Todos conhecemos a imagem: o Sol permanece imóvel no centro enquanto oito planetas percorrem suas órbitas ao redor dele. O modelo é extremamente útil, mas não representa exatamente o que acontece no espaço.
A gravidade funciona nos dois sentidos. O Sol atrai a Terra, mas nosso planeta também atrai o Sol. O mesmo acontece com Júpiter, Saturno e todos os outros corpos do Sistema Solar. Isso significa que, tecnicamente, os planetas não orbitam exatamente o centro do Sol.
O verdadeiro protagonista dessa dança gravitacional é um ponto invisível chamado baricentro.
Existe um ponto invisível entre o Sol e os planetas

Quando dois objetos estão ligados gravitacionalmente, ambos se movimentam ao redor de um centro de massa comum. Na astronomia, esse ponto recebe o nome de baricentro.
Ele não precisa corresponder a um objeto físico. Trata-se simplesmente de uma coordenada matemática determinada pela distribuição das massas.
Imagine duas pessoas de mãos dadas girando. Se ambas tiverem o mesmo peso, o centro da rotação ficará aproximadamente entre elas. Se uma for muito mais pesada, o ponto ficará bem mais próximo dela.
É exatamente isso que acontece no espaço.
Quanto maior a diferença entre as massas dos dois objetos, mais próximo do corpo mais massivo estará o baricentro.
Então a Terra não gira ao redor do Sol?
Dizer que a Terra gira ao redor do Sol continua correto para praticamente todas as situações cotidianas. A diferença aparece quando queremos descrever o fenômeno com maior precisão.
Tecnicamente, a Terra e o Sol orbitam o centro de massa compartilhado pelos dois.
Como o Sol concentra aproximadamente 99,8% da massa de todo o Sistema Solar, a diferença entre as massas é gigantesca.
Por isso, no sistema formado apenas pela Terra e pelo Sol, o baricentro fica profundamente dentro da estrela e muito próximo de seu centro.
A Terra percorre uma órbita enorme enquanto o deslocamento correspondente do Sol é minúsculo. Visualmente, portanto, parece que apenas nosso planeta está se movimentando.
O modelo ensinado na escola não está errado. Ele simplesmente elimina um detalhe que não é necessário para compreender o funcionamento básico do Sistema Solar.
Júpiter deixa o fenômeno muito mais evidente

Com Júpiter, a situação fica bem mais interessante.
O maior planeta do Sistema Solar possui aproximadamente 318 vezes a massa da Terra. Sua influência gravitacional sobre o Sol, portanto, é muito maior.
Se considerarmos somente o sistema formado por Sol e Júpiter, o baricentro médio fica a aproximadamente 742 mil quilômetros do centro solar, cerca de 1,07 raio solar.
Isso significa que esse ponto pode ficar ligeiramente além da superfície visível do Sol.
Júpiter completa uma órbita em quase 12 anos. Durante esse mesmo período, o Sol também executa um pequeno movimento ao redor do baricentro compartilhado.
É o chamado “bamboleio” da estrela.
O próprio Sol está constantemente se movimentando
O Sistema Solar real é ainda mais complicado porque os planetas não atuam individualmente.
Júpiter, Saturno, Terra, Netuno e todos os demais corpos exercem simultaneamente sua atração gravitacional.
Como suas posições mudam constantemente, o baricentro de todo o Sistema Solar também se desloca.
Dependendo da configuração dos planetas, esse centro de massa pode ficar próximo do centro solar ou até fora da superfície do Sol.
Júpiter e Saturno exercem uma influência especialmente importante devido às suas enormes massas.
Assim, o Sol também realiza uma trajetória complexa enquanto acompanha esse centro de massa variável.
Esse movimento permite descobrir planetas invisíveis
O fenômeno tem uma aplicação científica extraordinária: encontrar exoplanetas.
Um planeta distante pode ser impossível de observar diretamente, mas sua gravidade pode provocar um pequeno movimento na estrela que ele orbita.
Uma das técnicas usadas para detectar esse efeito é chamada velocidade radial.
Quando a estrela se movimenta ao redor do baricentro compartilhado com um planeta, ela alternadamente se aproxima e se afasta um pouco da Terra. Isso provoca pequenas alterações em sua luz devido ao efeito Doppler.
Foi justamente por esse método que 51 Pegasi b, o primeiro exoplaneta confirmado orbitando uma estrela semelhante ao Sol, foi descoberto em 1995.
Outra técnica, chamada astrometria, mede mudanças extremamente pequenas na posição da estrela no céu.
No Universo, praticamente nada está realmente parado
A Terra gira ao redor do Sol, portanto, mas essa é apenas uma parte da história.
O Sol também responde à atração gravitacional dos planetas. Ao mesmo tempo, todo o Sistema Solar percorre sua trajetória pela Via Láctea.
Não existe um ponto absolutamente imóvel funcionando como o centro definitivo de tudo.
A imagem mais precisa do Universo não é a de objetos girando ao redor de estruturas completamente estáticas. É a de uma enorme coreografia gravitacional, na qual cada corpo influencia o movimento dos outros — mesmo quando essa influência é pequena demais para percebermos.
[ Fonte: Muy Interesante ]