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Portugal inaugura o primeiro bosque terapêutico da Península Ibérica — e ele já está entre os quatro únicos do mundo

A Mata Nacional do Bussaco recebeu certificação internacional como bosque terapêutico. O reconhecimento destaca seu potencial para complementar tratamentos de saúde e reforça o turismo de bem-estar em Portugal.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Portugal acaba de conquistar um reconhecimento inédito na área de saúde e natureza. A Mata Nacional do Bussaco foi oficialmente certificada como Bosque Terapêutico pelo Healing Forest – International Certification Office, tornando-se a primeira área da Península Ibérica a receber esse título e passando a integrar um seleto grupo formado por apenas quatro florestas certificadas em todo o mundo.

A certificação, concedida em 17 de julho, reconhece que o bosque reúne condições ambientais e estruturais adequadas para apoiar terapias de saúde conduzidas por profissionais especializados. Além de colocar Portugal em destaque internacional, o selo fortalece o potencial da região como destino de turismo de bem-estar.

Os outros três bosques certificados estão localizados na Áustria e na Alemanha.

Mata do Bussaco reúne natureza, história e biodiversidade

Localizada na freguesia do Luso, no município de Mealhada, a Mata Nacional do Bussaco ocupa cerca de 105 hectares e abriga uma das coleções dendrológicas mais importantes da Europa.

Segundo a Fundação Mata do Bussaco, o espaço reúne aproximadamente 250 espécies de árvores e arbustos provenientes de diferentes regiões do mundo.

Além da riqueza botânica, a área também preserva um importante patrimônio histórico, arquitetônico e cultural. A floresta é dividida em quatro grandes zonas paisagísticas: Arboreto, Jardins e Vale dos Fetos, Floresta Relíquia e Pinhal do Marquês.

Para Gonçalo Breda Marques, presidente da Fundação Mata do Bussaco, a certificação representa um reconhecimento internacional, mas também aumenta a responsabilidade na preservação e na gestão do espaço.

O que transforma uma floresta em um bosque terapêutico?

Nem toda floresta pode receber esse reconhecimento.

Segundo o Healing Forest – International Certification Office, um bosque terapêutico deve ser planejado para oferecer condições específicas que favoreçam intervenções voltadas à saúde física e mental.

Esses espaços precisam contar com elementos naturais capazes de reduzir o ruído ambiental, oferecer proteção visual e contra o vento, além de disponibilizar trilhas com diferentes níveis de dificuldade e áreas destinadas à realização de exercícios de relaxamento e atividades terapêuticas.

Os programas são conduzidos por terapeutas especializados e podem complementar tratamentos médicos convencionais em pacientes com diferentes tipos de doenças incapacitantes.

A certificação também exige uma rigorosa avaliação técnica.

O processo inclui análise documental, inspeções presenciais realizadas por especialistas e uma verificação detalhada das características ambientais do local. Depois da aprovação, o certificado possui prazo de validade e precisa ser renovado periodicamente.

No caso da Mata do Bussaco, o reconhecimento permanece válido até 2031.

Benefícios para a saúde já contam com respaldo científico

Nas últimas décadas, diversos estudos investigaram os efeitos do contato com ambientes florestais sobre a saúde humana.

Segundo a entidade certificadora, as evidências científicas apontam benefícios como redução do estresse, da ansiedade e dos sintomas depressivos, melhora das funções cognitivas, diminuição da pressão arterial, fortalecimento do sistema imunológico e aumento da qualidade do sono.

Grande parte dessas pesquisas foi desenvolvida em países asiáticos, onde a relação entre natureza e saúde já faz parte de políticas públicas há muitos anos.

Embora essas práticas não substituam tratamentos médicos, elas podem atuar como complemento em programas voltados à recuperação física e emocional.

Banho de floresta e terapia florestal não são a mesma coisa

O conceito de caminhar pela floresta em busca de bem-estar surgiu no Japão em 1982, com a criação do shinrin-yoku, expressão que significa literalmente “banho de floresta”.

A proposta fazia parte de uma estratégia nacional para reduzir os níveis de estresse da população e incentivar um estilo de vida mais saudável.

Hoje, essa prática é considerada uma atividade de bem-estar semelhante ao mindfulness, na qual os participantes são convidados a desacelerar, observar a natureza e estimular os sentidos durante caminhadas guiadas.

A terapia florestal, por outro lado, possui um caráter mais clínico.

Ela é conduzida por terapeutas certificados e pode integrar programas voltados ao tratamento complementar de doenças cardiovasculares, respiratórias, neurológicas, ortopédicas e psicossomáticas.

Instituições como o Forest Therapy Hub são responsáveis pela formação desses profissionais e defendem que a terapia em ambientes naturais contribui para fortalecer a saúde mental, melhorar o bem-estar físico e estimular conexões sociais por meio do contato direto com a natureza.

Com a certificação da Mata Nacional do Bussaco, Portugal passa a ocupar uma posição de destaque em uma área que combina conservação ambiental, ciência e promoção da saúde, reforçando uma tendência crescente de integrar a natureza às estratégias de prevenção e qualidade de vida.

 

[ Fonte: Euronews ]

 

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