Pular para o conteúdo
Tecnologia

Oracle aposta em uma nova fronteira da nuvem e prepara integração que pode mudar cargas de trabalho de IA

Uma parceria de vários anos pretende colocar uma poderosa tecnologia computacional dentro da infraestrutura de nuvem e aproximá-la de empresas, desenvolvedores, universidades e centros de pesquisa.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

A inteligência artificial transformou os data centers em gigantescos centros de processamento, mas algumas empresas já estão olhando para o que pode vir depois. Oracle e Quantinuum anunciaram uma parceria estratégica que pretende aproximar computação quântica, supercomputação tradicional e IA dentro de uma mesma infraestrutura. A iniciativa poderá permitir que desenvolvedores experimentem problemas extremamente complexos sem precisar instalar uma máquina quântica em suas próprias instalações.

Oracle e Quantinuum querem colocar computação quântica dentro da nuvem

Oracle aposta em uma nova fronteira da nuvem e prepara integração que pode mudar cargas de trabalho de IA
© Pexels

A Oracle e a Quantinuum anunciaram uma parceria estratégica de vários anos para integrar recursos de computação quântica à Oracle Cloud Infrastructure (OCI).

O principal elemento da iniciativa será o Helios, computador quântico comercial da Quantinuum, que deverá ficar disponível por meio de um novo serviço quântico da OCI. Dessa forma, clientes poderão combinar o equipamento com recursos tradicionais de computação de alto desempenho, conhecidos como HPC, e infraestrutura baseada em GPUs.

A proposta não é substituir imediatamente computadores convencionais por máquinas quânticas. A aposta está justamente na combinação entre diferentes arquiteturas.

As duas empresas pretendem investigar como computação quântica, inteligência artificial e supercomputação clássica podem trabalhar juntas para enfrentar problemas que exigem volumes extraordinários de processamento.

Entre as possíveis aplicações estão descoberta de novos materiais, desenvolvimento de medicamentos, logística, energia e modelagem financeira.

Universidades e instituições de pesquisa também estão entre os públicos que poderão se beneficiar da plataforma, principalmente porque acessar uma máquina quântica pela nuvem elimina uma das grandes barreiras dessa tecnologia: a necessidade de possuir equipamentos altamente especializados.

Helios reúne 98 qubits físicos e aposta na precisão

Lançado comercialmente em novembro de 2025, o Helios representa a terceira geração dos computadores quânticos desenvolvidos pela Quantinuum.

A máquina utiliza tecnologia de íons aprisionados e possui 98 qubits físicos. O sistema já foi utilizado em demonstrações envolvendo 48 qubits lógicos e, segundo a empresa, alcança fidelidade média de 99,921% em portas de dois qubits.

A precisão é especialmente importante porque erros representam um dos maiores obstáculos da computação quântica atual. Quanto mais confiáveis forem as operações realizadas pelos qubits, maiores serão as possibilidades de executar algoritmos complexos de maneira útil.

Outro aspecto destacado pelas empresas é o consumo energético.

De acordo com as estimativas apresentadas pela Quantinuum, um sistema Helios consumiria menos de 1% da energia utilizada pelas principais supercomputadoras atuais. Isso não significa que máquinas quânticas substituirão automaticamente supercomputadores, mas pode torná-las recursos complementares interessantes para determinadas cargas de trabalho.

A intenção é justamente encaminhar cada parte de um problema para o hardware mais adequado.

Uma aplicação poderia, por exemplo, utilizar CPUs para determinadas operações, GPUs para tarefas relacionadas à inteligência artificial e uma unidade de processamento quântico, ou QPU, para etapas nas quais algoritmos quânticos apresentem vantagens.

Desenvolvedores poderão experimentar hardware quântico sem comprar uma máquina

Instalar um computador quântico está muito distante da experiência convencional de adicionar servidores a um data center. Esses sistemas exigem infraestrutura altamente especializada, conhecimento técnico e condições operacionais específicas.

A nuvem pode esconder boa parte dessa complexidade.

Com o Helios operando na infraestrutura da OCI, a expectativa é que clientes tenham acesso gerenciado e seguro ao computador quântico, sem precisar comprar ou administrar diretamente o equipamento.

O sistema deverá ser integrado aos serviços de computação, armazenamento, redes, identidade e dados da Oracle, utilizando controles de acesso e mecanismos de governança já conhecidos pelos clientes da plataforma.

A Oracle pretende apresentar uma versão preliminar do serviço quântico da OCI nos próximos meses.

Uma das propostas é simplificar a transição entre simulação e execução. Desenvolvedores poderão inicialmente testar aplicações em ambientes simulados e posteriormente executá-las em hardware quântico real.

O serviço também deverá combinar ferramentas de desenvolvimento da Quantinuum com suporte a estruturas abertas destinadas à programação híbrida.

Isso pode ser particularmente importante porque, pelo menos inicialmente, muitas aplicações comerciais da computação quântica provavelmente dependerão dessa colaboração estreita entre máquinas clássicas e quânticas.

A verdadeira aposta está na combinação entre IA e computação quântica

A parceria também revela como grandes empresas de tecnologia começam a imaginar a próxima etapa da infraestrutura computacional.

A IA aumentou dramaticamente a demanda por GPUs, energia e capacidade de processamento. A computação quântica oferece uma arquitetura radicalmente diferente e, em determinadas categorias de problemas, poderá complementar esses sistemas.

Para Mahesh Thiagarajan, vice-presidente executivo da Oracle Cloud Infrastructure, a integração pretende oferecer aos desenvolvedores uma maneira prática de investigar como recursos quânticos podem complementar cargas de IA e HPC.

Pesquisadores também enxergam vantagens nessa aproximação. Ter GPUs e QPUs disponíveis dentro de um mesmo ambiente pode reduzir a complexidade operacional e permitir que equipes científicas concentrem seus esforços nos experimentos, em vez de administrar diferentes infraestruturas.

Ainda existe, porém, uma distância considerável entre disponibilizar computadores quânticos e demonstrar vantagens comerciais amplas em situações reais.

É justamente por isso que a integração com a nuvem pode ser estratégica. Em vez de exigir que empresas façam grandes investimentos em hardware experimental, elas poderão começar a testar algoritmos, identificar aplicações e descobrir onde a tecnologia realmente oferece benefícios.

A parceria entre Oracle e Quantinuum, portanto, não representa apenas a chegada de mais um serviço à nuvem. Ela aponta para um futuro no qual CPUs, GPUs e processadores quânticos poderão dividir a mesma carga de trabalho, cada um executando a parte do problema para a qual foi projetado.

Se essa arquitetura híbrida funcionar como esperado, a próxima transformação da computação empresarial pode não acontecer com a substituição das máquinas atuais, mas com a chegada de um novo tipo de processador trabalhando silenciosamente ao lado delas.

[Fonte: Trading view]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados