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Trump anuncia redução de tarifas sobre o café e reacende negociações comerciais com o Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende reduzir as tarifas sobre o café importado, medida que pode aliviar o preço do grão no varejo americano, atualmente 21% mais caro que no ano passado. O anúncio reacende as conversas comerciais entre Washington e Brasília.
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Tempo de leitura: 3 minutos

As tarifas impostas pelo governo americano sobre o café do Brasil, Vietnã e Colômbia provocaram um aumento expressivo nos preços internos dos EUA. Agora, Donald Trump promete aliviar a carga tributária sobre o produto, em um gesto que pode influenciar o comércio global e reduzir tensões com os maiores exportadores de café do mundo — especialmente o Brasil, principal fornecedor do mercado americano.

EUA sinalizam recuo nas tarifas

Dolar Trump
© Shawn Thew/EPA/Bloomberg via Getty Images – Gizmodo.

Em entrevista à Fox News nesta terça-feira (11), Trump afirmou que “as taxas sobre o café estão sendo revistas” e que pretende “reduzi-las significativamente”. Embora o presidente não tenha citado diretamente o Brasil, o comentário foi interpretado como um sinal de que Washington deve flexibilizar as barreiras impostas aos principais exportadores do grão.

A fala ocorre em meio a uma nova rodada de negociações bilaterais entre os dois países. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, deve se reunir ainda nesta semana, no Canadá, com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, durante um encontro ministerial do G7.

Impacto no preço do café

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© Pexels

De acordo com dados do Departamento do Trabalho dos EUA, o preço médio do café no varejo americano subiu quase 21% em agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior. Especialistas atribuem parte desse aumento às tarifas impostas pela administração Trump sobre as importações de café.

Atualmente, o Brasil enfrenta uma das taxas mais altas, de 50%, enquanto o Vietnã é taxado em 20% e a Colômbia em 10%. As medidas foram justificadas pela Casa Branca como uma forma de proteger produtores locais e equilibrar a balança comercial, mas o impacto tem sido sentido diretamente pelos consumidores e pelas redes varejistas.

O peso do Brasil nas exportações

Os Estados Unidos importam mais de 99% do café que consomem, segundo a Associação Nacional do Café. E o Brasil é, de longe, o maior fornecedor do grão ao mercado americano, respondendo por 30,7% das importações em peso líquido, conforme dados do banco de dados UN Comtrade. Em seguida aparecem a Colômbia (18,3%) e o Vietnã (6,6%).

Em outubro, o governo brasileiro já havia solicitado formalmente a reversão da alíquota extra de 40% sobre o café verde, alegando que as medidas americanas violam os princípios da Organização Mundial do Comércio (OMC) e penalizam desproporcionalmente os países produtores.

Perspectivas e desafios

A eventual redução das tarifas pode representar um alívio para exportadores e consumidores, mas analistas alertam que as negociações ainda estão em estágio inicial. Fontes próximas à diplomacia brasileira afirmam que o Itamaraty aguarda uma posição oficial da Casa Branca antes de revisar sua política de exportações.

Nos bastidores, o gesto de Trump é interpretado também como uma estratégia política: o café é um dos produtos agrícolas mais consumidos nos EUA, e seu aumento de preço tem impacto direto na popularidade do governo entre os eleitores de classe média.

Apesar do otimismo inicial, especialistas lembram que decisões anteriores da administração Trump mostraram volatilidade nas políticas comerciais, o que pode dificultar acordos de longo prazo. Ainda assim, o anúncio foi bem recebido pelo setor cafeeiro brasileiro, que vê na medida uma oportunidade de recuperar espaço em um mercado avaliado em US$ 30 bilhões anuais.

Um passo estratégico

Se confirmada, a redução das tarifas poderá reequilibrar o comércio entre os dois países e abrir caminho para novas parcerias agrícolas. O Brasil, que lidera o ranking global de produção e exportação de café, espera transformar o gesto americano em um precedente para discutir outros temas sensíveis, como tarifas sobre etanol e produtos de soja.

Para os consumidores americanos, a mudança pode significar algo simples, mas muito aguardado: pagar menos por uma xícara de café.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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