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Ciência

Ozempic e Wegovy ajudam a emagrecer, mas um novo estudo encontrou um efeito inesperado: usuários estão se exercitando menos

Medicamentos como Ozempic e Wegovy revolucionaram o tratamento da obesidade ao promover perdas de peso expressivas. Mas uma nova pesquisa sugere que muitos pacientes podem estar abandonando hábitos importantes após iniciar o tratamento, incluindo caminhadas e exercícios físicos regulares.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os medicamentos da classe GLP-1 estão entre os maiores fenômenos recentes da medicina. Substâncias como semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e tirzepatida, utilizada no Mounjaro, vêm transformando o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. No entanto, um novo estudo apresentado nos Estados Unidos aponta para uma possível consequência inesperada: pessoas que iniciam esses tratamentos parecem reduzir significativamente seus níveis de atividade física.

A perda de peso não elimina a importância do exercício

Especialistas há muito tempo destacam que a atividade física oferece benefícios que vão muito além da perda de peso.

Exercícios ajudam a preservar a massa muscular, fortalecem o sistema cardiovascular, melhoram a mobilidade e reduzem o risco de diversas doenças crônicas.

Quando uma pessoa emagrece, parte do peso perdido não corresponde apenas à gordura corporal. Também pode ocorrer redução de massa magra, incluindo músculos. Por isso, médicos normalmente recomendam combinar estratégias de emagrecimento com exercícios físicos regulares.

Com a popularização dos medicamentos GLP-1, pesquisadores passaram a investigar se os pacientes mantêm esses hábitos após iniciar o tratamento.

O que os pesquisadores descobriram

O estudo foi conduzido por médicos do HSHS Saint John’s Hospital, em Illinois, utilizando dados do programa de pesquisa All of Us, uma iniciativa que acompanha a saúde de milhares de americanos.

Os pesquisadores analisaram informações de 753 pessoas com obesidade que receberam prescrição de medicamentos GLP-1 e possuíam registros de atividade física coletados por dispositivos Fitbit antes e depois do início do tratamento.

Entre os medicamentos avaliados estavam semaglutida, tirzepatida, liraglutida e dulaglutida.

Os resultados mostraram uma redução consistente da atividade física após o início da medicação.

Em média, o número diário de passos caiu de 5.047 para 4.487. O tempo dedicado a atividades físicas moderadas ou intensas também diminuiu, passando de 28 minutos por dia para apenas 22 minutos.

Homens e pessoas com dores musculares foram mais afetados

A queda nos níveis de atividade física não ocorreu de forma uniforme.

Segundo os pesquisadores, homens apresentaram uma redução mais acentuada do que mulheres.

Além disso, participantes que relataram dores musculoesqueléticas também demonstraram uma tendência maior a diminuir caminhadas, exercícios e outras atividades físicas.

Os autores não determinaram exatamente por que isso acontece, mas sugerem que a rápida perda de peso e mudanças na rotina podem influenciar o comportamento dos pacientes.

Também é possível que algumas pessoas passem a depender mais dos medicamentos para atingir seus objetivos de emagrecimento, reduzindo involuntariamente o foco em hábitos saudáveis complementares.

Os resultados ainda são preliminares

Os dados foram apresentados durante o ENDO 2026, congresso anual da Endocrine Society, uma das principais organizações de endocrinologia do mundo.

Isso significa que os resultados ainda são considerados preliminares e devem ser interpretados com cautela até a publicação formal em revista científica revisada por pares.

Além disso, outras pesquisas de grande porte vêm indicando que a perda de massa muscular associada aos medicamentos GLP-1 não costuma representar um problema significativo para a maioria dos pacientes.

Diversos estudos também mostram melhora na mobilidade, na capacidade funcional e na qualidade de vida de pessoas que utilizam essas terapias.

Quem deve prestar mais atenção

Embora o risco não seja igual para todos, especialistas alertam que alguns grupos podem ser mais vulneráveis à perda de massa muscular.

Entre eles estão idosos, pessoas sedentárias e pacientes que já apresentam limitações físicas antes de iniciar o tratamento.

Nesses casos, a manutenção de atividades como caminhadas, exercícios de resistência e treinamento de força pode ser especialmente importante.

O desafio é combinar medicamento e estilo de vida

Os autores defendem que o tratamento da obesidade não deve se concentrar apenas nos medicamentos.

Segundo eles, os resultados mostram que a perda de peso por si só não leva automaticamente a um aumento da atividade física.

Pelo contrário: alguns pacientes podem acabar se movimentando menos justamente quando deveriam preservar hábitos importantes para sua saúde de longo prazo.

Por isso, os pesquisadores recomendam que médicos reforcem continuamente a importância do exercício físico durante o acompanhamento de usuários de Ozempic, Wegovy, Mounjaro e outros medicamentos da mesma classe.

A revolução dos GLP-1 continua mudando a forma como a obesidade é tratada. Mas a mensagem do estudo é clara: mesmo com medicamentos altamente eficazes, caminhar, se exercitar e manter a força muscular continuam sendo peças fundamentais para uma vida mais saudável.

 

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