Pular para o conteúdo
Ciência

O sumiço dos golfinhos em Fernando de Noronha preocupa cientistas e ninguém consegue apontar uma única causa

Durante duas décadas, a população de golfinhos manteve um comportamento estável. Então, algo mudou de forma inesperada e acendeu um alerta entre pesquisadores.
Por

Tempo de leitura: 2 minutos

Por anos, o monitoramento de uma das populações de golfinhos mais estudadas do Brasil mostrou apenas pequenas oscilações naturais. Mas um levantamento recente revelou uma mudança sem precedentes, levando especialistas a investigar uma combinação de fatores que pode estar alterando profundamente o equilíbrio desse ecossistema. Enquanto as pesquisas avançam, novas evidências reforçam que a resposta dificilmente estará em uma única explicação.

Uma queda inédita interrompeu um padrão observado por mais de 20 anos

O sumiço dos golfinhos em Fernando de Noronha preocupa cientistas e ninguém consegue apontar uma única causa
© Pexels

Entre 2004 e 2024, os registros de avistamentos apresentaram apenas variações consideradas naturais pelos pesquisadores. Esse comportamento relativamente estável, porém, foi quebrado em 2025, quando o monitoramento registrou o menor número de golfinhos observado desde o início da série histórica.

Para José Martins da Silva Junior, oceanógrafo e um dos fundadores do projeto de monitoramento, a redução provavelmente não está ligada a um único motivo. Segundo o pesquisador, as hipóteses mais consistentes apontam para uma combinação de fatores ambientais e humanos.

Entre eles estão os impactos das mudanças climáticas, o aumento da presença de predadores naturais — principalmente do tubarão-tigre — e a intensificação da atividade turística nas áreas tradicionalmente utilizadas pelos golfinhos.

Na avaliação dos cientistas, esses fatores não competem entre si. Pelo contrário: eles podem atuar simultaneamente, ampliando os efeitos sobre a população da espécie e tornando o cenário ainda mais complexo.

Crescimento do turismo também entrou no radar dos pesquisadores

Outro aspecto que chama a atenção dos especialistas é o aumento da pressão turística sobre Fernando de Noronha.

Em 2025, o Parque Nacional Marinho recebeu mais de 140 mil visitantes, o maior número registrado desde 2015. Em oito dos doze meses do ano, o fluxo ultrapassou o limite mensal de 11 mil turistas estabelecido em um acordo entre os governos federal e estadual.

Segundo Lilian Hangae, representante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), esse crescimento exerce pressão sobre serviços essenciais da ilha, como o abastecimento de água e o sistema de esgotamento sanitário.

Na avaliação da especialista, a sobrecarga da infraestrutura pode aumentar o risco de contaminação ambiental, criando impactos indiretos sobre o ecossistema marinho.

Até a publicação da reportagem original, a administração de Fernando de Noronha não havia respondido aos pedidos de posicionamento sobre o aumento do número de visitantes e seus possíveis efeitos ambientais.

[Fonte: Folha]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados