utilizada anteriormente e, por isso, seria uma decisão irregular.

No entanto, essa afirmação não corresponde aos fatos. O mesmo protocolo já havia sido aplicado semanas antes, durante a partida entre Estados Unidos e Paraguai, disputada em 12 de junho, seguindo as regras oficiais da International Football Association Board (IFAB), órgão responsável pelas Leis do Jogo.

Outro tema que ganhou força foi a atuação da arbitragem na vitória argentina por 3 a 2 sobre o Egito.

Logo após a eliminação egípcia, jogadores e integrantes da comissão técnica criticaram duramente as decisões tomadas durante o confronto. O técnico Hossam Hassan classificou a arbitragem como injusta e afirmou que sua equipe não recebeu o tratamento que merecia.

O atacante Mostafa Ziko também questionou um dos gols anulados e sugeriu que as decisões favoreceram os argentinos.

Apesar das críticas, análises posteriores publicadas pela imprensa esportiva indicaram que, das cinco principais decisões polêmicas do jogo, quatro foram consideradas corretas. A única interpretação apontada como equivocada teria, inclusive, prejudicado a própria seleção argentina.

As reclamações levaram o presidente da Federação Egípcia de Futebol, Hany Abo Rida, a solicitar uma investigação formal sobre a arbitragem. Em resposta, a FIFA manifestou apoio ao trabalho da equipe responsável pelo jogo.

O diretor de Arbitragem da entidade, Pierluigi Collina, explicou que todos os gols passam obrigatoriamente por revisão do VAR e que, caso uma infração seja identificada durante a construção da jogada, a tecnologia pode recomendar uma revisão ao árbitro de campo. Segundo ele, embora algumas decisões envolvam interpretação, a aplicação do protocolo tem seguido os critérios adotados durante toda a competição.

Vídeos editados, imagens criadas por IA e acusações sem provas ampliam a campanha nas redes

Outra narrativa que ganhou força envolveu uma suposta empresa chamada PR360 Sports Communications.

Capturas de tela mostrariam um e-mail oferecendo pagamentos a criadores de conteúdo para publicar mensagens contra a Argentina durante a Copa do Mundo. A história rapidamente viralizou, mas até o momento não surgiram evidências de que essa agência realmente exista.

Além disso, especialistas apontaram que o suposto e-mail apresenta características compatíveis com conteúdos produzidos por inteligência artificial, enquanto diversas contas responsáveis pela divulgação do material são identificadas como perfis humorísticos ou paródias. Em vários casos, usuários que afirmaram ter recebido a mensagem mantêm parcerias comerciais com casas de apostas esportivas.

As acusações também passaram a atingir diretamente o presidente da FIFA, Gianni Infantino.

Diversas publicações afirmaram, sem apresentar provas, que ele estaria favorecendo Lionel Messi e a seleção argentina ao longo do Mundial de 2026.

Entre os conteúdos mais compartilhados estava um vídeo que supostamente mostraria Infantino demonstrando irritação após um gol marcado pelo Egito contra a Argentina.

Entretanto, as imagens não pertencem à partida entre argentinos e egípcios. O vídeo foi gravado dias antes, durante o confronto entre Marrocos e Países Baixos, realizado no estádio Monterrey, no México, e não no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, onde ocorreu o jogo da Argentina.

Essa mesma gravação voltou a circular posteriormente durante outra partida envolvendo a seleção argentina, desta vez contra Cabo Verde, reforçando a reutilização de conteúdos fora de contexto.

Também viralizou uma imagem que mostraria Infantino aplicando uma substância em Lionel Messi antes de uma partida. Especialistas identificaram que a fotografia foi produzida por inteligência artificial.

Outro vídeo bastante compartilhado mostra Gianni Infantino, o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, e o presidente da AFA, Claudio Tapia, comemorando juntos após um jogo da Argentina. As imagens são verdadeiras, mas o áudio que acompanha a gravação foi criado por inteligência artificial e não corresponde ao momento original.

Segundo verificações realizadas por diferentes organizações de checagem, esse conjunto de narrativas não surgiu durante a Copa do Mundo de 2026. Alegações semelhantes envolvendo Messi, a FIFA e um suposto favorecimento à Argentina já circulavam desde o Mundial disputado no Catar, em 2022, e voltaram a ganhar força à medida que a seleção avançou novamente na competição.

[Fonte: Chequeado]

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