O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende se reunir com o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, até o final de 2026. O possível encontro representaria uma tentativa de retomar uma das relações diplomáticas mais incomuns de seu primeiro mandato.
Trump confirmou seus planos ao conversar com jornalistas na Casa Branca em 19 de agosto. Segundo o presidente, manter uma boa relação pessoal com Kim continua sendo importante para lidar com o programa nuclear norte-coreano.
Durante suas declarações, Trump também apresentou uma estimativa surpreendentemente específica: afirmou que a Coreia do Norte possui atualmente 57 armas nucleares “muito poderosas”.
A aproximação ocorre enquanto decisões recentes de Washington sobre exercícios militares com a Coreia do Sul despertam preocupação entre aliados dos Estados Unidos na Ásia.
Trump confirma intenção de voltar a encontrar Kim Jong-un
➡️ Trump diz que conhece bem Kim Jong Un e que ele ficará bem
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— Metrópoles (@Metropoles) August 19, 2026
Questionado diretamente sobre a possibilidade de se reunir com Kim ainda em 2026, Trump respondeu afirmativamente.
O presidente não revelou quando ou onde o encontro aconteceria.
Uma possibilidade, entretanto, seria aproveitar uma viagem de Trump à China em novembro para organizar a reunião. O presidente deverá participar de uma cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC).
Caso aconteça, será o primeiro encontro entre Trump e Kim desde que o republicano retornou à Casa Branca.
Os dois líderes não se encontram pessoalmente desde 2019.
Trump afirma que Coreia do Norte possui 57 armas nucleares
Outro ponto que chamou atenção foi a declaração sobre o tamanho do arsenal nuclear norte-coreano.
Trump afirmou que Kim possui 57 armas nucleares e criticou governos anteriores por permitirem que Pyongyang desenvolvesse tamanha capacidade.
A declaração é particularmente relevante porque, embora Washington reconheça que a Coreia do Norte possui armas nucleares, os Estados Unidos não reconhecem oficialmente o país como um Estado nuclear.
Além disso, presidentes americanos raramente apresentam publicamente números tão específicos sobre arsenais estimados de outros países.
Ainda assim, a cifra mencionada por Trump está próxima de avaliações anteriores que colocavam o arsenal norte-coreano na faixa de aproximadamente 50 a 60 armas.
Relação entre Trump e Kim começou com ameaças
A atual postura contrasta bastante com o início da relação entre os dois.
Durante seu primeiro mandato, Trump chamou Kim de “homem-foguete” e chegou a ameaçar a Coreia do Norte com “fogo e fúria”.
Pouco depois, porém, a relação mudou completamente.
Trump e Kim se encontraram três vezes, incluindo uma histórica reunião em Singapura em 2018. Em 2019, Trump também se tornou o primeiro presidente americano em exercício a atravessar a fronteira e entrar na Coreia do Norte.
O presidente chegou a afirmar que os dois haviam “se apaixonado” depois de trocarem cartas.
Apesar do enorme impacto midiático, as reuniões produziram poucos resultados concretos em relação à desnuclearização norte-coreana.
Exercícios com a Coreia do Sul entram na negociação

Trump também voltou a questionar os exercícios militares realizados conjuntamente por Estados Unidos e Coreia do Sul.
O presidente afirmou ter ordenado uma redução das manobras que considera “hostis” e “muito insultantes” para Kim.
A Coreia do Sul anunciou posteriormente que os exercícios anuais Ulchi Freedom Shield terminariam aproximadamente uma semana antes do previsto, após uma proposta americana.
O Pentágono afirmou que a mudança não comprometeria os objetivos de treinamento das forças dos Estados Unidos.
Esses exercícios são realizados regularmente para preparar os dois países diante da possibilidade de um ataque norte-coreano.
Pyongyang, por sua vez, denuncia há décadas essas operações e afirma que elas funcionariam como ensaios para uma possível invasão.
Irmã de Kim diz desconhecer contatos recentes
Kim Yo-jong, irmã do líder norte-coreano e uma das figuras políticas mais influentes do regime, afirmou não ter conhecimento de supostas comunicações recentes entre Trump e Kim.
Apesar disso, ela reconheceu que o irmão ainda guarda boas lembranças do presidente americano e descreveu a relação pessoal entre os dois como “excelente”.
Ao mesmo tempo, minimizou a importância da redução dos exercícios militares entre Washington e Seul.
A situação geopolítica também mudou significativamente desde o último encontro entre Trump e Kim.
Em 2024, a Coreia do Norte enviou tropas para apoiar a Rússia na guerra contra a Ucrânia e aprofundou sua aproximação militar com Moscou por meio de um tratado de defesa mútua.
Uma nova negociação nuclear pode estar começando
Os Estados Unidos mantêm aproximadamente 28.500 militares na Coreia do Sul, uma presença que remonta à Guerra da Coreia, encerrada em 1953 com um armistício, mas sem um tratado de paz definitivo.
Por isso, qualquer mudança na relação entre Washington, Seul e Pyongyang possui implicações importantes para toda a segurança do leste asiático.
A experiência do primeiro mandato também mostra que uma boa relação pessoal entre Trump e Kim não garante necessariamente um acordo nuclear.
Ainda assim, depois de anos sem encontros entre os líderes dos dois países, a possibilidade de uma nova reunião até o final de 2026 pode recolocar o programa nuclear norte-coreano no centro da diplomacia americana.
Desta vez, porém, Trump encontrará uma Coreia do Norte militarmente mais próxima da Rússia e com um arsenal nuclear consideravelmente maior do que aquele que existia durante as primeiras cúpulas entre os dois líderes.
[ Fonte: France24 ]