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Ciência

Os dias não aumentam sempre no mesmo ritmo — e o equinócio explica por quê

Depois do equinócio, o pôr do sol parece se afastar rapidamente. Não é apenas impressão: existe uma mudança astronômica por trás dessa sensação que varia bastante conforme o lugar.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Basta algumas semanas de primavera para perceber uma transformação curiosa: o amanhecer chega mais cedo, o fim da tarde parece durar mais e a quantidade de luz aumenta rapidamente. Mas esse processo não acontece de maneira uniforme durante o ano. Existe um momento específico em que a duração dos dias começa a mudar muito mais depressa — e a explicação está na forma como a Terra se movimenta no espaço.

A inclinação que muda o ritmo das estações

A primeira peça desse mecanismo está escondida na própria orientação da Terra.

Nosso planeta gira em torno de um eixo inclinado aproximadamente 23,5 graus em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol. É justamente essa inclinação que está por trás das estações e faz com que cada hemisfério receba diferentes quantidades de luz ao longo do ano.

Durante os solstícios, a inclinação de um dos hemisférios em relação ao Sol chega a um dos seus extremos. É quando temos os dias mais longos ou mais curtos do ano, dependendo do hemisfério.

Nos equinócios, a situação muda. Nenhum dos dois hemisférios está especialmente inclinado em direção ao Sol, e a posição aparente da nossa estrela começa a atravessar uma região particularmente importante do ciclo anual.

É nesse período de transição que a quantidade de luz recebida por determinado ponto da Terra começa a mudar com maior rapidez.

Por isso, depois do equinócio de setembro no hemisfério sul, o aumento das horas de luz pode parecer especialmente acelerado. No hemisfério norte, o mesmo fenômeno acontece depois do equinócio de março, quando a primavera começa por lá.

Mas ainda falta uma peça para entender por que a mudança ocorre justamente nessa velocidade.

Existe uma curva escondida no movimento do Sol

Astrônomos usam um conceito chamado declinação solar para descrever a posição angular aparente do Sol em relação ao equador celeste.

Ao longo do ano, essa posição varia de maneira semelhante a uma curva senoidal. Nos solstícios, a curva chega perto de seus pontos extremos. Nos equinócios, passa pelo centro, onde a declinação é próxima de zero.

E é justamente o formato dessa curva que explica a sensação de aceleração.

Perto dos solstícios, a curva fica mais plana. Em outras palavras, a posição aparente do Sol muda relativamente pouco de um dia para o outro. Como consequência, a duração do período de luz também muda lentamente.

Próximo aos equinócios acontece o contrário. A curva apresenta sua maior inclinação, fazendo com que a posição aparente do Sol varie mais rapidamente.

O resultado pode ser percebido no relógio: amanheceres e entardeceres começam a se deslocar de forma mais perceptível, e o número de horas de luz muda mais a cada dia.

É por isso que a primavera pode dar a impressão de que os dias estão “disparando” em direção ao verão. Não é apenas uma sensação causada pela mudança de rotina: há uma razão geométrica bastante precisa por trás dela.

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© Magnific

O lugar onde você mora muda tudo

Esse efeito não é igual em todas as partes do planeta.

Próximo à linha do Equador, a duração do dia permanece muito próxima de 12 horas durante praticamente todo o ano. As mudanças sazonais na quantidade de luz são relativamente pequenas.

Conforme avançamos para latitudes maiores, porém, a diferença aumenta. Em regiões de latitudes médias, como Buenos Aires e Madrid, a passagem pelo período dos equinócios pode produzir mudanças de vários minutos na duração da luz do dia entre jornadas consecutivas.

Nas proximidades dos polos, o efeito pode ser ainda mais extremo. A transição entre períodos de luz e escuridão ocorre de maneira muito mais dramática ao longo do ano.

Isso explica por que duas pessoas em lugares diferentes podem olhar para o mesmo equinócio e experimentar mudanças completamente distintas na duração do dia.

E existe ainda uma pequena surpresa: mesmo a ideia de que o equinócio divide exatamente o dia em 12 horas de luz e 12 de escuridão não é totalmente precisa.

O equinócio não significa exatamente 12 horas de luz

O próprio nome “equinócio” está associado à ideia de igualdade entre dia e noite. Na prática, porém, a duração observada da luz não é exatamente de 12 horas nessa data.

A atmosfera terrestre é parcialmente responsável por isso. A refração faz com que a luz do Sol continue sendo visível quando o astro, geometricamente, já está um pouco abaixo do horizonte.

Além disso, os horários de nascer e se pôr do Sol são calculados considerando a borda superior do disco solar, e não apenas o centro da estrela.

Por causa desses fatores, existe outro conceito astronômico chamado equilux, usado para indicar o momento em que o período de luz e o de escuridão ficam aproximadamente iguais. Ele não precisa coincidir exatamente com o equinócio.

No fim, aquela impressão de que a primavera faz os dias crescerem rapidamente tem uma explicação bastante concreta: estamos atravessando justamente a parte do ciclo anual em que a geometria do movimento aparente do Sol faz a duração do dia mudar mais depressa.

A Terra continua fazendo o mesmo movimento de sempre. O que muda é a velocidade com que essa geometria se traduz em horas de luz para quem está aqui embaixo.

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